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Manaus
ESTACIONAMENTO

Renda dos flanelinhas de Manaus aumenta com compras de fim de ano no Centro

O que também cresceu, no entanto, foi o sentimento de impotência dos motoristas que precisam estacionar no Centro e se sentem reféns dos guardadores de veículos 06/12/2017 às 22:44 - Atualizado em 07/12/2017 às 09:10
Show flanela
Flanelinhas aproveitam o movimento de fim de ano para aumentar ganhos. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Com o aumento do fluxo de veículos no Centro da cidade, reflexo das compras de fim de ano, e a liberação de 200 vagas de estacionamento em algumas ruas, determinada pelo Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) na semana passada, aumentou também a renda dos flanelinhas - uma vez que a fiscalização do órgão de trânsito não inibe a atuação deles.

O que também cresceu, no entanto, foi o sentimento de impotência dos motoristas que precisam estacionar no Centro e se sentem reféns de guardadores de veículos, única forma de “fugir” dos estacionamentos particulares, que chegam a cobrar até R$ 15 por hora.

De um lado, motoristas reclamam que as 200 vagas extras são insuficientes para suprir a demanda do Centro, uma vez que o projeto Zona Azul, da Prefeitura de Manaus, que há sete anos promete implantar o sistema de estacionamento rotativo, ainda não saiu do papel. De outro, flanelinhas têm a possibilidade de “garantir” o 13º salário com o número de vagas que foi “ampliado” e a demanda crescente, que pode provocar um “reajuste” das “taxas” cobradas dos motoristas.

“Eu preciso estacionar e se eu não pagar para esses caras, vou pagar um absurdo nos estacionamentos privados. A gente foge de um e cai na mão de outro”, disse o técnico em enfermagem Samuel Souza, 26. 

A professora Vânia Galvão, 53, contou que passou mais de 40 minutos para encontrar uma vaga para estacionar no Centro, na manhã da última terça-feira (5). Após avistar uma vaga, na avenida 7 de Setembro, atrás da Igreja da Matriz, ela foi abordada por um flanelinha, que pediu para reparar o carro e informou o valor pelo serviço que prestaria.

“Geralmente eles cobram R$ 5 aqui nessa área do Centro. Eu pago porque, apesar de ser uma exploração, é mais barato que o estacionamento privado. Já paguei R$ 50 em um para fazer compras. A partir de 15 minutos a gente já começa a pagar e cada um tem uma tarifa diferenciada. Por isso eu acabo estacionando na rua mesmo”, relatou.

Além do número insuficiente, os motoristas também reclamam dos transtornos causados pelas “novas vagas” liberadas pelo Manaustrans. “Fica ruim para descer do carro porque, ao longo de quase toda a rua (7 de Setembro), há carros estacionados e falta espaço para desembarcar com segurança e também atrapalha o trânsito”, disse Vânia Galvão. 

'Zona Azul' não saiu do papel

Uma alternativa para os motoristas estacionarem nas ruas do Centro sem se sentirem reféns de guardadores de veículos e pagarem valores justos seria o Zona Azul, projeto anunciado pela Prefeitura de Manaus em 2010. Contudo, a iniciativa não avançou.

No dia 22 do mês passado, o Portal A Crítica publicou uma reportagem denunciando o atraso de mais de dois anos do prazo estabelecido para implantação, após cinco anos de adiamento do início dos trabalhos. O projeto, prometido desde 2010, foi licitado e deveria ter sido implantado em 2015. 

Em novembro, a PMM informou, por meio de nota, que o corpo técnico do Manaustrans estava “analisando as tecnologias e mecanismos” para a melhor implantação do projeto Zona Azul no Centro.

A nota informava ainda que, na atual fase, a equipe envolvida estuda a ampliação do sistema de estacionamento rotativo para outros pontos da cidade, mas não apontou quais são elas e nem prazos para a implantação do Zona Azul no Centro. A reportagem do Portal A Crítica entrou em contato novamente, ontem, para questionar sobre o andamento do projeto e os prazos para implantação, mas a PMM informou que “ainda não há novidades”.

Áreas liberadas

Na avenida 7 de Setembro estão liberadas áreas de estacionamento nos seguintes trechos: lado direito, entre a rua Rui Barbosa e avenida Eduardo Ribeiro; lado direito da via, entre a rua da Instalação até a Eduardo Ribeiro; entre a avenida Floriano Peixoto e avenida Joaquim Nabuco, também no lado direito; e na lateral da Praça da Polícia. Ainda ao lado da praça, será liberado o estacionamento na rua José Paranaguá.

Medida até dia 30

A autorização para estacionar nesses locais começou a valer no dia 1° deste mês e encerra no dia 30. O Manaustrans informou que a fiscalização ocorre das 8h às 22h nas ruas do Centro e, nas demais áreas comerciais próximas aos shoppings centers, das 12h às 23h.

Fiscalização diária

Agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito atuam no Centro para garantir a fluidez do trânsito, mas não é o suficiente para coibir infrações e ação dos flanelinhas que atuam no Centro.