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‘Rebecca seria um páreo muito duro de vencer ’, diz Artur Neto

O prefeiturável tucano afirma estar confiante na vitória e não permitirá que sua campanha seja usada para fazer uma avaliação da administração de Amazonino 20/10/2012 às 16:24
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Candidato Artur Virgílio Neto (PSDB) afirma ter os pés no chão
Rosiene Carvalho Manaus (AM)

Líder em todas as pesquisas eleitorais, o candidato a prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), a uma semana do pleito, não esconde a confiança na vitória e já fala como prefeito eleito. O tucano faz críticas à campanha da adversária Vanessa Grazziotin (PCdoB) que o derrotou nas urnas na disputa ao Senado, na eleição de 2010. Em entrevista para A CRÍTICA, Artur afirma que Amazonino não é patrão político dele, que seu secretariado será técnico e que terá atitude enérgica à frente da prefeitura, caso eleito. Confira trechos da entrevista.

Como está a reta final de campanha?

Essa eleição estava muito boa desde o início. Agora, o entusiasmo é maior ainda. Os números estão aí e são reflexo das posturas das campanhas: uma de proposta e outra de agressão. Acho que não leram bem nem o resultado do primeiro turno e aprofundaram os equívocos. Indicaria a eles a leitura do livro “A marcha da insensatez”, da falecida historiadora inglesa Bárbara Tuchman.

Em sua opinião, o eleitor tem aversão à baixaria na campanha?

O eleitor já demonstrou claramente que não quer baixaria. Não percebem que quanto mais insistem nessa linha, mais aprofundam o fosso. Quando Serra foi para o segundo turno, em 2002, e se descobriu que Lula era inevitavelmente presidente da República, o PSDB decidiu perder a eleição, mas não perder o Serra. Aproveitou-se a campanha para realçar os atributos dele, que depois se elegeu prefeito e governador de São Paulo.

O senhor está afirmando que a campanha da candidata adversária usou de baixaria?

Teve uma série de coisas equivocadas. A troca abrupta de candidatas, aquela sim (Rebecca Garcia - PP) seria um páreo muito duro de vencer. Fizeram aquela violência contra ela e depois improvisaram uma candidata.

Analistas políticos indicam que a questão do ovo, por exemplo, tomou força depois que o senhor classificou o episódio como farsa.

Por mim não ia falar nada, mas fui voto vencido. Depois, fui muito duro e disse que até o final da campanha não quero mais nem comer ovo.

Como o senhor encara essa estratégia da campanha adversária de usar tempo de TV para falar do senhor?

Se o tribunal der tudo que eu tenho de direito de resposta, ela não fala mais até o final do programa. Está dando certo? Mude pelo menos de baixaria ou vá para altaneira.

O senhor é parte num processo que pede a cassação do mandato da senadora Vanessa Grazziotin. Se tiver êxito, o senhor deixa a prefeitura caso eleito?

 

A minha simples candidatura me afastou da perspectiva de voltar ao Senado. Vou terminar o mandato de prefeito como terminei todos os outros.

Numa das coletivas, o senhor comentou que o resultado da eleição pode ser reflexo do pleito passado.

Não tenho nenhuma dúvida disso.

Considera que os seus adversários são seus principais cabos eleitorais?

Tem um misto. Também tem o fato de a minha dupla com o Hissa (Abraão - PPS) ter caído no gosto das pessoas (...).  O que houve na eleição passada foi brutal, asfixiou e deixou o povo nesse estágio de letargia que hoje eclode no apoio à candidatura.

Uma das principais estratégias da sua adversária é associar a sua imagem a do prefeito Amazonino Mendes, que tem a administração mal avaliada pela população...

O que há de fato é que ele não é candidato e as pessoas que o acompanham foram procurar outros candidatos. A começar pelo seu ex-secretário de Trabalho, Vital Melo (PT) que é vice dela.

Mas é inegável que a maioria está ao seu lado.

Mas o que eu vou fazer? Foram atrás da candidatura que simpatizavam mais ou que viram com maior chance de ganhar.

O senhor tem consciência de que se Amazonino aparecesse na sua campanha seria um prejuízo...

Não vou permitir que minha campanha seja um palco de avaliação do Governo Amazonino, que não tive qualquer participação.  Minha proposta é continuar os programas que deram certo: Carreta da Mulher, Leite do Meu filho... como ela também propõe.

O senhor considera que o governo Amazonino cometeu erros?

Não concordo com a buraqueira da cidade, com os problemas do trânsito e água. Acho que teria que ter uma atitude mais enérgica como eu terei. Farei um governo, que será o meu governo. Não tenho patrão político. Na época de Fernando Henrique, segui orientações dele, mas nunca recebi ordens. Ele nunca me disse: “Vai lá e pula da janela e eu pulei”.

Qual foi a última vez que o senhor falou com o prefeito de Manaus?

Quando ele esteve internado, fui a São Paulo ver se conseguia um dinheirinho para minha campanha e fiz uma visita a ele no hospital.

 

Quando o senhor foi eleito prefeito, em 1988, as pessoas tinham um sentimento de rompimento com o grupo político dominante na época, liderado por Amazonino. E desta vez?

Creio que é bem maior que a do passado. Sei da responsabilidade que deverá pesar. E tenho experiência mais que o suficiente para não temer, embora me preocupe. Naquela época, fui contra o Amazonino, que aliás (hoje) é um homem da base da presidente Dilma. E já foi muito bom para atrair votos para Dilma e Lula. Ninguém reclamou disso.

