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Religiosos de Manaus ressaltam a importância do Natal

A data é celebrada pelas mais variadas religiões como momento de reflexão, de solidariedade e de renovação dos valores 24/12/2012 às 09:21
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Dom Luiz Soares Vieira ressalta necessidade de sermos solidários e fraternais
Carolina Silva ---

Universal e abrangente. Assim é a maior festa criada pelo cristianismo: o Natal. Talvez a única celebração em que todos os povos, independente de crença, adotam a data para momentos de reflexão e de reunião entre família e amigos.

Enquanto o Natal é uma ocasião meramente comercial para alguns, por outro lado o caráter religioso é indispensável para a noite em que se revigoram e prevalecem os sentimentos mais nobres. Representantes de algumas doutrinas religiosas presentes no Amazonas, que celebram a data, dispensam as diferenças e ressaltam a importância do Natal, independente do modo e de quando ele é comemorado.

O padre Zenildo Lima considera o Natal uma celebração da encarnação do Filho de Deus e uma comemoração que ultrapassou os limites do cristianismo. “É o Deus que se encarnou para que o seu amor chegasse mais próximo das pessoas. Mas a data passou a ser comemorada não somente por uma sociedade cristã, mas por uma pluralidade religiosa. Contudo, os valores da comunhão, da família e da amizade prevalecem em qualquer religião”, disse.

Para os adeptos da Igreja Católica, o Natal é o aniversário de nascimento de Jesus Cristo. “É uma festa que lembra o nascimento de Jesus, embora a Bíblia não diga qual foi a data. Os cristãos escolheram o dia 25 de dezembro em sinal de protesto ao dia que os romanos escolheram para adorar o deus Sol. É a certeza de que Deus está conosco e a necessidade de sermos solidário e fraternal uns com os outros. O Natal é o momento de encontrar a paz dentro de nós. A data traz o apelo à paz interior e à sociedade”, considera o arcebispo metropolitano de Manaus, dom Luiz Soares Vieira.

Na origem, as celebrações do ciclo natalino vêm da distante idade média. A Igreja Católica introduziu o Natal em substituição a uma festa mais antiga celebrada no Império Romano, a festa do deus Mitra, que anunciava a volta do Sol em pleno inverno do hemisfério norte. Como tradição, os católicos costumam comemorar a data em família, em alusão à sagrada família, formada por Maria, José e o menino Jesus.

Pastor José João Mesquita vê na data momento de esperança e salvação

O mesmo foco a data tem para os evangélicos. “Os cristãos evangélicos tem um entendimento de que nasceu aquele que estava prometido por Deus no Antigo Testamento. Um texto claro disto é de Isaías, capítulo 9, verso 6 que diz: ‘Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz’. Natal, então, é Deus enviando seu filho como luz nas trevas, esperança para os que sofrem, salvação para o homem que está perdido em seus pecados. Tem  muitas pessoas religiosas no mundo, mas sem Deus”, explica o pastor José João Mesquita.

Enquanto para os cristãos o dia 25 será a celebração do Natal, para os judeus será a festa do Hanukkah, porém, semelhante à celebração do cristianismo. “Essa época coincide com o Hanukkah, que significa Festa das Luzes e combina com o Natal, pois a cidade se enfeita toda com luzes coloridas. É um momento de confraternização, alegrias, reforçamos a fé e os bons sentimentos para com o próximo, além de ser um momento de união”, explicou Anne Benchimol, presidente do Comitê Israelita do Amazonas. O Hanukkah é uma tradição comemorada a mais de 2 mil anos pelo povo  Judeu.

A sagrada família

Conta a Bíblia que um anjo anunciou para Maria que ela daria a luz a Jesus, o filho de Deus. Na véspera do nascimento, o casal viajou de Nazaré para Belém, chegando à cidade na noite de Natal. Como não encontraram lugar para dormir, eles tiveram de ficar no estábulo de uma estalagem. E ali mesmo, entre bois e cabras, Jesus nasceu, sendo enrolado com panos e deitado em uma manjedoura.

