Publicidade
Manaus
Manaus

Semelhança entre sintomas confundem diagnostico de leptospirose em Manaus

Infectologista da Fundação de Medicina Tropical alerta para semelhanças com outras doenças, como virose e dengue 16/05/2012 às 07:43
Show 1
Na Vila do Puraquequara, como em outros bairros de Manaus, moradores têm contato com a água poluída dos rios, que invadem ruas e casas, atraindo ratos
Milton de Oliveira ---

Alguns sintomas da leptospirose, doença transmitida principalmente pela urina dos ratos, podem ser confundidos com os de outras doenças, como a virose, dengue e malária. Corpo debilitado, febre alta, dor de cabeça e dores musculares são alguns desses sintomas, que podem enganar muita gente. O alerta é da infectologista da Fundação de Medicina Tropical (FMT) Graça Alecrim. De acordo com ela, a FMT registrou, de janeiro a abril deste ano, 15 casos da doença em Manaus. E durante o período chuvoso, o número de casos aumenta, por causa das enchentes e inundações, informou a infectologista.

Alecrim alerta que, no entanto, o início da vazante não deve ser motivo para despreocupação, já que o risco de contaminação também existe quando o nível do rio começa a baixar. “Quando passar esse fenômeno das cheias, as pessoas limpam os quintais e podem entrar em contato com a leptospira (microorganismo parasita). E a contaminação se dá pela pele, por meio de pequenos cortes”, ressaltou. Ela explicou também que nem todos os ratos estão contaminados, mas como os roedores são os principais transmissores da doença, o cuidado deve ser redobrado.

Casos graves
 A especialista explicou também que apenas 10% dos casos são considerados graves. “Nesse momento existe um ambiente propício à doença, devido à enchente na cidade. Por isso as crianças não devem brincar no quintal inundado ou nadar nos igarapés, pois correm o risco de contrair a leptospirose”, adverte. Apesar dos registros da doença terem crescido nos meses de cheia nos anos de 2010 e 2011, Alecrim explica que uma cheia recorde não implica em número recorde de casos. “No ano passado, foram registrados 26 casos, ou seja, mais do que agora, quando a cheia alcança números recordes. Na verdade, a contaminação pode acontecer também, por falta de higiene na própria casa, onde possam acumular lixos e há presença de roedores próximos.” A bactéria da leptospirose já foi encontrada em porcos, gado, cavalos, cães, roedores e animais selvagens.

Tratamento
O tratamento requer internação hospitalar e inclui cuidados com a hidratação, uso de antibióticos, entre eles a penicilina, e de medicamentos para aliviar os sintomas. A especialista recomenda embalar bem o lixo, ferver a água ou colocar algumas gotas de hipoclorito de sódio ou água sanitária na água a ser consumida, lavar bem os alimentos e as vasilhas e vacinar os animais de estimação.