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Sigla marcada em 66 imóveis de Manaus causa pânico

Residentes na avenida Camapuã disseram que sigla indicaria desapropriação para dar lugar a monotrilho 10/02/2012 às 08:11
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Bernarderte da Silva, que teve a marcação ‘MT78’ em sua casa, diz ter ouvido que o local seria uma estação do monotrilho
Milton de Oliveira Manaus

Moradores da avenida Camapuã, Núcleo 9 da Cidade Nova, Zona Norte, estão aflitos e com medo pelo fato de que 66 casas foram marcadas com a sigla “MT” e um número de identificação. Isso, segundo eles, significaria a desapropriação dos moradores do bairro para dar lugar ao sistema de mobilidade urbana, o monotrilho.

No mês de novembro, a casa da aposentada  Bernarderte da Silva, 62, foi fotografada. “Veio um grupo de pessoas de uma secretaria, pediu licença para entrar na minha casa e começou a fotografar todos os cômodos”, contou a moradora da avenida Camapuã, que mora no bairro há 28 anos e possui 100 metros quadrados de área construída.

Ela disse, também, que eles não explicaram do que se tratava e disseram que escreveriam uma numeração no muro da casa. “O que eu ouvi, foi que onde está minha casa, seria uma das estações do monotrilho”, disse Bernarderte.

De acordo com o presidente da associação comunitária do núcleo 9, Evandro Silva, além da Camapuã, mais seis ruas seriam afetadas. “A saída dessas famílias significa uma mudança enorme em seu cotidiano. Tem gente que possui comércio, que ganha seu pão com pequenos trabalhos, e que já se acostumou a um ritmo de vida”, disse.

Na manhã de ontem, a associação comunitária esperou representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura do Amazonas (Seinfra) para uma audiência, na própria associação, mas só os moradores compareceram. “Nós enviamos um e-mail convidando a secretária Waldívia Alencar, da Seinfra, mas nos disseram hoje (ontem) que ela estava em Brasília”, disse  Evandro Silva.

Medo de injustiças

Comerciantes da avenida Camapuã, que tiveram, também, suas casas marcadas, temem que as indenizações sejam injustas. “O meu comércio é minha vida. E isso não é invasão, que você pode oferecer qualquer valor e retirar o pessoal daqui”, disse o comerciante Antônio Soares, 66, conhecido como Jiboião. Ele reclamou, também, dos prejuízos que acontecem antes mesmo da retirada. “Começa um ‘sai hoje, sai amanhã’. As próprias pessoas que passaram marcando, disseram que algumas demolições aconteceriam no mês passado. Então, você não pode fazer nada”, contou Jiboião, que possui um imóvel comercial na avenida.