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Rivalidade entre presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) motivou rebelião

De acordo com o coronel Bernardo Encarnação, secretário executivo da Secretaria de Justiça do Amazonas (Sejus-AM), a rivalidade entre os presos deu início à manifestação. Conforme Encarnação, eles exigiam a transferência de outros detentos. Familiares de presidiários no local disseram que os presos também reivindicavam melhorias no espaço destinado às visitas 29/11/2012 às 18:04
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A polícia militar foi descolada para o Centro de Detenção Provisória de Manaus. Uma rebelião inicia na tarde deste sábado (17) tem pelo menos três reféns
Laynna Feitoza Manaus, AM

Presos do Centro de Detenção Provisória (CDP), em Manaus, situado no km 8 da BR-174, se rebelaram na tarde deste sábado (17), em torno das 13h50. O  motim, que terminou por volta das 16h, ocorreu devido à rivalidades entre detentos da unidade. Sete pessoas foram feitas reféns, entre elas um advogado, cinco agentes carcerários e um enfermeiro.

Ao fim, 27 presos foram transferidos para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Viaturas da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (ROCAM), da 26º Companhia Interativa Comunitária (Cicom), do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), do Depen/MJ, da Força Tática e do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) atuaram na contenção da rebelião. Não houve mortos ou feridos.

Familiares dos detentos que estavam na parte interior do CDP no início da rebelião afirmaram que uma das reivindicações dos presos também se referiam às más condições dos espaços destinados às visitas. Aproximadamente 200 pessoas estavam na unidade em visitação aos internos.

"Os banheiros estão sujos, a água é quente, ficamos expostos ao sol e à chuva com nossas crianças, não há possibilidade de visita íntima por conta da superlotação das celas. Eles não querem violência, querem o mínimo de condições", disse a esposa de um detento, que não quis ser identificada. Ainda segundo a esposa, os presos queimaram colchões, quebraram objetos e destruíram algumas câmeras de segurança da unidade.

A mãe de um detento, que também pediu para não ter a identidade revelada, afirmou que o motim iniciou na ala dos detentos que estavam sem visitação. Segundo ela, eles pegaram facas e queriam invadir o pátio reservado para visitas, pois estavam inconformados com o fato de não receberem tal benefício.

A dona de casa Maria da Conceição Gregório, 42, mãe de um detento de 19 anos, disse que houve um tiroteio por parte da polícia para conter a manifestação dos presos.

Transferência como exigência
O coronel Bernardo Encarnação, secretário executivo da Secretaria de Justiça do Amazonas (Sejus-AM), justificou porque a rivalidade entre os presos deu início à manifestação.

"Nós tivemos um princípio de rebelião. A exigência era a transferência de um grupo de presos e além disso nós tivemos a presença de visitantes, o que mais nos preocupou. São rivalidades que são trazidas lá de fora aqui pra dentro. Conseguimos resolver a situação de imediato, sempre com a preocupação de preservar a integridade física de todos", ressaltou o coronel.

Segundo o coronel, os detentos exigiam a transferência de outros presos. "Eles chegaram a adentrar a cozinha e retirar alguns mantimentos e também facas. Ao final, já no momento de trancar todos na cela, foram entregues esses estoques e facas. Houve uma negociação que implicava exatamente na liberação dos reféns, para que, em troca, fizéssemos a transferência”, certificou Encarnação.

Sobre o questionamento dos familiares em relação aos espaços destinados à visita, Encarnação explicou: "No final da semana passada conversamos sobre isso. O que falta é a adequação do local e a Secretaria de Justiça já providenciou essa adequação. A partir de segunda-feira (19), este local já estará sendo adequado às melhores condições de visita", salientou. Ao todo, o Centro de Detenção Provisória possui 856 presos.

Em relação aos presidiários que não recebem visitas, o coronel pontuou que isso corresponde a decisões familiares ou medidas corretivas. "Para não receber visita, ou é porque o familiar simplesmente opta por não visitar ou se for alguma sanção disciplinar. Não existe 'um grupo que não recebe visitas'. Isso só acontece se o familiar optar por não visitá-lo", justificou o secretário executivo.

O coronel também falou acerca das medidas a serem tomadas em relação ao princípio de motim. "A Sejus vai instaurar uma sindicância e, ao final, nós iremos avaliar a possibilidade de punição", finalizou Encarnação.