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Reserva localizada em Mamirauá apresenta regeneração nas clareiras de sua mata

Um estudo, desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, analisou a regeneração em clareiras formadas após atividade humana, como o extrativismo madeireiro e uso agrícola pelas populações locais. 19/10/2012 às 20:21
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Unidade de Conservação, na RDS Mamirauá
acritica.com Manaus (AM)

Um estudo, desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, analisou a regeneração em clareiras formadas após atividade humana, como o extrativismo madeireiro e uso agrícola pelas populações locais.

O objetivo do estudo foi comparar padrões de regeneração em áreas de florestas na várzea, quando essa é submetida à influência direta do homem.  Os locais estudados foram os que tiveram atividades agrícolas e de extrativismo madeireiro, fazendo uma comparação entre estes e a regeneração natural do sub-bosque florestal intacto da própria Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

O estudo foi desenvolvido pela doutora do curso de Pós-Graduação em Botânica (PPG-BOT) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Teresinha Maria de Andrade, orientada pela pesquisadora do Inpa, Maria Teresa Fernandez Piedade, e co-orientada pelo pesquisador do Instituto Max Planck, Jochen Schöngart.

De acordo com a pesquisadora, o estudo visa conhecer a composição florística, riqueza das espécies e a estrutura de populações de espécies arbóreas das clareiras abandonadas após práticas agrícolas e de extrativismo de madeira na RDS de Mamirauá, localizado no Amazonas.

“As informações sobre o processo dinâmico de regeneração em clareiras antropizadas por diferentes mecanismos foram ampliadas, o que é importante para o desenvolvimento de alternativas de manejo específicas, que garantam o uso sustentável dos recursos madeireiros e das práticas econômicas executadas nas várzeas, sem degradar esses frágeis e importantes ambientes”, concluiu.

Área de estudo

Foram observadas 20 clareiras em áreas agrícolas e outras 17 em localidades que sofreram com o extrativismo madeireiro, e mais 17 no sub-bosque florestal da RDS que não sofreu impacto humano, totalizando 54 amostras. O estudo durou quatro anos realizados na RDS de Mamirauá.

Nesses lugares, foram divididos espaços de forma circular com raio de 5m e área de 78,54m², e analisadas as espécies com altura acima de 1m e diâmetro acima de 10 cm.

“Catalogamos 1976 indivíduos pertencentes a 42 famílias e 177 espécies, sendo 436 indivíduos em clareiras agrícolas, 885 indivíduos em clareiras extrativistas e 655 indivíduos no sub-bosque”, explicou Teresinha Andrade.

Teresinha esclarece que em clareiras extrativistas e do sub-bosque preservado da Reserva, a espécie que mais se adaptou aos processos de regeneração foi a Psychotria barbiflora. Porém, outras demostraram a mesma característica. “Nessas clareiras se desenvolveu uma comunidade de espécies secundárias menos diversa, mas com maior biomassa, esta última resultante do maior tempo de estabelecimento e crescimento”, disse.

Há outros fatores que implicaram no processo de regeneração das áreas observadas. “Na floresta de várzea estudada a conversão da floresta jovem em floresta madura ocorre mais rapidamente quando o desmatamento não é derivado de agricultura precedida de queima”, observou.