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Manaus
GREVE

Professores da rede estadual de ensino do Amazonas deflagram greve geral

Ato organizado pela Asprom-Sindical interditou a av. Brasil, em frente à sede do Governo do Estado. Sinteam ainda planeja assembleia para hoje 22/03/2018 às 09:23 - Atualizado em 22/03/2018 às 10:33
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Foi deflagrada por volta das 8h50 desta quinta-feira (22), em Manaus, uma greve geral com cerca de 6 mil professores da rede estadual de ensino do Amazonas. A deflagração ocorreu durante um protesto em frente à sede do Governo do Estado, que interditou a avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste.

Até as 8h50 de hoje, segundo os organizadores do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical), cerca de 6 mil profissionais da Educação estavam no local. O Sindicato dos Trabalhadores de Educação do Amazonas (Sinteam), entidade que representa legalmente a categoria no Estado, ainda planeja uma assembleia para hoje.


Foto: Winnetou Almeida

Durante o ato, a diretora geral do Asprom, Helma Sampaio, falou da necessidade de deflagrar a greve. "Estamos instaurando a greve dos professores neste dia histórico, por tempo indeterminado. Algumas pessoas falaram que não somos unidos, mas hoje estamos mostrando o contrário. Quero deixar claro que não estamos felizes em instaurar esta greve, mas estamos batalhando pela educação do Estado", disse a representante da Asprom.

Helma também destacou que a categoria tentou conversar com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o Governo do Estado para que a greve não fosse instaurada, mas sem sucesso. "Buscamos o diálogo, mas não fomos atendidos. Eles insistem em conversar com o Sinteam, mas este sindicato não vai evitar a greve", explicou.

Conforme o Asprom, professores de Manaus devem aderir o movimento em 100%. A paralisação deve atingir também 40 municípios do Amazonas.


Foto: Winnetou Almeida

O professor de Geografia Mackson Azevedo, que atua na Escola Estadual Sebastião Augusto, localizada na Zona Norte de Manaus, afirmou que a categoria não está conseguindo sobreviver com o salário oferecido pelo Governo do Estado. “Só volto para a sala de aula quando o governo atender às nossas reivindicações. Este é um momento histórico porque a classe trabalhadora da educação veio para as ruas. Não estamos mais conseguindo sobreviver com esses salários. Ficamos aguentando durante todos esses anos, mas agora é o estopim”, disse o professor.

A pedagoga Solange Vanderlei, que leciona na Escola Reinaldo Tompson, na Zona Leste, comentou que os profissionais de educação do Amazonas precisam ser valorizados. “Hoje uma mãe me questionou sobre o meu amor pela educação. Falei para ela que tinha amor pelo que faço, por isso que estou manifestando na rua. Estamos cansados, queremos ser valorizados. Hoje precisamos trabalhar em três empregos para receber um salário digno”, afirmou.

O professor de Língua Portuguesa Jair Brandão, que atua na Escola Presidente Costa Silva, do município de Anori, também compareceu ao ato. Ele destacou que as escolas do interior do Amazonas estão totalmente paradas. “Paralisamos as atividades nas escolas de Anori. Alguns professores vieram representar a categoria, mas outros ficaram. Estamos lutando pelo nosso reajuste, porque trabalhar com esse valor é totalmente desestimulante”, completou.


Foto: Winnetou Almeida

Reivindicações

Desde a semana passada, os professores da rede estadual de ensino do Amazonas fazem paralisações e atos de protesto em escolas de Manaus e do interior do Estado. Eles exigem reajuste salarial de 30% e mais 5% real de salário, totalizando um índice de 35%. Além disso, a categoria busca manutenção do plano de saúde, que foi cortado para parte deles, e vale alimentação.

No início da semana, o Governo do Amazonas propôs pagar a data base da categoria de 2017 no percentual de 4,57%, o que foi rechaçado pelos professores. Também foi oferecido aumento em R$ 200 do vale-alimentação dos docentes em sala de aula, totalizando R$ 420; promoções verticais de 3.516 professores que concluíram títulos de graduação; extinção da taxa de 6% do vale-transporte; e auxílio localidade de R$ 30 para R$ 200, e até R$ 1 mil dependendo da distância em casos de professores que trabalham.

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