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Rio que banha a cidade de Manaus atinge cota de emergência

O nível do Rio Negro está a 81 cm da maior cheia da história 26/04/2012 às 07:04
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Embarcações circulam dentro do bairro para poder transportar moradores
Florêncio Mesquita Manaus

A cota do rio Negro, em Manaus, ultrapassou em dois centímetros o nível de emergência de 28,94 metros, chegando a 28,96 metros, ou seja, a apenas 81 centímetros da maior cheia registrada ao longo de 110 anos no Amazonas, quando o rio chegou a 29,77 metros.

A cota de emergência sinaliza a adoção de ações de prevenção pela Defesa Civil em, pelo menos, nove áreas que podem ser as mais prejudicadas pela cheia na capital amazonense. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o rio Negro sobe, em média, de 5 a 6 centímetros por dia.

Atualmente, 27 municípios do Estado vivem em sitaução de emergência e  43.332 famílias já foram afetadas pela enchente.

De acordo com o Subcomando de Ações da Defesa Civil do Estado (Subcomandec), o fato de o rio Negro ter atingido o nível de emergência não significa que Manaus decretou estado de emergência.

O Subcomandec explica que a capital ainda não registra danos severos ou grande número de famílias afetadas pela cheia. Quando chegar a esse nível, conforme o órgão, a primeira resposta deverá ser dada pela Prefeitura de Manaus. Apenas se os recursos municipais se esgotarem e for decretado o estado de emergência, é que o Governo do Estado intervirá.

Entre as áreas que podem sofrer mais danos pela subida do rio estão os bairros São Geraldo, São Raimundo, Educandos, Glória, Raiz, Presidente Vargas, Raiz, Betânia e São Jorge. Atualmente algumas áreas da cidade já estão alagadas e a rotina dos moradores mudou.

A subida do rio os obriga a subirem o assoalho das casas ou a abandonarem as moradias. A prefeitura, por meio de Secretaria Municipal de Defesa Civil (Semdec), tenta driblar as dificuldades causadas pela cheia construindo pontes de madeira e marombas nas áreas alagadas. Aproximadamente 1,5 mil pontes já foram erguidas na cidade.

No interior do Estado, a mudança de rotina ocorre na zona urbana e também na rural.

O primeiro de uma série de três alertas de cheia divulgados pelo CPRM, no último mês, aponta que o rio Negro deve registrar uma cota de 29,51 metros este ano. A estimativa do órgão era que outra grande cheia ocorresse no Estado apenas em 2019. Caso a cheia deste ano se confirme, será a quarta maior da história. A primeira continua sendo a de 2009, quando o nível do rio chegou a 29,77, que superou o recorde anterior de 29,69 metros, registrado em 1953.

Ao todo, R$ 8 milhões serão utilizados para ajudar as vítimas da enchente no Estado. A ajuda do Governo Federal será disponibilizada por meio do “Cartão Amazonas Solidário”, que prevê a doação de R$ 400 para as famílias.

A reportagem de A CRÍTICA tentou falar com o títular da Secretaria Municipal de Defesa Civil (Semdec), coronel Ary Renato, por meio do telefone 8127-93XX, mas não obteve sucesso.

Conforme o CPRM, os estudos feitos em cem anos demonstram que 76% das cheias no Amazonas ocorrem no mês de junho, 18% em março e apenas 6% em maio.

Os municípios do AM que enfrentam a situação mais grave são Anamã, Barreirinha, Caapiranga e Careiro da Várzea. Outras 20 cidades do Amazonas devem sofrer impacto extremo, em caráter parcial, segundo informações do Subcomandec. Ainda segundo o órgão, somente quando a Prefeitura de Manaus decretar estado de emergência é que o Governo do Estado poderá atuar nas áreas comprometidas. As medidas do Subcomandec preveem ajuda humanitária que vai desde distribuição de alimentos, até entrega de kits de higiene, limpeza, remédios e colchões.

28,96 m é a cota que o rio Negro registrou em Manaus, sendo que o nível de emergência é de 28,94 metros. A marca está apenas a 81 centímetros da maior cheia registrada ao longo de 110 anos no Amazonas, quando o rio chegou a 29,77 metros. O rio Negro sobe em média de 5 a 6 centímetros por dia. Ao todo, 27 municípios vivem em situação de emergência no Estado e 43. 332 famílias já foram afetadas pela enchente.