Publicidade
Manaus
Manaus

Rotina de ambulantes no centro de Manaus indica falta de ordem pública

Feirantes lavam peixe nas águas do rio e fecham a rua para o trânsito, mas nada acontece com eles. A rotina dos vendedores é sempre  tranqüila 31/07/2012 às 08:04
Show 1
Ação retira ambulantes ilegais do lado do Mercado Municipal
Elaíze Farias Manaus (AM)

Uma canoa cheia de peixes das mais diferentes espécies instalada no meio da rua é apenas um dos aspectos mais esdrúxulos encontrados na rua Tabelião Lessa, no Centro. Localizada ao lado do mercado Adolpho Lisboa, a rua tornou-se “feira livre” de vendedores ambulantes, que não se importam em lavar suas enfiadas de peixe ali mesmo, na água do rio Negro tomada de lixo, para colocá-las à venda.

A rotina dos vendedores é sempre  tranqüila. Os ambulantes, por exemplo, vendem sossegadamente  frutas, verduras, sacolas com  vinho de açaí, farinha, bebida alcoólica e outros tantos produtos regionais.

Como ocupam toda a rua, o tráfego de veículos é obstruído. Ontem, a reportagem viu um motorista circular, com dificuldade, pela rua Tabelião Lessa. Para isso contou com a “ajuda” de um dos ambulantes, que assumiu o papel de agente de trânsito, com apito e tudo.

A presença destes “feirantes” naquelas imediações do Centro é um incômodo eterno para os comerciantes, para o poder público (leia-se Prefeitura de Manaus) e até para o sindicato que representa a categoria. São considerados “invasores”, mas este quadro está há tanto tempo indefinido que ninguém sabe formular, com precisão, uma resposta para esta situação.

“A gente já tirou várias vezes, ofereceu outras áreas em feiras de bairros, mas eles retornam”, diz Francisco Nelson Neto, chefe de divisão e fiscalização da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab).

Os mais incomodados são os proprietários de comércios localizados nas ruas vizinhas, como Barão de São Domingos, dos Barés e Rocha dos Santos. Eles alegam que a presença destes ambulantes “atrapalha” o movimento de consumidores em seus estabelecimentos. Com o início da vazante do rio Negro, o fluxo de peixeiros e ambulantes teria aumentado, segundo eles.

“A quantidade de peixeiro está maior. E agora eles ficam no meio da rua, dificultando o trânsito. A prefeitura vem e faz uma limpeza. Algumas vezes são retirados, mas retornam no dia seguinte. É preciso uma fiscalização permanente. Além do mais tem o problema da saúde pública. Ninguém sabe a procedência desses produtos. E é uma área aonde vai muito turista. Imagine a imagem que ele leva de Manaus”, diz um dos comerciantes, que não quer ser identificado.

Outro comerciante afirma que “os governos fazem vista grossa” para o problema porque não querem se indispor. “A rua é suja, tem imundície, mau cheiro, falta de higiene. O tráfego é interrompido. Mas você acha que o pessoal vai enfrentar essas pessoas? Toda vez que existe uma operação, parece que eles já sabem e ficam tudo em casa. Todas as ruas daqui a áreas estão invadidas por essas pessoas”, conta.

Sempab faz blitz, mas não resolve

Francisco Nelson Neto diz que desde que assumiu o cargo de chefe de divisão e fiscalização da Sempab, há dois anos, realizou mais de 30 apreensões na área. Alternativas para os ambulantes trabalhar também já foram dadas, todas recusadas. “A cada quinzena a gente faz a retirada daqueles ambulantes. Mas eles retornam. A gente não tem poder para penalizá-los com multas ou por meio judicial. Mas a Sempab não tem se omitido”, disse ele.

Para Francisco, a solução para aquela situação ultrapassa uma ação apenas da Sempab. Exigiria também uma ação de outros órgãos, como o Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa.

O presidente do Sindicato dos Vendedores Ambulantes de Manaus, Raimundo Sena, qualifica os ambulantes da rua Tabelião Lessa como “invasores” que não aceitam as sugestões de trabalho em outros bairros.  “Eles estão ali desde 2008. Já fizemos propostas, sugerimos outras áreas, mas não quiseram”, disse Sena, acrescentando que  nesta semana “iria ter uma reunião” na Sempab para discutir o assunto.

Silêncio

Os vendedores ambulantes da rua Tabelião Lessa abordados por A CRÍTICA  se esquivaram de dar declarações. Uma vendedora de fruta, contudo, disse que “quando aparece o rapa (guarda municipal e polícia)” eles saem correndo. Ao ser indagado sobre o lixo acumulado no meio fio da rua, outro ambulante disse que “a prefeitura aparece todos os dias para retirá-lo”.