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Túmulos em cemitério São João Batista são constantemente saqueados por vândalos

Familiares de pessoas enterradas no São João Batista e trabalhadores denunciam a ação de vândalos e ladrões 08/05/2016 às 22:30 - Atualizado em 09/05/2016 às 07:43
Silane Souza Manaus (AM)

Sepulturas de um dos cemitérios mais antigos e tradicionais de Manaus, o São João Batista, na avenida Boulevard Álvaro Maia, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, estão sendo alvo de uma onda de furtos. A denúncia é de familiares que tiveram o jazigo da família violado. De acordo com eles, os saques de placas, crucifixos e cruz de cobre, bronze, mármore e granito são feitos por vândalos que costumam frequentar as dependências do cemitério para consumir drogas e a administração do local, quando procurada, informa que não pode fazer nada.

“Em qualquer lugar do mundo, como por exemplo, em Paris e na França, os cemitérios servem de atração turística pelas obras arquitetônicas que são encontradas nesses locais, mas os nossos estão sendo paraíso de galerosos. Eles estão levando tudo o que podem”, relatou uma senhora que não quis se identificar. Conforme ela, a placa de homenagem e um crucifixo, ambos de bronze, foram furtados do jazigo da família e ainda ficou um enorme buraco na pedra de granito onde ficava a placa. Os familiares tiveram que gastar quase R$ 1 mil para fazer a recuperação.

Ela afirmou que a preocupação não é com o dinheiro gasto, mas sim com o abandono e vandalismo no cemitério, uma vez que a própria administração do local disse que não poderia fazer nada. “Eu fui falar com a administradora do cemitério para reclamar e ela falou que o fato é corriqueiro e que não podem fazer nada a respeito e que só tem dois vigias. Fiquei muito preocupada quando ouvi essa afirmação, pois é um patrimônio que vai se perdendo. Me corta o coração vê a igreja abandonada, o prédio da administração acabado e mato e lixo por todos os lados”, desabafou.

Quem também ficou revoltada ao encontrar a sepultura dos pais sem a placa de cobre com as informações da mãe e do pai e a foto deles num quadro de porcelana foi à comerciante Maria de Jesus Henriques, 60. Ela disse que procurou a administração do cemitério São João Batista, mas também foi informada que nada poderia ser feito. “Nós somos reféns do pessoal que trabalha aqui, pois temos que pagar para eles tomar de conta das sepulturas e ainda deixam que os jazigos sejam furtados. Ninguém tem o mínimo de respeito”, apontou.

A funcionária pública Solange Silva, 64, foi outra que teve o jazigo, que guarda os restos mortais de familiares, saqueado. Uma imagem de Jesus Cristo em bronze foi levada pelos vândalos. Apenas a cruz do crucifixo, que não era de bronze, ficou. Ela disse que não irá repor outra imagem. “Não vamos mais colocar outra imagem porque não adianta: vão levar de novo. E olha que nós pagamos mensalmente R$ 50 para um rapaz cuidar da sepultura, que fica próxima a pista. Mas aqui são muitos os relatos de furtos, até as cruzes de mármore eles quebram e levam”, destacou.

Responsável pela manutenção e organização dos cemitérios públicos em Manaus, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que os cemitérios possuem horário de funcionamento, com hora para fechar, inclusive. Há fiscais, funcionários e administração. A polícia também faz rondas frequentes nos locais. Quando incidentes assim acontecem, os usuários devem fazer um Boletim de Ocorrência. E as pessoas não devem confundir os funcionários do cemitério com eventuais oportunistas que estejam pelo local.

Números

125 Anos fez o cemitério São João Batista esse ano. Ele foi inaugurado no dia 5 de abril de 1891. Entre as personalidades enterradas no local está Etelvina D’Alencar, popularmente conhecida como Santa Etelvina, o ex-senador Jefferson Péres e o ex-governador Gilberto Mestrinho.

Dia das Mães

Quem foi ontem, Dia das Mães, ao cemitério São João Batista, reclamou muito da falta de capinação. Há lugares que o mato toma conta dos jazigos. Para os filhos, que foram prestar homenagens às mães, é muito descaso por parte do poder público. “Está tudo cerrado. Se a pessoa não pagar para capinar ao redor da sepultura os garis, que são pagos para isso, não fazem”, disse o industriário Chafic Ahmad Baydoun Filho, 37.

O também industriário José Corrêa, 46,  não gostou do que viu. O entorno do jazigo de sua família estava só mato. “Se a família não cuidar o mato toma conta do local porque as pessoas que são pagas pela prefeitura para fazer esse serviço não fazem. E essas mesmas pessoas ainda cobram para limpar. Se oferecem para fazer a limpeza que deveria ser feita de graça, pois pagamos nosso imposto”, frisou.

A Semulsp informou que equipes de limpeza da Prefeitura de Manaus intensificaram, nesta semana que passou os trabalhos de limpeza nos cemitérios. E que uma força-tarefa da pasta trabalhou, nos últimos 45 dias, para deixar todos os cemitérios preparados para visitação no Dia das Mães, onde mais de 50  mil pessoas eram esperadas nos seis cemitérios urbanos até o domingo.