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Manaus
ZONA OESTE

Ramais do bairro Tarumã viram depósitos de entulhos de construções e lixo doméstico

Há dois anos, moradores dos sítios e condomínios começaram a perceber que caminhões lotados de entulhos descartavam lixos nos ramais do Tarumã 29/10/2017 às 17:30 - Atualizado em 30/10/2017 às 12:31
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Margens das vias também são tomadas por lixo doméstico, que tem coleta precária. Foto: Winnetou Almeida
Álik Menezes Manaus (AM)

Sem fiscalização e com o aumento do número de construções em áreas do  bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, ramais que dão acesso à Praia Dourada e   à  Marina Tauá são alvos de descarte de entulhos de construções e lixo doméstico. O descaso e as ações   contra o meio ambiente provocam revolta  em moradores da região.

Há dois anos, moradores dos sítios e condomínios começaram a perceber que caminhões lotados de entulhos descartavam lixos nos ramais do Tarumã, principalmente nos menos movimentados, mas as ações intensificaram ainda mais há um mês.

Segundo a dona de casa Cristina Alves do Nascimento, 41, diariamente, caminhões entram nos ramais para deixar toneladas de entulhos. “Antes, a gente estava acostumado com os corpos que os bandidos ‘desovam’ aqui nos ramais, mas agora jogam até lixo de construção. Nós estamos tão abandonados que jogam qualquer tipo de lixo e a gente não pode nem falar nada”, disse ela.

Conforme a dona de casa, há apenas três dias um caminhão chegou, por volta das 11h, e descarregou lixo de construção na Estrada da Praia Dourada, uma das principais do bairro. “Era meio que comum eles jogarem nos ramais mais desertos, mas agora estão tão descarados que jogam a qualquer hora e em qualquer das ruas”, contou, indignada.

A fotógrafa Rebecca Mandel contou que testemunhou inúmeras ações desse tipo ao longo dos ramais. Segundo ela, uma das principais áreas alvo dos motoristas fica localizada na avenida Frederico Baird. No local, é possível ver, em vários trechos, restos de construção jogados às margens do ramal.

“Não é de hoje que começaram a jogar lixo lá, tem algum tempo. A quantidade de lixo até que deu uma reduzida porque eles estão jogando esse entulho todo em uma área mais para dentro, um verdadeiro lixão. É revoltante”, relatou a fotógrafa que passa pelo local quase que diariamente.

Segundo um jardineiro de 33 anos que pediu para não ser identificado, todos os dias, caçambas despejam restos de obras nas estradas. O jardineiro disse ainda que, nos três anos que trabalha na área, nunca viu uma equipe de fiscalização da prefeitura passar pelo local.

 A falta de coleta regular também contribiu para a transformação do cenário em um verdadeiro lixão a céu aberto.

Prefeitura se manifesta

Procurada durante a apuração da denúncia, a Prefeitura de Manaus só se manifestou 20 horas da publicação da matéria. Em nota, a Semulsp afirma que "esses locais citados recebem coleta de lixo domiciliar todos os dias, como nos demais bairros da cidade" e diz que "fiscais serão enviados para mapear a existência de lixeiras viciadas". A nota defende que a prefeitura tem combatida tais práticas "não apenas limpando lixeiras  viciadas, como também intensificando ações de conscientização entre a população e implantando jardins comunitários para inibir a formação de lixeiras viciadas". 

A nota ressalta ainda que o "mutirão de limpeza, que está, hoje, iniciando na comunidade Parque São Pedro, deverá percorrer todo o bairro do Tarumã, passando também por esses locais citados, o que dará chance para o descarte correto de volumosos e entulhos. O descarte de entulhos é responsabilidade do seu gerador, segundo a Lei e Código de posturas de Manaus".

Coleta precária e alternativas danosas

Outro fator que contribui para os focos de lixões no Tarumã é a ausência que coleta regular. Segundo os moradores do Ramal do Missionário, o caminhão de coleta passa pelos ramais apenas três vezes na semana, mas os funcionários recolhem os lixos apenas de flutuantes e de uma unidade da Polícia Federal.

Segundo uma dona de casa que não quis se identificar, os funcionários da empresa param para recolher o lixo dos moradores apenas quando estão com sede ou com fome. Os moradores são praticamente obrigados a jogar os lixos domésticos junto com os entulhos, o que agrava a situação, ou até cavar buracos no terreno para queimar o que seria descartado.

“Eu peço para o meu marido levar lá para a estrada, lá fora, mas tem muito vizinho que não tem condições, porque são idosos ou até mesmo não têm condições financeiras e jogam pelo meio do caminho. Tem até vizinho que queima lixo e não pode fazer isso, né?”, disse.