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Semulsp retira 80 toneladas de lixo de igarapés em Manaus

Desde que começou a operação SOS Enchente, em quatro dias, quantidade de lixo é suficiente para encher piscina olímpica 12/05/2012 às 08:36
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Igarapé do São Raimundo com acúmulo de lixo, mesmo depois de limpeza realizada pela prefeitura; atuação de garis deverá se estender por 60 dias
Carolina Silva ---

Um total de 80 toneladas de lixo foram recolhidas dos igarapés que circundam os bairros Presidente Vargas, Glória, São Raimundo e parte da Compensa somente em quatro dias da ação emergencial S.O.S. Enchente iniciada pela Prefeitura de Manaus na terça-feira. A quantidade de lixo seria suficiente para encher a piscina da Vila Olímpica de Manaus. O programa de ação emergencial terá duração de 60 dias e, até lá, a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) pode chegar a retirar até 1,2 mil toneladas de lixo das áreas alagadas. Esse volume é quase metade da coleta domiciliar diária em Manaus que, segundo a Semulsp, é de 3 mil toneladas.

Embora num período de dois meses, o volume de lixo retirado dos igarapés de Manaus seja inferior ao de resíduos recolhidos pelos carros coletores da prefeitura pelas vias da cidade, um fato causa enorme procupação: a falta sensibilização da população para manter o meio ambiente limpo. Para o subsecretário da Semulsp, Túlio Kniphoff, com a ação emergencial, grande parte da população “deixa de se sentir na obrigação de contribuir para a limpeza dos igarapés”. Em média, 20 toneladas de lixo estão sendo retiradas diariamente dessas áreas afetadas pela cheia dos rios. “É a gente limpando aqui e a população jogando lixo em seguida”, comentou Luiz Alberto de Oliveira enquanto acompanhava o trabalho de 40 garis no Igarapé do Franco, na Compensa, Zona Oeste da cidade. A grande quantidade de lixo nos igarapés tem contribuído para piorar a situação das áreas alagadas. Porém, garrafas pet e outros tipos de embalagens plásticas continuam sendo jogados pela população afetada.

De acordo com a Semulsp, a sujeira deve continuar com a subida das águas. Ontem, o rio Negro subiu 3 centímetros e atingiu a cota de 29,64 metros. “Nessas áreas, principalmente de palafitas, os caminhões coletores não tem acesso e a gente coloca nas calçadas, mas as chuvas acabam arrastando o lixo para os igarapés”, justificou o pedreiro Emiliano Santos, 41. O comandante do Batalhão de Policiamento Ambiental, major Diniz, afirma que a população tem conscientização de que o lixo nos igarapés é prejudicial, e ainda falta se sensibilizar para evitar esse tipo de crime contra o meio ambiente. “Essas pessoas são conscientes do que fazem, mas insistem em jogar os mais variados tipos de materiais. Já chegamos a encontrar até cofre”, ressaltou. A autônoma Juliete de Almeida, 35, também reclama dos vizinhos que jogam lixo nas margens do Igarapé do 40 e reforça que a falta de punição contribui para esse tipo de conduta. “Não adianta eu fazer minha parte e levar o meu lixo para a lixeira mais próxima, se o vizinho pega a sujeira dele e joga no igarapé. Falta fiscalização e punição pra quem pratica isso”, critica. Segundo o major Diniz, penas alternativas como o pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços podem ser aplicados para quem é flagrado poluindo igarapés.

Educação para moradores

De acordo com o major Diniz, o Batalhão de Policiamento Ambiental pretende implantar um projeto de educação ambiental junto aos moradores das áreas de igarapés que são afetadas pelo período de cheia dos rios. Um projeto semelhante foi realizado com alunos da escola estadual Senador Flávio Costa da Silva, no bairro Compensa. Ao todo, foram recolhidos 48 mil toneladas de garrafas pet que serão destinadas a uma fábrica de reciclagem. “A gente pode prevenir a ocorrência do crime. E as crianças são fundamentais porque elas se tornam fiscais do meio onde vivem”, salienta o comandante do BPA. O projeto “Vitória Régia” tem como objetivo conscientizar e sensibilizar sobre os cuidados que se deve ter com o meio ambiente. “Esse trabalho de conscientização é importante para a comunidade que está próxima de uma área de igarapé”, destacou gestora Edna Almeida.