Publicidade
Manaus
Manaus

Reincidência faz com que bandidos se tornem velhos conhecidos da polícia em Manaus

O delegado titular da DERFV, Orlando Amaral, afirma que é comum prender a mesma pessoas mais de uma vez em um ano e pelos mesmos crimes, mas afirma que não acredita que a Justiça queira soltar os criminosos. Para ele, faltam investimentos estruturais para que a polícia possa realizar um trabalho mais criterioso e minucioso na apuração de provas, principalmente as técnicas 14/07/2012 às 18:00
Show 1
População se sente insegura com prisão soltura de bandidos que chegam a acontecer mais duas vezes em um único mês; autoridades se defendem
Ana Paula Sena Manaus

A reincidência no mundo do crime é uma das grandes preocupações de delegados, policiais, promotores do Ministério Público Estadual (MPE) e principalmente da sociedade em geral. Exemplo disso é a expressão “a polícia prende e a Justiça solta” que já virou senso comum. No último dia 26, por exemplo, foram presos em flagrante pela Delegacia Especializada em Roubos Furtos e Defraudações (DERFV), pelo crime conhecido como “saidinha de banco”, José Dimas da Silva de Pinho, que já tinha sido detido outras cinco vezes, duas somente este ano e Danilo Mateus Barbosa Aguiar, preso também outras seis vezes pelos crimes de roubo e receptação.

Por conta disso, alguns criminosos acabam se tornando conhecidos da polícia e “envelhecem” no crime, como por exemplo, a quadrilha especializada em roubo com envolvimento em tráfico de drogas, conhecida como “Cadeeiros velhos”, todos com idade acima de 50 anos. O bando é formado por Francimar do Nascimento Elias, o “Maratá”, preso três vezes por roubo; Francisco de Assis Amorim de Oliveira, o “Pernambuco”, preso oito vezes por roubo e tráfico de drogas; e Sebastião Ribeiro Filho, “o Sabá”, preso três vezes por roubo.

O delegado titular da DERFV, Orlando Amaral, afirma que é comum prender a mesma pessoas mais de uma vez em um ano e pelos mesmos crimes, mas afirma que não acredita que a Justiça queira soltar os criminosos. Para ele, faltam investimentos estruturais para que a polícia possa realizar um trabalho mais criterioso e minucioso na apuração de provas, principalmente as técnicas.

“Nós fazemos a nossa parte com muito esforço para prender os bandidos que estão atuando na cidade e quando fazemos a prisão é pensando que será menos uma pessoa cometendo delitos, mas nem sempre é o acontece. Também acredito que a soltura não acontece por vontade da Justiça”, afirmou.

O promotor André Seffair, também concorda que falta estrutura para delegados e polícias em geral, mas afirma que não é apenas isso, ele também considera que a subordinação de policiais militares e civis ao Estado atrapalha todo o processo.

“Devido essa subordinação há resultados ainda mais perversos e nefastos na prestação do serviço público, por exemplo, a mesma Lei que prende um assaltante é a mesma que julga um político. A pergunta é: Porque os políticos não reformulam a Lei? A resposta é simples, porque eles também seriam julgados da mesma forma, por isso a autonomia de delegados, por exemplo, mudaria muito a história da sociedade que sente a impunidade”.

Solto
Marlon Gutemberg Queiroz Rufino responde há 12 processos, todos por roubo, conforme o site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), desde 2008. Apenas em abril de 2011 ele foi indiciado cinco vezes. O último processo foi aberto em setembro de 2011. Ele permanece solto.