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Servidores em greve recusam proposta do Governo Federal

Proposta de reajuste unificado em 15,8%, lançada pelo Governo Federal, é rechaçada por entidades, que manterão greves 21/08/2012 às 08:35
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Protesto dos servidores federais em greve parou o trânsito na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no dia 15
CINTHIA GUIMARÃES Manaus

Servidores federais como fiscais da Receita Federal, da Agricultura e do Trabalho, cujas atividades mais afetam os serviços essenciais do País, já sinalizam rejeitar a proposta de 15% de reajuste linear, lançado a 18 categorias na última sexta-feira (17) pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). A decisão será referendada por várias entidades amanhã, o que deve estender mais ainda o movimento grevista. A proposta significa 5% de aumento salarial rateado em três anos (2013, 2014 e 2015).

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) considera que a proposta não contempla sequer inflação do período e que o governo deixou bem claro que dificilmente ela será alterada. Desde o dia 18 de junho, eles realizam uma greve parcial, com a chamada “operação padrão” (fiscalização rigorosa e lenta) e operação crédito zero (quando os créditos fiscais não são lançados no sistema da Receita). Com a questão salarial em cheque, pedidos como reestruturação da carreira e legalização do porte de arma para os fiscais não foram citados na mesa de negociações. No Amazonas trabalham cerca de 180 auditores fiscais.

Na mesma esteira, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) já indicou recusa aos 15,8% de reajuste. As negociações começaram no início de 2012, quando eles fecharam o pedido de 30,19% de aumento, porcentual que representa perdas salariais desde 2008, além de diminuição dos padrões da carreira e subsídio para local de difícil acesso. Atualmente há 58 auditores do trabalho no Amazonas, o que significa uma relação média 0,21 servidor para cada 10 mil pessoas ocupadas. No País, há 2,8 mil auditores. Eles alegam estar há um ano e meio sem reposição salarial.

Os fiscais federais do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) vem pedindo, desde o início de 2011, 22,08% de reajuste salarial, além de realização de concurso público para recompor o quadro de servidores considerado defasado. Os fiscais agropecuários têm a função de monitorar o trânsito de produtos nos portos, aeroportos e fronteiras, além do uso de defensivos nas lavouras, a fim de evitar contaminação provocada por animais, plantas ou agrotóxicos.

Os docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apreciam hoje a contraproposta aprovada pelo Comando Nacional de Greve (CNG) do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). O governo lançou 45% de reajuste dividido em três anos.

A maratona de negociações deve continuar hoje com os policiais federais que vêm pedindo reestruturação da carreira e reestruturação salarial há dois anos e meio. Eles querem seus salários equivalentes às demais carreiras típicas de Estado. Enquanto isso, mantém suspensos os serviços nas superintendências regionais.

Com a atual configuração, a greve dos servidores federais já é considerada a maior já realizada, uma vez que cerca de 30 categorias estão de braços cruzados.

PRF inicia greve nacional

Os policiais rodoviários federais de todo o Brasil entram em greve ontem. A paralisação nacional foi aceita durante assembleia realizada no último sábado, e a adesão é feita de forma gradual conforme as necessidades de cada sindicato estadual (Sinprf).

Há 24 sindicatos regionais e a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) calcula que 21 atendem ao comando de greve até a próxima sexta-feira, um dia depois de uma reunião com o Ministério do Planejamento, que deve acontecer na quinta-feira. Alguns Estados já tinham iniciado o movimento na semana passada.

Segundo a categoria, entre os serviços prejudicados com a paralisação, está o combate aos crimes em estradas e rodovias, ao tráfico de drogas assim como a fiscalização de cargas, sonegação de impostos e crimes de trânsito. O policiamento nas fronteiras do País também será reduzido, 30% do efetivo segue com os trabalhos.

A FenaPRF afirma que a greve persistirá até um acordo com o Governo Federal. Entre os itens da pauta de reivindicações, os policiais rodoviários federais pedem, principalmente, uma recomposição salarial e o reconhecimento do nível superior para o cargo de policial rodoviário federal.