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Sabores da terra dominam o café dos manauenses

As bancas de café-da-manhã espalhadas por toda a cidade atraem, todos os dias, consumidores fiéis que trocam as refeições em família por lanches típicos da região 02/06/2012 às 21:18
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Farofa de jabá e banana frita estão nos cardápios das bancas de café
Florêncio Mesquita Manaus

A mesa farta, aliada à diversidade de cores, cheiros e sabores do popular café da manhã regional, tem se tornado, cada vez mais, o ponto de parada das pessoas que deixaram de fazer a primeira refeição do dia em casa para se deliciar nas bancas de cafés manauenses.

Não é preciso andar muito para encontrar uma banquinha de café regional. Elas estão em quase todos os bairros e, algumas, oferecem mais de 20 itens da culinária amazonenses, além de alimentos típicos de outros Estados.

O café é completo e reforçado. E, apesar de o preço ter o tempero salgado, com o prato mais barato custando R$ 5, o consumidor  não dispensa as combinações de sabores que caíram no gosto popular, como o famoso “x-caboquinho”, que agora tem como concorrente direto o “pão completo”, que leva pão francês, queijo, ovo, tucumã, banana, manteiga e filé de carne bovina. O concorrente do x-caboquinho, e que passa a disputar a  preferência do manauara, custa R$5.

As bancas de  café regional oferecem desde cará roxo e tapioca até mingau de vários sabores, além de milho cozido, farofa de carne, banana frita, cuscuz, pupunha, pé de moleque, pamonha, entre outros produtos.

Bom começo

Para o motorista Alberto Coelho, 53, o café regional é a melhor e mais saborosa maneira de começar o dia. Ele come diariamente em um café regional e conta que, apesar de ter esposa e filhos, não faz a refeição em casa por conta do tempo. “Com a correria do trabalho, não dá para comer em casa. Começo a dirigir às 4h sem comer nada e só paro às 8h, na banca de café regional. Depois, recomeço o trabalho”, disse.

O argumento de Alberto está entre os três mais citados pelas pessoas que responderam a A CRÍTICA por que escolhem o café regional nas bancas espalhadas pelas ruas de Manaus. Os outros dois motivos apontados para não tomar café-da-manhã em casa foram: morar sozinho e não ter como cozinhar.

Lucro certo

No Café das Meninas, que fica na avenida Itaúba, no Jorge Teixeira, Zona Leste, os clientes têm pressa e não dispensam nenhuma opção do cardápio. Atrás da banca, Yure Brenda Silva, 33, não pára. Até conversar com ela é difícil. Enquanto fala, Yure corta o queijo, frita a banana e monta vários sanduíches.

De 5h às 12h, o movimento na banca é intenso. Dezenas de pessoas vêm e vão, em um fluxo que parece interminável. Bom para a renda. Somente numa manhã, Yure chega a vender quase 200 sanduíches com preços que vão de R$3,50 a R$5.

O gerente de loja Gerlane da Silva conta que chega a gastar R$ 150 por mês só com o café da manhã regional. “Tomo meu café todos os dias na banca de café na frente da minha casa. É uma delícia”, disse.

 Frutas típicas da Amazônia no cardápio

As frutas regionais compõem os sucos mais pedidos pelos manauenses nas bancas de café da manhã. Cupuaçu, taperebá, açaí, entre outras frutas, são combinadas com sanduíches que “dão energia e disposição para os clientes”.  É o que conta a proprietária do Café da Marilza, localizado na avenida Noel Nutels, na Cidade Nova, Marilza Silva Lima, 27.

Ela trabalha há 15 aos no mesmo ponto e, nesse período, conquistou clientes fiéis que aparecem no local todos os dias. “Tenho clientes que vão de médicos, engenheiros  a várias outras profissões. Eles frequentam a banca há muitos anos e, de clientes, já se tornaram amigos”, disse. 

Marilza vende 300 pães por dia em um período de seis horas e, apesar de não saber como mensurar quantos clientes passam pela banca todos os dias, diz que a atividade é trabalhosa. “Temos que levantar às 3h e às 5h já estamos atendendo”, disse.

O movimento na banca da Marilza não para. A cada minuto, são inúmeros pedidos e clientes que querem  sair satisfeitos. “É difícil, mas conseguimos agradar todo mundo. O segredo está na qualidade do atendimento, do produto e no sabor”, frisou.