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Quem irá suceder Omar Aziz em 2014?

Juntos, o PSD de Omar e o PMDB de Eduardo Braga conquistaram, no ano passado, 41 prefeituras dos 61 municípios 17/03/2013 às 16:57
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Omar Aziz, governador do Amazonas
Lúcio Pinheiro Manaus

Fortalecido no interior após as eleições municipais de 2012, mas sem o comando da Prefeitura de Manaus, maior colégio eleitoral do Amazonas, o grupo que detém a supremacia política no Estado vai chegar em 2014 medindo forças internas para definir quem brigará pela sucessão do governador Omar Aziz (PSD).

Juntos, o PSD de Omar e o PMDB de Eduardo Braga conquistaram, no ano passado, 41 prefeituras dos 61 municípios. Na outra ponta, os dois perderam para o tucano Artur Neto a Prefeitura de Manaus, cidade com 1,1 milhão de eleitores, o equivalente a 54,4% do eleitorado do Estado.

O protagonismo das decisões sobre o futuro do grupo em 2014 não se afastará das figuras do governador Omar Aziz, do senador Eduardo Braga e do vice-governador José Melo (PMDB).

Isso porque Omar e Melo chegarão para a disputa de 2014 com o cofre e a máquina do Governo Estadual nas mãos. E desde 1982 (1ª eleição direta), a história do Amazonas mostra que é regra o ocupante da cadeira de governador definir o sucessor.

Reeleito governador em 2010, Omar não poderá concorrer novamente ao cargo. Com a legenda que comanda à frente de 23 prefeituras no Estado, hoje, Omar tem praticamente um ano para definir se conclui o mandato ou se afasta-se para disputar uma vaga no Senado.

Se optar por concluir o mandato, Omar assumirá o papel de “magistrado” do processo eleitoral, mas terá que se preparar para ser um líder sem mandato a partir de 2015.

Decidindo concorrer a uma vaga no Senado, em março de 2014, Omar tem de deixa para Melo a cadeira de governador. Na condição de candidato natural ao cargo, o vice-governador teria a máquina do Estado para usar a favor de sua reeleição.

A um ano dessa decisão, tanto Omar quanto Melo dão sinais de que o cenário do vice-governador candidato ao governo é o mais palpável.

Com o consentimento do governador, José Melo tem potencializado suas aparições em compromissos do governo. Quando estão juntos, Omar insiste em dá visibilidade ao vice-governador. Chega até a pedir aplausos ao colega de gestão nesse eventos públicos.

O comportamento dos dois políticos chama atenção, já que até o ano passado o vice-governador tinha participação discreta no governo de Omar. Entre membros do PSD, a expectativa é que o próximo passo do vice-governador é oficlaizar a trocar, já anunciada, do PMDB pelo PRP.

Questionado sobre a mudança de legenda, Melo não confirma, nem desmente. Quanto à condição de pré-candidato, ele responde às indagações ressaltando o currículo. Em visita à Parintins, o vice-governador não hesitou em pedir oportunidade. “O povo precisa me dar essa oportunidade para eu continuar trabalhando”, disse Melo durante inspeção das obras do novo Bumbódromo.


Braga lança as pedras

Responsável pela eleição de Omar Aziz, o ex-governador e hoje senador Eduardo Braga é o potencial candidato ao Governo do Estado em 2014. Nessa condição, o senador pode afundar o projeto de José Melo à sucessão do governador.

Ao optar por ficar de fora do processo eleitoral, Braga assumirá o risco de deixar livre o eleitorado que o guindou à posição que ocupa em Brasília para ser assediado por adversários e aliados políticos.

Líder do governo da presidente Dilma Rousseff, somente uma posição de maior destaque no Governo Federal o faria pensar em ficar de fora da disputa no Amazonas.

Fincando o pé para ser candidato ao governo, Braga vai travar com Omar um exercício de medição de forças. E a possibilidade de racha entre os dois não pode ser descartada.