Pastores que estavam próximos com seus rebanhos foram avisados por um anjo e visitaram o bebê. Três reis magos que viajavam há dias seguindo a estrela guia igualmente encontraram o lugar e ofereceram presentes ao menino: ouro, mirra e incenso. No retorno, espalharam a notícia de que havia nascido o filho de Deus. Os cristãos, sejam católicos ou evangélicos, revivem nos festejos de Natal o nascimento de Jesus, como momento de renovação e de esperança. Uma das formas mais comuns de simbolizar esse momento são os presépios montados dentro de igrejas e residências ou ao ar live e as dramatizações teatrais.

Rita de Cássia Castro de Jesus Presidente da Federação Espírita do Amazonas

A presidente da Federação Espírita Amazonense, Rita de Cássia Castro de Jesus, explica que para os seguidores dessa doutrina, as comemorações do Natal são iguais às das outras religiões. De acordo com ela, não há nenhum ritual específico, mas é forte o significado de reflexão e agradecimento. “A celebração do Natal para nós espíritas é mais um dia de reunião de família, de oração para agradecermos a Deus tudo o que recebemos na vida e principalmente a Jesus, pois, por conta dele comemoramos o Natal, por tantos ensinamentos que ele nos deu. O Natal é um dia simbólico em que também confraternizamos. Nosso desejo nesse Natal é que as pessoas busquem o melhor dentro de si, que vivenciem a Paz de Cristo, o perdão e que a solidariedade se faça presente durante os outros dias também”.

Rafael Eldad Embaixador de Israel no Brasil


“O Natal e o ano novo estão próximos e todos nós usamos  este momento de recomeço para refletir sobre o ano que está acabando e nos preparamos para uma próxima etapa em nossas vidas. Esta reflexão vem acompanhada de muitos projetos a serem cumpridos e sonhos a serem realizados no ano vindouro. Projetos para uma vida melhor e sonhos de paz e felicidade. Gostaria de saudar a comunidade cristã  nesta época tão especial do ano e expressar os votos de paz e harmonia que emanam da Terra Santa. Queremos dividir a esperança de um mundo melhor, onde a tolerância, o amor, o respeito ao ser humano e a paz sejam uma constante. O desejo é de que todos tenham um Feliz Natal e que o ano de 2013 seja próspero, com muita paz e realizações. Shalom!”

Alberto Jorge SilvaCoordenador das religiões de matriz africana e ameríndia


“A celebração do Natal é uma festa sincrética.  Existe a partir da tradição criada da junção entre o catolicismo e a afro-religião onde Jesus Cristo sincretiza com a figura de Oxalufan, orixá da criação, da paz, da fraternidade e do entendimento. Por isso nós celebramos com mesa de Oxalá no dia 25, onde são oferecidas à comunidade frutas, doces, tudo na cor branca, que simbolizam a paz, harmonia, o amor e o entendimento. Dentro desta tradição secular o desejo é de que toda a sociedade manauara celebre a paz, o amor, a fraternidade e a união entre todos homens , mulheres, crianças, idosos, recordando que a família seja ela formada em que modelo for, hetero e homossexual, é o valor maior da sociedade e que deve ser sempre preservada e respeitada”.

Ciclos de renascimento

Para os seguidores dos ensinamentos de Buda, o dia 25 de dezembro, bem como os festejos, será um dia de grande reflexão. “Jesus, o filho de Deus, é o mestre dos cristãos. No budismo, nos baseamos em preceitos que vêm antes dele, através de Buda. Esses ensinamentos têm grande afinidade com os de Cristo, por isso compartilhamos com a data”, explica Isabele Mendonça, adepta da doutrina de Buda.

Enquanto os sentimentos e ações de solidariedade e compaixão são referenciais no cristianismo e no budismo, a diferença entre essas doutrinas  está na crença, pelos budistas, em que os seres vivos passam por ciclos de renascimento. “Por isso acreditamos que as nossas ações, hoje, refletirão na vida daqueles que estão por vir”, disse Isabele.

 A comemoração para os budistas, nesta época, se dá por meditações e palestras de aconselhamento sobre como levar uma vida mais correta aqui na terra. Apenas na primeira lua cheia de maio os budistas comemoram o final de ano. “Celebramos, nessa época, o nascimento, a iluminação e a morte de Buda”.