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Shopping popular de Manaus em mãos privadas

Camelódromo planejado pela prefeitura terá administração concedida à iniciativa privada depois de pronto, revela Implurb 18/07/2012 às 12:01
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Camelódromo planejado para ser construído na praça Tenreiro Aranha terá dois andares e administração privada
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

A Prefeitura de Manaus pretende entregar a iniciativa privada a administração do Shopping Popular (camelódromo) que será construído na rua Theodoreto Souto, na praça Tenreiro Aranha, no Centro. A ideia é seguir o mesmo modelo de concessão pública que deu a empresa mineira Piu Invest Empreendimentos e Incorporações S/A o direito a explorar todos os quiosques, bares e restaurantes instalados no Complexo de Lazer da Praia da Ponta Negra, na Zona Oeste, pelos próximos 40 anos.

O projeto de construção do camelódromo foi apresentado no início deste mês à superintendência do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas, pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). O projeto está sendo avaliado pelo Iphan que deve dar uma definição no próximo mês.

Segundo o diretor-presidente do Implurb, Manoel Ribeiro, a proposta é a prefeitura construir o prédio e abrir a concessão para que a administração dele seja feita pela a iniciativa privada. Ainda existe a possibilidade do Iphan não permitir a construção do shopping popular por conta da região ser tombada. No entanto, Ribeiro disse que um artigo na Lei Orgânica do Município (Loman) permite que a prefeitura construa o prédio na praça mesmo com o tombamento.  

O edital de tombamento do Centro Histórico de Manaus, publicado no dia 22 de novembro de 2010, no Diário Oficial da União (DOU) e aprovado em janeiro deste ano pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), em Brasília inclui a rua Theodoreto Souto e a praça Tenreiro Aranha no perímetro tombado.

“A ideia é a prefeitura construir e fazer uma concessão. Essa é a ideia, mas é embrionária, está na fase de análise, mas o embrião é esse”, disse.

O projeto prevê um prédio de dois andares na praça  Tenreiro Aranha e nele abrigar  1.448 camelôs do total de 2.134 que atualmente ocupam as calçadas do Centro.

Segundo Ribeiro, o projeto também visa melhorar a circulação de veículos e pedestres na área central da cidade hoje comprometida pela presença de camelôs.

Manoel Ribeiro adiantou nessa terça que não será permitido o retorno de camelôs para o terminal central da Matriz mesmo com o projeto que visa reabrir o tráfego de ônibus do transporte coletivo para o local.

Segundo ele, a prefeitura precisa aproveitar o momento para colocar em prática a organização do Centro, conforme o projeto de revitalização para a área.

História de muitos desacertos

Retirar camelôs das calçadas e abrigá-los num shopping popular, também no Centro, teve polêmica com Governo Federal

A construção do camelódromo no Centro de Manaus é cercada de polêmica. Em junho de 2010, a empresa Piu Invest Empreendimentos e Incorporações S/A, mesma do Grupo Uai que administra a Ponta Negra, começou a construir o shopping popular provisório na área do porto de Manaus com previsão para ser inaugurado em setembro do mesmo ano.

O shopping funcionaria temporariamente durante 36 meses, enquanto o definitivo, chamado de shopping Boothline, seria construído na Praça XV, próximo a rua Almirante Tamandaré onde atualmente existem prédios deteriorados.

Depois desse período, a estrutura desmontável do camelódromo provisório seria transferida para a Zona Leste de Manaus. 

O shopping Boothline teria capacidade para 2,2 mil boxes. No entanto, nunca chegou a ser construído. 

A empresa Uai gastou cerca de R$ 3 milhões na construção do camelódromo provisório, cujo projeto foi descartado após vários embates no cabo-de-guerra entre camelôs, empresário e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que moveu um processo contra o município questionando a construção do camelódromo no Porto de Manaus.  

Em agosto do mesmo ano, a Justiça Federal determinou a demolição da estrutura construída. Entretanto, o desmonte da estrutura do camelódromo teve início somente no segundo semestre do ano passado.