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Santa Marta: Cenário de miséria permanece em bairro

A Semasdh continua repassando um auxílio-moradia para as famílias que ainda não foram instaladas nos conjuntos do projeto “Viver Melhor”. Localidade ficou marcada por desmoronamento e desabafo de Amazonino Mendes 23/02/2013 às 10:46
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Famílias vítimas da tragédia foram transferidas para o projeto Viver Melhor
acritica.com ---

Passados dois anos o cenário é praticamente o mesmo na Comunidade Santa Marta, na Zona Norte, onde um deslizamento de terra matou três pessoas da mesma família, na noite de 20 de fevereiro de 2011. Foram retiradas todas as mais de 30 casas que ficavam às margens do igarapé que atravessa a região, mas a encosta continua sendo uma ameaça a cada chuva forte do período invernoso. Agora, quem convive com o perigo são os moradores das casas que ficam no alto da encosta.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) continua repassando um auxílio-moradia no valor de R$ 300 para as famílias que ainda não foram instaladas nos conjuntos do projeto “Viver Melhor”.

Os que optaram por alugar ocupações nas proximidades do local atingido pelo desmoronamento estão pagando caro o preço do abandono.

O trecho da rua Abiurana que dá acesso ao local da tragédia está praticamente intransitável. Tomada pelo mato, os moradores são obrigados a se locomoverem por caminhos cheios de lama. A água das chuvas desce como um igarapé, carreando lixo e dejetos, a céu aberto, vindo de esgotos do trecho mais elevado da rua. A tubulação de água das casas já está na superfície do solo, exposta a todo risco de contaminação.

Para a doméstica Valda dos Santos, 26, nunca o estado de abandono da rua foi tão preocupante como neste sábado, afinal, é a data do seu aniversário e o dia em que estará realizando o sonho de oficializar o casamento com seu companheiro após seis anos de convivência.

“Amanhã (hoje) é o dia mais importante da minha vida. Estou orando para que não chova senão eu não vou conseguir descer até aqui na minha casa e nem receber os convidados. A gente nunca esquece daquela noite triste, mas parece que as autoridades esqueceram da nossa rua. Queremos pelo menos uma tubulação de água, porque cada um puxou a sua lá da rua principal. Todo dia a gente tem que ferver a água”, lamenta a noiva.

A doméstica Elenildes Silva Lopes, 25, viveu o drama de dois anos atrás. “Minha casa ficou com as paredes todas rachadas. A terra que deslizou passou bem ao lado. Foi um desespero muito grande”, lembra Elenildes.

Na época, elas o resto da família mudaram para uma quitinete e hoje estão numa casa alugada também na rua Abiurana.

De acordo com moradores, com a retirada das casas, o local se tornou perigoso. Há um mês uma garota teria sido estuprada por desconhecidos.