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Relatos de quem vive o ‘Dia das Mães’ atrás da grades de um presídio

 Reportagem ouviu a história de uma detenta do Amazonas sobre a péssima experiência de ser mãe longe dos filhos e ser filha longe dos pais 12/05/2012 às 18:40
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Aline Ferreira* diz que sempre evitou que filhos fossem à cadeia por amor
Ana Paula Sena ---

Mulheres que vivem atrás das grades também poderão comemorar o Dia das Mães com os filhos, em especial aquelas que receberam liberação da Justiça para passar a data com a família. Uma delas é Aline Ferreira*, 40, presa há quatro anos e cinco meses em regime fechado, na cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa. Pela primeira vez após sua prisão, ela vai comemorar a data com os três filhos, no Município de Novo Airão (a 115 quilômetros da capital).

Respondendo pelo crime de homicídio, ela conta, em meio a lágrimas, que durante os mais de quatro anos presa, os filhos nunca puderam visitá-la, quanto mais em uma data especial como essa. “Eu sempre escutei a orientação das psicólogas da cadeia, que não é bom meus filhos frequentarem esse tipo de ambiente. Eu aguentei até hoje porque os amo demais e quero que eles se lembrem de coisas boas a meu respeito”, revelou.

Aline conta que já passou por vários momentos ruins na cadeia, mas sempre “focou” em seus objetivos: reconquistar a confiança da mãe e dos filhos. “Eu cometi um crime e estou pagando por ele. Quero, a partir de agora, mostrar que sou uma nova filha e uma nova mãe”, contou.

De acordo com a assessora jurídica da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), Seilani Almendos, a detenta sempre teve um excelente comportamento. “A Aline nunca se envolveu com brigas desde que entrou aqui, sempre obedeceu as regras e nunca tentou fugir, diferente de várias outras”.

Atualmente, Aline trabalha no almoxarifado e cozinha da cadeia, e ainda coordena outras 17 detentas. “Desde que entrei aqui sempre ocupei minha mente com o trabalho. Eu decepcionei muito a minha família e por isso sempre procurei fazer as coisas diferentes de quando estava solta”, desabafou.

Para Aline, o presente ideal, com o qual ela sonha há mais de quatro anos, seria ter de volta a confiança dos pais. “Eu quero provar para eles que mudei, não sou a mesma pessoa de anos atrás. Minha prisão serviu para mostrar a mim mesma, o valor que tem a família, de poder ter uma mãe e também de ser mãe”, disse, emocionada.

Ela ainda conta que, quando ganhar a liberdade, pretende morar com os filhos na capital e estudar enfermagem. “Eu tenho fé em Deus que quando sair pela porta da cadeia, terei uma vida diferente”.

Programação

Nos dias 12 e 13, o Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM) terá uma programanção especial voltada para as mães dos presos, que envolverá culto em homenagem ao Dia das Mães, apresentação de coral dos internos e palestra sobre Qualidade de Vida, com foco motivacional e na autoestima. O CDPM funciona no km 8 da BR-174, próximo ao Complexo Anísio Jobim. A unidade só possui internos masculinos. No dia 15 acontecerá Culto da Assembleia de Deus em homenagem às mães, na Penitenciária Feminina da cadeia pública Des. Raimundo Vidal Pessoa.

*Nome fictício