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Manaus
Tragédia avião

Queda de avião em Manaus reacende polêmica em torno de localização do Aeroclube

Moradores que vivem na vizinhança do Aeroclube de Manaus vivem amedrontados e defendem transferência para outro local 29/02/2012 às 14:42
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Militares do Corpo de Bombeiros recolhem destroços do Caravan que caiu nessa terça-feira logo após decolar do aeroclube
Milton de Oliveira Manaus

A queda de um avião Caravan, de prefixo PT-PTB, nessa terça-feira 928) pela manhã, no bairro de Flores, apavorou a vizinhança do Aeroclube de Manaus. Os moradores há muito defendem a transferência dele para outra parte menos habitada da cidade. No acidente de ontem morreu o comandante Antônio José de Almeida Maia.

O temor dos moradores já foi corroborado pelo relatório 049/2010 do Centro Nacional de Investigação de Acidentes Aéreos (Cenipa) sobre a queda do Sêneca PT-WIG em 27 de fevereiro de 2007. O documento diz que havia falta de infraestrutura pela ausência de uma área de escape após a cabeceira 29 (oposta a da avenida Torquato Tapajós). Os investigadores também escreveram que “de acordo com o que preconiza a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), o aeródromo encontra-se fora dos parâmetros de segurança para operação”. Desde lá não houve alteração na situação do aeroclube.

Segundo a promotora de vendas e vizinha do aeroclube, Jéssica Carneiro, 18, o barulho das aeronaves é muito forte. “Quando os aviões aterrissam, parece que vão cair ou bater nas pessoas. Eles passam muito próximo ao viaduto e aos carros na Torquato. Nessa terça caiu no mato, mas amanhã pode cair sobre pessoas e carros, matando inocentes”, reclamou.

 Para o empresário e morador do conjunto Canaã, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste, Leonardo Joseph, 24, o aeroclube oferece perigo real aos moradores. “Há muito tempo existe um temor por parte dos moradores dessa área. Nós sofremos mais porque os aviões decolam na direção do conjunto e, no início dos primeiros minutos de voo, eles ainda passam muito baixo por aqui”, contou. Ele defende também que o aeroclube deve mudar para uma área afastada, porque o barulho dos aviões incomoda os moradores.

Também vizinho do aeroclube, o Policial Militar Carlos Jerri diz que o maior perigo está no lado oposto ao que caiu o Caravan, ontem. “Ontem caiu num matagal, área residencial fica um pouco afastada, mas pelo lado oposto tem casas, prédios de apartamentos e até uma invasão logo após o fim da cabeceira”, revela. Para ele está na hora de mudar o clube de local, uma reivindicação que, lembra o PM, já foi até objeto de audiência pública na Assembleia Legislativa chamada pelo ex-deputado Sabá Reis (PR), um antigo morador da região.

Defesa

 O aeroclube de Manaus (Aca) respondeu por meio de sua assessoria que não existe a possibilidade de mudança de local. “Existe um erro na interpretação do que é aeroclube e o que é o Aeródromo de Flores e atualmente não existe essa possibilidade (de mudança), pois o aeródromo cumpre com requisitos técnicos e de segurança exigidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)”.

De acordo com o presidente do ACA, Luiz Mário de Oliveira Peixoto, o aeroclube é formado por escolas de aviação e o aeródromo é tem toda estrutura para a aviação. “O presidente considera remota a possibilidade de transferência do Aeródromo de Flores para o complexo aeroportuário Eduardo Gomes, segundo ele sem condições de espaço para abrigar as empresas de Táxi Aéreo existentes no Aeródromo de Flores com seus hangares e oficinas”, finaliza a nota.

Amigos destacaram a habilidade do comandante


O velório reuniu familiares e amigos, que estavam muito abalados com a morte O velório do comandante Antônio José de Almeida Maia, morto na queda do Caravan PT-PTB, foi marcado por muita emoção, tristeza e a homenagem dos amigos. A família não quis dar entrevista nem se pronunciar sobre o acidente. Os pais dele, ambos com mais de 80 anos, permaneceram no local, mas estavam sob efeito de calmantes.

 O corpo dele só foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) por volta de 16h e deverá ser enterrado nesta quarta-feira(29). A família, que estava muito abalada, não informou detalhes do sepultamento do comandante.

Já os amigos, foram pródigos em destacar o profissionalismo e a coragem de Antônio José em pilotar na Amazônia, mesmo que em condições adversas.

 “Ele era uma pessoa muito amiga, sempre muito profissional, muito humano, uma pessoa muito especial, mesmo!”, disse Eliete Ramalho, que trabalhou com o piloto no tempo em que ele trabalhava na Selva Táxi Aéreo, há mais de 15 anos.

 Eliete e o marido, Alberto Oliveira, lembraram ainda de quando ele foi chamado para fazer uma viagem para Carauari (distante 788 quilômetros de Manaus), há muitos anos. “Era noite, ele foi buscar um doente e fez um pouso noturno perigoso. Foram colocados na pista, quatro motos de cada lado para iluminar o local de pouso, e ele aterrissou perfeitamente, e foi muito aplaudido por todos. Ele salvou a vida daquele doente que foi trazido para Manaus”, revela a amiga emocionada, ainda lembrando os muitos “churrascos” que faziam juntos.

Colaborou: Marlen Lima

Investigação vai durar 1 ano

O 7º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) informou que o relatório sobre o acidente de ontem com o Caravan PT-PTB, de propriedade da Cleiton Táxi Aéreo, deverá sair em 30 dias, mas não será divulgado. O prazo para a conclusão da investigação é de um ano e só depois disso é que acontece a divulgação.

 “Continuamos colhendo dados do local. Vamos formar uma comissão com sete profissionais, como pilotos, médicos e psicólogos da Aeronáutica”, afirmou o chefe do Seripa VII, major Rangel.

 Relatórios já divulgados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos sobre queda de aviões no Estado, desde 2002, indicam falta de controle sobre o que acontece nas aeronaves.