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Manaus
DESCONFIANÇA

Sensação de insegurança aumenta no mesmo ritmo que assaltos a pedestres em Manaus

O secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP), Sérgio Fontes, disse que os assaltos incomodam muito nas ruas e nas paradas de ônibus 17/04/2017 às 05:00
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De acordo com dados da Delegacia Geral, no ano passado foram feitas 8.853 prisões (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Medo de sair de casa, de ir à padaria ou ao mercado, de esperar pelo ônibus nas paradas, desconfiança de qualquer pessoa que se aproxima e o abandono de velhos hábitos, como sentar e ler um livro na praça, conversar com vizinhos na calçada e até mesmo as caminhadas, estão ficando a cada dia mais comuns entre a população de Manaus.

As medidas são adotadas por quem diz se sentir “inseguro” nas ruas da capital e, em alguns casos, até mesmo dentro de casa. Nas ruas, o medo é dos furtos e assaltos à mão armada, que parecem viver um crescimento na cidade. Os crimes acontecem em todas as zonas da cidade, a qualquer hora do dia. Diante de qualquer reação, eles não hesitam em ferir a vítima como forma de intimidação. E, assim, espalham o medo e o terror.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, esse tipo de crime “tira o sossego da população e gera medo nas pessoas”. Segundo ele, diariamente a polícia registra dezenas de ocorrências de assaltos a pedestres, principalmente nas proximidades de escolas, paradas de ônibus e dentro dos coletivos.

Quem já foi vítima toma mais cuidado para evitar assaltos. Há até quem tenha deixado de levar o celular quando sai de casa. Vanessa Nascimento, 34, foi assaltada na parada de ônibus, em plena avenida André Araújo, Aleixo, Zona Centro-Sul, na ida para o trabalho. Era por volta de 19h quando os dois assaltantes se aproximaram e puxaram a bolsa dela, que mesmo sem reagir achou que seria baleada.

“Achei que ia morrer naquele momento. Um mandou o outro atirar em mim, mas eles foram embora e eu fiquei sem saber o que fazer de tanto medo”, contou a jovem.

Trauma em casa

O comerciante Kleiton Queiroz Souza, 33, disse que está assustado com tudo que ele viveu há 15 dias. “Eu estava chegando em casa quando fui abordado por um ladrão que colocou arma na minha cabeça e levou o meu celular e o meu relógio”, disse. O assalto aconteceu no conjunto Beija-Flor, na Zona Centro-Sul. A polícia foi chamada, mas não conseguiu prender o assaltante.

O comerciante relatou que no, dia seguinte, se mudou com a família para uma casa e colocou a antiga à venda, com medo que os assaltantes voltassem a agir. O objetivo, agora, é comprar outra em condomínio fechado. “Mantive a calma para não morrer, mas ainda estou abalado”, relatou Kleiton.

Manter a calma e não reagir ao ser abordado por um criminoso, inclusive, é a orientação da polícia para quem passa por situações como essa, lembra Sérgio Fontes. “A regra número um é não reagir”, disse, orientando, em seguida, a acionar a polícia e registrar o crime em uma delegacia.

Depoimento

A jornalista Kelly Melo relatou que foi atacada em uma parada de ônibus.

“É muito desesperador passar por uma situação como essa. Mesmo você estando observando tudo e todos que estão a seu redor, não tem como ficar tranquila.  E o pior é que, quando somos surpreendidos por esses criminosos, a reação é, muitas vezes, instantânea. Foi assim que aconteceu comigo. O bandido me abordou de bicicleta, puxou a minha bolsa e eu relutei com todas as forças que tive naquela hora. Os gritos vieram, consequentemente. Por sorte, ele não estava armado, fugiu, mas foi capturado e eu recuperei a minha bolsa com tudo dentro. Mas, isso poderia ter sido diferente, talvez com um final trágico.  Agora tenho a consciência que eu não deveria ter reagido, coloquei a minha vida em risco.   Ainda estou assustada. Manaus não é mais a mesma. Não estamos seguros nem dentro da nossa própria casa”.

Dados

O secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP), Sérgio Fontes, disse que os assaltos incomodam muito nas ruas e nas paradas de ônibus, principalmente. “Estamos prendendo gente como nunca prendemos na vida, mas infelizmente os assaltos não cessam”, disse Fontes.

De acordo com dados da Delegacia Geral, no ano passado foram feitas 8.853 prisões e, neste ano, 1.800 pessoas foram colocadas atrás das grades por crimes de furto e roubo. 

Desses, até março, 556 passaram pela audiência de custódia, sendo que 205 tiveram o flagrante transformado em prisão preventiva e 345 aguardarão o julgamento em liberdade.

A instalação de novas câmeras de segurança será retomada pela SSP, segundo Fontes. “Já existe uma licitação em andamento. A intenção é espalhar mais câmeras em locais chamados de sensíveis, onde ocorrem assaltos com maior frequência, além de melhorar o patrulhamento e ouvir as comunidades”, disse.