O senhor tem apoio de praticamente todos os candidatos que disputavam a prefeitura em primeiro turno...

Todos os que eu quis.

O senhor não quis o apoio de Sabino Castelo Branco este ano?

Vou repetir. De todos os que eu quis.

Mas, em 2010, o deputado apoiou e pediu votos para o senhor.

E se beneficiou bastante com o fato. Ele não teve uma votação tão boa. Enfim, não tenho uma relação de amizade pessoal, mas foi prudente ele estar onde está e eu estar onde estou.

O senhor agregou grupos políticos diferentes. Como pretende acomodar todas essas pessoas na sua gestão?

Nenhuma delas me pediu acomodação. Será que o amor a Manaus não justifica a união dessas pessoas de ideias antagônicas? E, se depender de mim, quem sabe um projeto de união política para o futuro.

Tantos partidos diferentes não podem trazer problemas a sua administração?

De maneira alguma. Meu secretariado terá um perfil eminentemente técnico.

O senhor acha que Manaus estará preparada para Copa?

Vai estar melhor do que está hoje. Vamos ter que tomar muitos procedimentos de engenharia de trânsito.

Serão necessárias medidas alternativas como decretação de feriado em dia de jogos?

Seria a última das hipóteses, mas não excluo. Só garanto: Manaus estará mais bonita. Já na Copa, creio que o Centro vai estar em ponto de bala. Fachadas pintadas, ruas recuperadas, camelôs com vários minishoppings.

 

Como o senhor encarou o anúncio da presidente Dilma de R$ 2 bilhões em obras para Manaus?

Por mim, ela podia fazer isso todo dia até o dia da eleição. Era uma boa distribuição de riqueza entre os Estados. Se a eleição motiva de alguma forma, faça isso, duplique, multiplique que eu agradeço.

Seus mandatos serviram à Zona Franca de Manaus?

Todo mundo vota a favor da Zona Franca, claro. Mas eu tinha condições de parar o Senado à hora que quisesse para defender os interesses locais. Os dois projetos que tramitam no Congresso são de minha autoria. Esse discurso que nunca fiz nada pela Zona Franca é subestimar a inteligência do povo, as pessoas sabem. Os projetos relacionados à Zona Franca só tinham sinal verde no Senado depois que me davam sinal verde aqui em Manaus. Os empresários, se tiverem independência, vão dizer isso.

Como o senhor está se preparando para o dia 28 de outubro?

Estamos confiantes na vitória, mas com o pé no chão e trabalhando como se estivesse atrás, como se os números fossem inversos.

Perfil

Nome: Artur Virgílio Neto

Idade: 66 anos

Estudos: Bacharel em Direito e diplomata

Experiência: Deputado federal pelo PMDB, de 1983 a 1987; prefeito de Manaus de 1989 a 1992; deputado federal pelo PSDB de 1995 a 1998 e de 1999 a 2002, senador de 2003 a 2011. Em 2006, disputou o governo do Amazonas e saiu derrotado. Não se reelegeu em 2010.

Curiosidades
Candidato tucano é supersticioso evita passar por baixo de escada

Faixa presta de jiu-jítsu, Artur diz que gosta de assistir combates do UFC. Mas está decepcionado com o desempenho do time do coração: o Flamengo.

O senhor tem alguma mania ou superstição?

Uma mania que eu tenho é de arrancar os papéis laterais de folhas de caderno avulsas. É o meu lado do toc (transtorno obsessivo compulsivo). Tenho um pouquinho. Tenho muito não. Adoro tirar aquelas laterais de folhas de computador também.

Tem mais alguma?

Sou meio supersticioso. Não passo debaixo de escada. E quando tenho que passar, volto para desfazer. Sandália virada não deixo de jeito nenhum. A minha mãe até já morreu, mas a minha superstição ficou. E não é só comigo. Sou solidário. Quando vejo sandália dos outros viradas eu ajudo (risos).

O senhor tem tido lazer nesta reta final de campanha?

Meu lazer é quando alguém me conta uma piada. De vez em quando saiu para dar uma pedalada com o Fabrício Lima. Parei com o esporte, tudo. Procuro conciliar de ver as lutas de UFC e o Flamengo jogar nas torcidas organizadas ou na praça do Eldorado. Outro dia vi em casa. Mas era um vexame e só vi o primeiro tempo. Não quero mais saber de Flamengo.

O senhor teve alguma alteração no sono neste segundo turno?

Não. Sou bom de cama. Deito e durmo.

E a sua alimentação? Tem alguma dieta especial?

Falta de ginástica. Não estou queimando tanta energia. E tem me ajudando a perder peso. Cheguei com peso acima, de Portugal, e estou quase chegando ao normal. Tenho tomado muito açaí pelo efeito energético.

O senhor tem tido tempo para ler?

Não paro nunca. Leio de pouco em pouco, mas estou sempre lendo. Para lazer, estou lendo “A mão e a luva”, de Machado de Assis.

Como o senhor vai comemorar, caso saia vitorioso deste pleito?

Devo votar bem cedo, rodar um pouco pela cidade. Seja qual for o resultado irei ao TRE-AM cumprimentar o presidente do tribunal, Flávio Pascarelli, pela lisura com que conduziu o pleito.