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Sem camelódromo, ambulantes vão continuar nas calçadas do Centro de Manaus

Reabertura do terminal inviabiliza a transferência de artesãos que trabalham na praça Tenreiro Aranha. Camelôs, contudo, gostaram de voltar aos velhos pontos 02/08/2012 às 08:45
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Projeto de construção de um shopping popular na praça Tenreiro Aranha fracassa com a reativação do terminal central
CAROLINA SILVA Manaus (AM)

Com a reativação do terminal da Matriz, o projeto de construção de um camelódromo na praça Tenreiro Aranha, Centro, será abandonado pela prefeitura. O presidente do Sindicato dos Camelôs, Raimundo Sena, afirmou nesta quarta-feira (1/8) que, para este ano, a retirada desses comerciantes das calçadas da área central da cidade não tem mais solução.

No último dia 20 de junho, o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Manoel Ribeiro, anunciou um projeto de revitalização da prefeitura para o Centro de Manaus que previa a construção de um shopping popular, de dois andares, para abrigar 1.448 camelôs, do total de 2.134. Para que o projeto fosse executado, a prefeitura pretendia transferir cerca de 40 artesãos da feira de artesanato da praça Tenreiro Aranha para o terminal desativado e iria construir boxes para abrigá-los.

O Implurb informou, em nota, que “a Prefeitura de Manaus lamenta que, mais uma vez, a tentativa do poder público de retirar os vendedores ambulantes das vias do Centro e da construção de um local apropriado para abrigá-los tenha sido frustrada”.

O projeto de construção de um camelódromo na rua Theodoreto Souto foi marcada por impasses entre a prefeitura e a superintendência do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas por conta do tombamento do Centro Histórico de Manaus.

No dia 4 de julho, o diretor-presidente do Implurb, Manoel Ribeiro, apresentou à Superintendência do Iphan  o projeto de ‘viabilização de circulação dos veículos’ que incluía a construção do shopping popular. De acordo com o Iphan, o projeto ainda está passando por uma análise técnica. Quando o projeto foi entregue, o órgão apontou um prazo de 45 dias para que essa análise fosse concluída.

A execução do projeto do Implurb ficou ainda mais complicada após a decisão de reabrir o terminal central, para onde deveriam ser transferidos os artesãos.

Mesmo sem a previsão de conseguir um  espaço mais adequado, muitos camelôs aprovaram a reativação do terminal da Matriz, principalmente, os que trabalhavam no local e precisaram sair depois que ele foi desativado. “Eu trabalhava aqui no terminal antes de ser fechado. Depois me colocaram lá para rua Marquês de Santa Cruz e minhas vendas caíram muito. Meus fregueses são os usuários de ônibus. Por isso, achei ótimo poder voltar a trabalhar aqui. Mas é lamentável a situação em que as pessoas estão, embaixo desse sol”, disse a vendedora Rosilene Ramos, 40.

Pontos

Com a volta dos usuários do transporte coletivo para o terminal da Matriz, os camelôs da Avenida 7 de Setembro que tinham sido transferidos para outras ruas do Centro, retornaram ontem para os pontos onde trabalhavam antes da implantação do terminal improvisado. Porém, lamentaram a queda nas vendas que deve ocorrer com a mudança.

 

18 de junho - Camelôs vão à Câmara Municipal reivindicar o  camelódromo.

20 de junho - O Implurb anunciou a construção na praça Tenreiro Aranha.

4 de julho - Foi apresentado ao  Iphan  o projeto do Implurb que previa a construção do camelódromo no Centro.

31 de julho - A prefeitura decidiu abandonar o projeto camelódromo na praça Tenreiro Aranha que iria abrigar 1.448 camelôs, do total de 2.134 que trabalham atualmente.