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Secretaria de cultura do AM quer tombamento de praça no Centro de Manaus

A medida está sendo motivada pela preocupação em conservar o espaço que há um mês vem sofrendo danos devido à aglomeração de usuários do sistema de transporte coletivo de Manaus 04/07/2012 às 06:57
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Robério Braga diz que situação da praça Heliodoro Balbi vai piorar e, por isso, proporá que ela seja devolvida a prefeitura
CAROLINA SILVA Manaus

O secretário de Estado da Cultura, Robério Braga, promete pedir ao governador Omar Aziz o tombamento da praça Heliodoro Balbi (praça da Polícia), no Centro, como patrimônio histórico estadual. A medida está sendo motivada pela preocupação em conservar o espaço que há um mês vem sofrendo danos devido à aglomeração de usuários do sistema de transporte coletivo de Manaus.

Há um mês a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) proibiu a circulação de ônibus convencionais e micro-ônibus do sistema executivo no terminal da Matriz que ficou parcialmente alagado por conta da subida das águas das galerias inglesas durante a cheia do rio Negro. O local passou a funcionar, até então, provisoriamente na avenida 7 de Setembro, na extensão da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição (igreja Matriz) até à praça Heliodoro Balbi.

Mas, ainda no mês passado, o terminal da Matriz foi desativado definitivamente como parte do projeto da Prefeitura de Manaus para revitalizar o Centro e a SMTU ainda não tem um prazo definido para implantar a nova distribuição das rotas dos ônibus para que a praça da Polícia deixe de ser usada como ponto de parada.

Enquanto isso, além de usuários, o secretário Robério Braga também ainda se mostra desfavorável à mudança. “Não podemos impedir que a prefeitura utilize o espaço porque é público. Mas, esse tipo de uso está degradando o espaço”, disse o secretário.

Robério Braga informou que nesta quarta-feira (4) irá se reunir com o governador Omar Aziz e um dos assuntos a serem tratados é o uso da praça como terminal de ônibus. “Iremos avaliar a situação do espaço e posso até mesmo pedir o tombamento da praça como patrimônio histórico estadual”, disse.

Em entrevista para A CRÍTICA, no dia em que o projeto de revitalização do Centro foi anunciado pelo Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), o secretário Robério Braga criticou a postura da prefeitura em improvisar um terminal na área da praça Heliodoro Balbi sem que a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), responsável pela administração do espaço, fosse procurada para aprovar a situação.

“Não fui consultado e nem concordo. Não temos condições de manter um dos poucos lugares públicos limpos e seguros com um terminal funcionando ali. Me prometeram que não iam colocar paradas ali, colocaram e hoje a situação piorou”.

Usuários do sistema de transporte coletivo ouvidos por A CRÍTICA também reconhecem que a praça não é o local mais apropriado para ser usado como um terminal.

“Todos os dias passo aqui e vejo o descuido das pessoas com o patrimônio público. Pisam na grama e nem sempre jogam o lixo na lixeira”, disse a recepcionista Suelen Medeiros, 26.

Órgão municipal ainda estuda caso
A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que a redistribuição das 129 linhas de ônibus convencionais, articulados e biarticulados está sendo submetida à análise pela comissão responsável pelo projeto de revitalização do Centro.

De acordo com a SMTU, as mudanças ainda não têm prazo definido para ser implantadas.

O órgão havia investido R$ 4 mil em cada abrigo reformado no terminal da Matriz.

Segundo a SMTU, todos os abrigos do extinto terminal serão reutilizados  em outros locais.

Cerca de 140 mil usuários de ônibus circulam pelo Centro diariamente.

Histórico do problema
02/06 -  A SMTU proibiu a circulação dos ônibus pelo terminal da Matriz e um terminal improvisado passou a funcionar na avenida 7 de Setembro.

20/06 - O Implurb anunciou o projeto de revitalização do Centro de Manaus com um prazo de até 150 dias para ser concluída a implantação.

21/06 -  O terminal da Matriz foi extinto.

21/06 -  O secretário de Estado da  Cultura, Robério Braga, disse que não foi consultado pela prefeitura sobre o uso da praça Heliodoro Balbi como ponto de parada de ônibus.

O camelódromo da discórdia
No projeto de revitalização do Centro também está previsto a construção de um camelódromo na rua Theodoreto Souto, na praça Tenreiro Aranha, mas o projeto da obra, ao qual o Sindicato e a Associação dos Camelôs já tiveram acesso, corre o risco de não ser executado.

É que de acordo com o edital de tombamento do Centro Histórico de Manaus aprovado em janeiro deste ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o perímetro tombado inclui a rua Theodoreto Souto e cita explicitamente a praça Tenreiro Aranha.

Mesmo assim, a presidente da Associação dos Artesãos do Amazonas, Marileide Araújo, disse que os trabalhadores ainda temem pela transferência da praça do artesanato para o espaço onde funcionava o terminal da Matriz. “Até hoje ninguém nos procurou para nos comunicar oficialmente que seremos transferidos e assim podermos expor nosso posicionamento sobre essa mudança. Amanhã (hoje) vou entrar em contato com a Manaustur para buscar uma solução”, disse.

O presidente da Associação dos Camelôs do Amazonas, Givanildo Marques, disse que não sabe como será possível retirar os mais de 2 mil camelôs das calçadas do Centro se o Iphan não aprovar o projeto do camelódromo na rua Theodoreto Souto. “Teremos que propor outros locais, mas é complicado por causa dos impasses do Iphan”, ressaltou.

De acordo com o Givanildo, o novo camelódromo terá três andares e irá abrigar 1.448 camelôs e um outro local será avaliado para transferir os outros 686 camelôs.

Iphan desconhece projeto do Implurb
De acordo com o superintendente regional do Iphan, Sérgio Ivan Gil Braga, o projeto da obra do novo camelódromo ainda não foi encaminhado pelo Instituto Municipal Planejamento Urbano (Implurb) para a análise técnica da instituição.