Com o PSD em 23 prefeituras, e com a chave do cofre do Estado nas mãos para acenar aos demais prefeitos, Omar chegará às conversas de negociação com Braga em vantagem.Sem a força que tinha quando estava no comando do Executivo estadual, Braga tem a seu favor para barganhar com Omar as 18 prefeituras do PMDB.

Apesar do domínio territorial de Omar, o PMDB de Braga rivaliza com o PSD nos quatro maiores colégios eleitorais no interior: Manacapuru, Parintins, Itacoatiara e Coari, respectivamente.


Artur Neto O outro fator na disputa

Derrotado pelo grupo de Omar Aziz e Eduardo Braga em 2010, na campanha para o Senado, Artur Neto (PSDB) ressurgiu politicamente, em 2012, ao se eleger prefeito de Manaus.

Dos nomes que hoje podem fazer o contraponto ao grupo de Omar e Braga, Artur é um dos mais fortes. Primeiro por ter a máquina da Prefeitura de Manaus. Segundo por ter votos e experiências em eleições estaduais.

Após a eleição de Artur, em outubro de 2012, o ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa (PSB) afirmou que a vitória do tucano equilibrava as forças políticas no Estado.

Apoiado pelo PSB, DEM, PR e PPS, no segundo turno das eleições do ano passado, Artur mantém na Câmara Municipal de Manaus, toda a base de partidos que deram sustentação aos seus antecessor (PPL, PRB, PTC, PRTB, PRP, PHS).

Se apostar no capital simbólico que ostenta hoje para disputar o Governo do Estado, Artur tem que renunciar à prefeitura. E corre o riso de ficar sem mandato.



Amazonino mantém indicação

O ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), três vezes governador, deixou a Prefeitura de Manaus comparando o momento político dele com a história do gladiador romano Crixus (falecido em 72 a.C). “Antes de morrer, ele (Crixus) disse: ‘voltarei e serei milhões’”, disparou.

A declaração de Amazonino, além da tradição política, o coloca como potencial candidato em 2014.

No caminho frustrado que traçou para disputar a reeleição para a prefeitura, o ex-prefeito trocou o PTB pelo PDT. O partido conseguiu vencer as eleições em quatro cidades: Tabatinga, Nhamundá, Atalaia do Norte, Santa Isabel do Rio Negro.

Com experiência de quatro eleições para governo, Amazonino ainda tem eleitorado no interior. A reputação o faz ser procurado por prefeito do interior, em busca de orientação política. Em 2012, ele saiu da prefeitura de Manaus desgastado com a opinião pública, mas com amistosa aproximação com Artur Neto.


Linha do tempo
Regra
Desde 1982, quando houve a primeira eleição direta para governador do Amazonas, de sete disputas, o candidato do chefe do Executivo foi o eleito em seis. O retrospecto mostra o peso da máquina nas disputas pelo Governo do Estado.
1986
O primeiro eleito com o apoio do governador foi Amazonino Mendes, em 1986. Gilberto Mestrinho era o governador. Quatro anos depois, Amazonino Mendes retribui o apoio. A alternância entre os dois aliados se repetiu até às eleições estaduais de 1996.
1996
Amazonino Mendes voltou ao Governo do Estado. Em 1998, com a ajuda de governadores, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) aprovou a regra que permitia a reeleição. Amazonino aproveitou para se candidatar e se reeleger.
Exceção
A única disputa para governador que um nome sem o apoio oficial do chefe do Poder Executivo estadual chegou ao Governo do Estado foi a de 2002. O então prefeito de Manaus, Eduardo Braga, foi o eleito. Amazonino era o governador. Gilberto ficou em segundo.
2006Eleito governador do Estado em 2002, Eduardo Braga disputou em 2006 a reeleição contra o ex-aliado Amazonino Mendes. Sem a máquina, Amazonino equilibrou a disputa, mas acabou derrotado. Em 2010, Braga saiu do posto e deixou o vice Omar Aziz.
2014
Na cadeira de governador, Omar Aziz tem até abril de 2014 para decidir de fica no posto até o fim de mandato e desiste de concorrer ao Senado, ou sai e deixa o vice-governador José Melo à frente do governo na reta final das eleições.