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Cotidiano, Segurança Publica Comportamento, Prostituição, Travestis, Ronda nos Bairros

Ronda no Bairro pretende evitar atos obscenos de travestis, na Zona Centro-Sul de Manaus

Recém-implantado na Zona Centro-Sul, o programa irá fiscalizar a atuação de prostitutas e travestis, nos pontos de prostituição, para evitar excessos 28/07/2012 às 17:23
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Durante a noite, rotatória da Sefaz, é um dos pontos mais movimentados
Ana Paula Sena Manaus

Ponto contumaz de travestis e prostitutas em Manaus, a avenida André Aráujo, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, passará a ser fiscalizada pela polícia para evitar cenas de atentado ao pudor. A decisão foi tomada pelo secretário executivo do programa Ronda no Bairro, tenente-coronel Amadeu Soares, após o lançamento do programa na área e várias reclamações que receberam de moradores e comerciantes do local.

“A lei é muito clara: não iremos permitir que essas pessoas pratiquem atos obscenos, que agridem a sociedade em geral. E será válido não apenas para travestis ou prostitutas, e sim para todos que desobedecerem a Lei”, afirmou.

O secretário também afirmou que ninguém será retirado à força do local que se tornou um dos pontos de maior concentração de prostituição em Manaus. Esta semana, as associações e representantes da classe serão convocados para uma reunião, onde serão estabelecidos limites para que se possa fazer esse tipo de trabalho.

“Não queremos retirar ninguém à força, a nossa Lei não prevê crime para quem pratica esses tipos de serviços, mas prevê punição para quem pratica atos obscenos em via pública”, explicou Amadeu Soares.

Um dos coordenadores do programa Ronda no Bairro, o delegado Luciano Tavares disse que será feito um trabalho de conscientização e de prevenção. “Com esse trabalho, teremos mais controle. Temos o amparo legal para fazer isso e em breve a população verá esse resultado”, enfatizou.

Constrangimentos
A comerciante, Ana Maria Feitoza, 41, afirmou que já perdeu muitos clientes por causa do comportamento dos travestis que se prostituem no local. “Eu acho um absurdo passar na rua e ver todos praticamente nus e ainda chamando os motoristas, mesmo acompanhados. Se querem vender o corpo, então que façam de uma maneira discreta e sem agredir as famílias. Vários clientes me falaram que não voltam mais devido a essas cenas constrangedoras”, disse.

O advogado, Moises Rodrigues, 31, reclama que antes das 21h já é possivel ver os travestis sem roupas na rua e que sempre que passa pelo local, pede para os filhos deitarem no banco do carro. “Eles são muito abusados, não respeitam ninguém, principalmente as crianças que passeiam com as famílias e que não são obrigadas a ver episódios de imoralidade, que agride a todos. É preciso que realmente algo seja feito para acabar com essa pouca vergonha”, desabafou.

Ataques
Ataques com pedras, ovos, latas de cerveja, urina e até bombas de fabricação caseira. Assim é a rotina de travestis que todas as noites ocupam pontos da Avenida André Araújo e ruas adjacentes. A realidade é contada por elas. “A polícia tem que ir atrás de ladrão e não de nós que estamos vendendo o nosso próprio corpo. Nós vivemos com esse trabalho e constantemente somos alvos de vandalos e ninguém nos defende”, afirmou um travesti que se identificou apenas como Suzana.

‘Os clientes não reclamam’
Trabalhando há mais de 12 anos no ramo da prostituição, o travesti Fernando Oliveira, mais conhecido como “Jéssica” conta que chega a atender, durante os dias de semana, cinco pessoas por noite. Segundo ela, aos finais de semana, esse número triplica. “Nós não estamos aqui por acaso e comandamos essa área. Temos muitos clientes e eles não reclamam de estarmos sem roupa na rua”, afirmou.

Ao ser questionada sobre a fiscalização que a polícia fará relacionada a atos obscenos na avenida André Araújo, Jéssica afirmou que os travestis deverão se adaptar à situação para “continuar ganhando a vida do jeito que sabem”. “Se resolverem nos impedir de trabalhar assim, como nossos clientes gostam, não vai ter problema! Podemos vestir roupas e tenho certeza que ganharemos dinheiro do mesmo jeito”, concluiu.

Ação educativa
Um dos líderes da Associação das Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT), Alberto Jorge, afirmou que a classe é contra a atitude de travestis ou qualquer outra pessoa que pratique atos obscenos ou cenas de atentado ao pudor contra a sociedade em qualquer localidade.

“Não admitimos esse tipo de atitude e lutamos abertamente pelos direitos da sociedade, mas é preciso fazer um trabalho de conscientização com elas, que têm o direito de exercer a profissão, desde que de maneira que não agrida as outras pessoas”, relatou.

Alberto Jorge também se colocou à disposição da Polícia Militar para que seja realizado um trabalho em conjunto com a associação, a fim de conscientizar a categoria. “Temos o dever de respeitar os direitos dos outros, mas também é preciso entender que as travestis se comportam dessa maneira porque são muito agredidas pela sociedade”, explicou.