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'Queremos o resgate da credibilidade do partido', diz Alfredo Nascimento em entrevista

Quase um ano e meio depois de deixar o comando do Ministério dos Transportes em meio a uma enxurrada  de denúncias de corrupção, Alfredo Nascimento  se reúne  com a presidente Dilma para tratar da participação do PR no Governo  18/12/2012 às 08:10
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Alfredo Nascimento deixou de ser ministro dos transportes em julho de 2011
ANTÔNIO PAULO ---

O Partido da República (PR) está a um passo de voltar a participar novamente da base aliada do Governo Dilma. Depois das denúncias no Ministério dos Transportes, que resultaram na saída do ministro Alfredo Nascimento, em julho de 2011, 17 meses depois o senador do Amazonas, presidente nacional do PR, vice-líder do partido no Senado (assumirá a liderança a partir de 1º de fevereiro de 2013) volta a se encontrar com a presidente Dilma Rousseff.

A audiência no Palácio do Planalto está marcada para esta terça-feira (18). Há duas semanas, Alfredo já havia participado de uma reunião, no Planalto, com os demais líderes do bloco União e Força, formado pelo PTB, PR, PSC e que tem 14 senadores, constituindo a terceira maior força no Senado depois dos blocos PT e PMDB.

Mas, na reunião de hoje, o PR vai sozinho conversar com a presidente da República. O que vai ser discutido, as propostas que o partido vai fazer à Dilma, Alfredo Nascimento adianta nessa entrevista concedida para A CRÍTICA. O senador também fala do apoio dele ao prefeito eleito Artur Neto (PSDB) e mostra os pré-cenários das eleições de 2014 no Amazonas.

O que o bloco União e Força discutiu com a presidente Dilma na reunião ocorrida há duas semanas?

A convite da presidente, os 14 senadores do bloco União e Força, formado pelo PTB, PR e PSC participaram dessa reunião no Palácio do Planalto. Ela queria nos ouvir, pois, o grupo virou decisivo, tornou-se a terceira força depois do PT e PMDB no Senado. Vamos influir nas eleições da Mesa Diretora, nas comissões e nas votações em plenário. Agora, a cada três medidas provisórias que chegarem ao Senado, uma terá a participação do bloco seja na relatoria ou na presidência da Comissão Especial. Reunidos, passamos a exercer uma influência grande nos acontecimentos e o mais importante é que há uma decisão do grupo: ninguém vota em separado. Mesmo que algum senador seja contrário a alguma matéria, vale a decisão da maioria, a gente sempre vai ter 14 votos. É a única forma de sobrevivência desse grupo.

Nessa reunião com a presidente, o bloco pediu algum tipo de participação no Governo?

Ninguém falou em participação no Governo. Só discutimos a boa relação que queremos ter, conhecer os assuntos de interesse do Governo quando chegarem ao Senado. Essa relação está acontecendo, pois, nos almoços de terça-feira, quando os 14 senadores se reúnem, já vieram quatro ministros expor ao grupo os projetos e demandas governamentais: Alexandre Padilha, da Saúde; Aloísio Mercadante, da Educação; Edson Lobão, de Minas e Energia; e Ideli Salvatti, de Relações Institucionais. Esse diálogo nós pedimos que seja permanente.

O que o senhor vai tratar com a presidente Dilma na reunião de terça-feira?

Vou levar comigo o líder do PR na Câmara, deputado Lincoln Portela (MG), o líder do Senado, Blairo Maggi (MT) e o futuro secretário-geral do partido, senador Antônio Carlos Rodrigues (SP). Primeiramente, nós queremos o resgate da credibilidade do partido. Eu e o PR fomos acusados e todas as investigações feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR), Polícia Federal comprovaram a minha lisura. Eu estou inteiramente livre de toda e qualquer dúvida em relação aos procedimentos que solicitei. Não tem absolutamente nada contra mim. Veja essa CPI (do Cachoeira) que está sendo encerrada. Viraram o Ministério dos Transportes do avesso, de cabeça para baixo, foram a fundo nos contratos, nas empresas e não encontraram nada contra mim.

E as gravações envolvendo o seu nome?

Ao contrário, o que foi verificado pela CPI é até favorável a mim, pois, a gravação do Policarpo (Júnior), repórter da Veja com o Cachoeira mostra eles tramando a minha derrubada do Ministério porque eu contrariei os interesses dessa quadrilha. Então, o partido precisa ser resgatado dessa relação com o Governo. Os outros partidos que tiveram problemas, refizeram essa relação e estão participando do Governo porque é hipocrisia dizer que apoia e não quer participar do projeto. Tirem os Ministérios do PT, do PMDB para ver se eles continuam apoiando o Governo.

Sendo assim, o que o PR quer do Governo Federal?

Queremos participar efetivamente do Governo. Diz-se que o PR tem o Ministério dos Transportes, mas não tem não, apesar de o ministro Paulo Sérgio (Passos) ter sido colocado lá por mim, como secretário executivo e depois como titular da pasta, e ter entrado no PR, ele não tem tido diálogo com o partido; não há nenhum entendimento político entre o Ministério e o PR.

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