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Rodoviários estudam possibilidade de nova paralisação da categoria em Manaus

Após reunião entre MPT e junta governativa, rodoviários reúnem-se neste sábado (14), para definir novas diretrizes e até mesmo nova paralisação 14/04/2012 às 08:59
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Rodoviários denunciaram que foram impedidos de sair das garagens para trabalhar no dia da paralisação
MARIA DERZI E FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

A população de Manaus deve se manter alerta para uma possível nova paralisação da categoria dos rodoviários de Manaus que pode ser deflagrada ainda na próxima semana. Nessa sexta-feira (13), após a reunião entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e comissão de negociação - composta por trabalhadores não ligados ao sindicato, junta governativa do Sindicato dos Rodoviários do Amazonas e representantes do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Manaus (Sinetram) - os rodoviários prometeram reunir-se, ainda hoje, para decidir novas diretrizes a serem tomadas durante a próxima semana pela categoria.

O presidente da comissão de negociação, William Enoch, explicou que a reunião do MPT se restringiu a discutir a pauta de reivindicações da categoria. “Referente às reivindicações, muita coisa vai ser resolvida, porque o MPT vai estar à frente das negociações. Mas, ficou pendente a questão da nossa eleição do sindicato porque já não é mais da esfera dele, já compete ao Tribunal do Trabalho”, disse. Segundo William, a comissão de negociação, escolhida para representar os trabalhadores, vai entrar com uma ação pedindo o afastamento da junta governativa e o bloqueio das contas do sindicato. “Queremos a eleição. Ia ter uma no dia 16, que já foi anulada. Mas, vamos pedir que se faça outra, imediatamente, por conta da nossa data-base, que será em maio”, justificou.

A comissão vai notificar o presidente da junta governativa, Francisco Bezerra, para que seja realizada uma assembleia para se discutir o dissídio coletivo da categoria. “Se tiver greve de novo vai ser dentro dos trâmites legais. Vamos notificar todo mundo, informar a sociedade e daremos o prazo de 72h”, disse William. Mas, entre os trabalhadores, há pessoas que afirmam que a greve é iminente.

 “Existe a possibilidade de paralisarmos na segunda-feira, data que estava marcada a nossa eleição, que foi suspensa. Mas desta vez apenas com 50% da frota. O pessoal da junta governativa quer realizar essa eleição após a nossa data-base. Há um interesse muito grande por parte deles e dos empresários para adiar essa eleição para não conseguirmos a nossa data-base”, disse o rodoviário Luciano Fidélis.

Os rodoviários dizem não aceitar a continuidade da junta governativa com os atuais líderes. “Ele não quer eleição. Se ele quer o sindicato, que venha para o voto. Mas, ele tá aqui a fim de lucro, pegar o dinheiro do sindicato. Nós temos o direito de escolher quem queremos que nos represente. Qual o interesse dele em não realizar essa eleição? Seja quem for eleito, queremos nós escolhendo”, comentou o motorista José de Arimatéia Viana.

Reivindicações em pauta

Entre as reivindicações da categoria dos rodoviários destaca-se a regularização de direitos trabalhistas como INSS, FGTS, banco de horas, plano de saúde e denúncias sobre assédio moral. “Procuramos um diálogo entre as partes para garantir que não haja paralisação. Alertamos a comissão de negociação que qualquer paralisação sem a observância dos trâmites legais vai ser considerada má fé. Sobre a eleição, há uma decisão judicial em vigor e não há como o MPT questionar judicialmente. A única coisa que iremos postular é pedir vistas desse processo. Nós manifestaremos o interesse público sobre a estabilidade dessa situação e pediremos que a eleição ocorra”, disse o procurador chefe do MPT, Jeibson Justiniano.

Como ‘massa de manobra’

Rodoviários que alegam não pertencerem a nenhum dos dois grupos que mantém disputa interna no sindicato da categoria afirmam que foram usados como massa de manobra, pela ex-diretoria da entidade, para paralisar em 100% o transporte público na cidade, na última terça por interesses pessoais e políticos. Os rodoviários revelam que foram impedidos de sair das garagens para trabalhar por pessoas que se apresentaram como representantes do sindicato e que estavam sob o comando de Josildo Oliveira, afastado da entidade por liminar da Justiça.

“Não foi a categoria que pediu essa greve. Quem é responsável tem que dar uma satisfação à população. Por que os causadores da greve não são homens e assumem o que fizeram? Agora jogam a culpa para a categoria. Na hora que o bicho pegou para o lado deles jogaram a culpa para o trabalhador. Agora o prejuízo da greve vai ser descontado de todo mundo e quem vai pagar isso para o trabalhador?”, questiona o rodoviário Erivan Cabral, 40. As declarações foram feitas nessa sexta-feira, por motoristas, cobradores e administradores de linha da empresa Transtol (antiga Eucatur). A empresa tem 450 funcionários e atende a nove linhas da cidade. Eles se reuniram na garagem 2 (G2) da Transtol para anunciar que vão “expulsar qualquer um que queira fechar a garagem”, para uma possível nova greve na segunda.

A reportagem tentou contato com Josildo Oliveira, por meio do 9170-81XX, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.