Publicidade
Manaus
Manaus

Setor de alimentação em Manaus está em alta, aponta estudo

Diagnóstico da Semtrad conclui que o ramo de restaurantes acelerou nos últimos anos, mas oferece baixos rendimentos 05/04/2012 às 09:03
Show 1
A vice-presidente da Abrasel, Lílian Guedes, diz que o setor é composto, atualmente, por 1,2 mil estabelecimentos
Cimone Barros/ Jornal A Crítica Manaus (AM)

O segmento de alimentação é a atividade que possui a taxa mais acelerada em número de estabelecimentos e em empregos formais em Manaus, entre os anos de 2007 e 2010. A grande maioria dos estabelecimentos da alimentação é formada por microempresas (67,3%) e o segmento é caracterizado pelo baixo rendimento do trabalhador, com média de R$ 850, enquanto o trabalhador de Manaus recebia R$ 1.895, em média.

Com significativa participação no total de empreendimentos da capital do Estado, o segmento de alimentação aumentou, em média, 7,8% o quantitativo de estabelecimentos (passou de 615 para 770), já o total aumentou 7%. Em relação à mão de obra, o segmento cresceu 6,7%, em média, (saiu de 10.156 trabalhadores para 12.338), e o emprego total em Manaus teve incremento de 5,9%, em média. 

Dos 15.644 estabelecimentos com vínculos ativos, 770 são da alimentação, o que representa 4,9% das atividades econômicas da cidade. O percentual do segmento em Manaus é mais alto do que o registrado no Amazonas (4,3%) e na Região Norte (3,3%), mas igual ao do País (4,9%).

As informações constam no estudo Comportamento do Segmento de Alimentação realizado pelo Observatório do Mercado de Trabalho de Manaus, uma parceria entre o Dieese e a Secretaria Municipal de Trabalho e Desenvolvimento Social (Semtrad). Os dados utilizam informações do Registro Anual de Informações Sociais (RAIS) e dos Microempreendedores Individuais (MEI).

“A alimentação é um segmento mais dinâmico que os outros, por isso necessitou desse diagnóstico mais aprofundado, após a divulgação do nosso primeiro estudo do perfil das micro e pequenas empresas em Manaus”, disse a técnica do Observatório do Trabalho do Dieese, Valéria Bolognini.

Segundo o titular da Semtrad, Vital Melo, os estudos orientam a implementação de políticas públicas, como os cursos de qualificação profissional e na concessão de linha de crédito para os micro e pequenas empresas, através do Banco da Gente.

De acordo com o diagnóstico, “restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas”, tem 75,6% de participação (582 estabelecimentos). Os “serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada” representavam 23,2% (179). Já a participação dos “ambulantes da alimentação” - como café da manhã - ficou reduzida a 1,5%, e com evolução nula nos quatro anos.

Abrasel aposta em crescimento até 2014

Divergindo do estudo da Semtrad, a vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-AM), Lílian Guedes, acredita que o setor é composto por 1.200 estabelecimentos e 40 mil trabalhadores em Manaus, ambos formais. Lilian destaca o crescimento do setor, com expectativa de chegar a 50 mil empregos formais até a Copa do Mundo de 2014 (conforme os próprios dados da entidade), em função dos jogos esportivos, do desempenho econômico de Manaus que tem o 6º Produto Interno Bruto (PIB) entre as capitais brasileiras e da tendência de comportamento do consumidor de passar mais tempo fora de lar.

Guedes reclama, entretanto, da falta de incentivo fiscal por parte da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado. “A gente emprega bastante e não tem nenhum benefício fiscal”, destacou.

Blog - Israel Souza, 36 anos, proprietário do Zanmai Sushi

“Eu trabalhava com curso preparatório para concursos públicos, mas sempre gostei de culinária. Como o segmento de restaurante está em expansão e gosto de comida japonesa, busquei me preparar para o negócio. Primeiro, como autodidata e depois com curso regular, em São Paulo. No final de 2010, abri o Zanmai Sushi, no Manaus Plaza Shopping, que é o primeiro restaurante da cidade a servir comida japonesa a quilo. Fazemos isso no almoço e no jantar servimos à la carte. Hoje temos 12 funcionários, atendemos cerca de 120 clientes por dia, o dobro do início, crescimento de 20% ao ano”.

Maior volume de empregos

Participação de restaurantes concentra 58,3% dos 12.338 postos de trabalho formal do setor


A atividade de restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas concentra o maior volume de empregos, com 58,3% dos 12.338 postos de trabalho formal do segmento. Essa atividade teve um crescimento de 11,4% ao ano no volume de empregos gerados entre 2007 e 2010.

Os serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada respondiam por 41,4% dos trabalhadores, que assinalou menor dinamismo na geração de emprego, com crescimento de 2% ao ano. 

A pesquisa também mostra que restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas têm maior participação nas Zonas Centro-Sul e Sul, onde estão bairros como Chapada, Nossa Senhora das Graças, Parque Dez, Adrianópolis, onde ficam os shoppings centers e o Centro da cidade.

O estudo também mostrou que houve uma variação positiva do Ensino Médio, indicando uma melhora na escolaridade dos trabalhadores  da alimentação. Em 2010, 54,4% tinham Ensino Médio, enquanto em 2007 eram 45,7%. Já com Ensino Médio Incompleto eram 51% em 2007 e caiu para 41,9%, em 2010.

Vale destacar também que as mulheres representam a maioria (55,8%), assim como os jovens até 29 anos, que representam 48,1%. O segmento também tem um alto nível de admissão de Primeiro Emprego (27,4%), superior a média das demais atividades econômicas de Manaus (16,4%), e um elevada taxa de desligamentos a pedido de trabalhadores (28,8%), enquanto o total do município é 19,7%.

Já o tempo médio de permanência no trabalho, a maioria tem menos de um ano (52,1%), e 32,4% menos de seis meses.