Publicidade
Manaus
Manaus

'Ruas do tráfico' estão em todas as Zonas de Manaus

Levantamento feito pelo Jornal A Crítica aponta que droga não está tão distante dos moradores quanto eles pensam 18/03/2012 às 18:26
Show 1
No Jorge Teixeira 1, aviso para "fumantes" está pichado no muro onde funciona "boca de fumo"
Maria Derzi Manaus

Em praticamente todos os bairros de Manaus, basta abrir a porta de casa para se deparar com o tráfico de drogas. Em várias comunidades, a comercialização de entorpecentes tem endereço certo e tende a aliciar quem mora nas proximidades das bocas de fumo: o filho da vizinha, o sobrinho da dona da padaria, o morador de rua, a prima da dona do bar. Todos os “vizinhos do tráfico” sabem onde a droga é comercializada e quem é o dono da “boca”.

Por estarem muito perto do tráfico e subjulgados pelo medo, os moradores optam pela omissão para se manter a salvo. E, quando a polícia se aproxima, poucos acreditam que o problema vai se resolver. “A polícia sabe bem, há muito tempo, onde são todas as bocas de fumo, mas não vemos ela fazer nada para acabar com os pontos de drogas de uma vez. Acaba com uma aqui e outra ali e, depois de dois meses, elas voltam a funcionar”, disse a comerciante Cremilda Silas Aguiar*, moradora da Zona Leste.

As ruas onde funcionam as  bocas de fumo são, diariamente, citadas pelos meios de comunicação, seja pela localidade onde se deu a apreensão de drogas, prisão de traficantes, ou mesmo por provocarem um cotidiano de medo nos moradores. Algumas são tão tradicionais que já chegam a ser folclóricas. A rua da Cachoeira, no bairro de São Jorge, Zona Oeste, é um exemplo disso. Há anos, há comercialização de drogas e a circulação de consumidores na área, acontece a qualquer hora do dia.   

“A rua da Cachoeira é tradicional, nunca deixou de ter tráfico lá. Mas, a questão das drogas no São Jorge se expandiu. Tem em quase todas as áreas do bairro mas, principalmente, na rua Humberto de Campos, em  frente à igreja. Quando a atual associação dos moradores assumiu, os traficantes ameaçaram a diretoria por estar afastando as crianças e adolescentes das drogas”, disse o morador do  bairro, Cláudio Gomes*.

Na mesma Zona, a rua Natal, no bairro da Compensa, é indicada pelos moradores como a principal área do tráfico. “O problema são as ruas que cortam e os becos. Nos becos, o tráfico impera. É perigoso até de chegar ali”, disse Carlos Albuquerque*, taxista da área.

Também na Zona Oeste, no bairro Santo Agostinho, é do beco Brasil que os traficantes “tocam o terror”, como informaram os moradores na edição de bairros, publicada na segunda-feira, 12, em A CRITICA.   

Na Zona Sul, o tráfico, praticamente, corre os bairros da Cachoeirinha, Raiz e  Betânia. Uma das situações mais grave ocorre na rua Borba, no trecho entre as avenidas Parintins e Codajás, onde se concentram vários hotéis de  passagem, constantemente utilizadas para o consumo. Os moradores reclamam que, durante a madrugada, é constante a presença de traficantes comercializando entorpecente no meio da rua.

Nas proximidades do Prosamim, no antigo “bodozal”, que se gue a rua Barão de São Domingos, a ação dos traficantes também é constante. Na rua Formosa, no Grande Vitória, Zona Leste, os moradores denunciam que  nem mesmo o Ronda no Bairro entra, por conta dos muros de pedras, colocados à noite, no meio da via, por traficantes. “Nem o carro do lixo entra. Os traficantes não deixam para parecer que é lixo na rua”, disse uma das moradoras.

*Todos os nomes utilizados na reportagem são fictícios por questões de segurança.