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Sinetram diz que greve anunciada por rodoviários de Manaus é uma questão política

A três meses das eleições municipais, o Sinetram sustenta que não há outro motivo a não ser interesse político para a postura adotada pelos rodoviários. A atual diretoria do sindicato da categoria manteve a greve marcada para a próxima terça-feira (24) 20/07/2012 às 07:02
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Rodoviários ameaçam parar 70% da frota, terça-feira, por causa dos descontos realizados no salário dos profissionais que paralisaram a cidade em 10 de abril
Florêncio Mesquita Manaus

A greve convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus (STTR), na próxima terça-feira (24), é uma questão política e não tem justificativa. A avaliação é do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Manaus (Sinetram).

A três meses das eleições municipais, o Sinetram sustenta que não há outro motivo a não ser interesse político para a postura adotada pelos rodoviários. A atual diretoria do sindicato da categoria manteve a greve marcada para a próxima terça-feira.

A paralisação já foi inclusive comunicada as empresas por meio de ofício. A nota assinada pelo presidente da entidade, Josildo Oliveira, informa que a greve começará “a partir da meia noite do dia 24”, conforme definido em assembleia na última terça-feira.

Desta vez, eles reivindicam que as empresas de transporte coletivo façam o ressarcimento do valor descontado do salário do trabalhador correspondente a paralisação feita no dia 10 de abril deste ano e que pegou toda a população de surpresa.

Outro motivo que sustenta o indicativo de greve é a suposta ilegalidade da convenção coletiva definida pela junta governativa que ficou a frente do sindicato. Na avaliação da atual diretoria, a junta governativa não tinha representatividade para assinar a homologação da convenção, que, conforme Josildo, não foi discutida pelos trabalhadores.

Os rodoviários pedem que as empresas façam a adaptação da escala de trabalho dos funcionários para manter o mínimo de 30% da frota de ônibus operando como determina a lei de greve. Motoristas e cobradores do primeiro turno tiverem o desconto de R$ 106 e R$ 53, respectivamente.

Para o assessor jurídico da entidade, Fernando Borges, o valor foi descontado por ausência de trabalho. Ele garante que se o sindicato fizer com que os trabalhadores cruzem os braços, o Sinetram entrará com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) pedindo que a Justiça decrete a ilegalidade do ato e puna os culpados. O TRT já apura outras ações sobre o assunto. 

De acordo com o Borges, todas as reivindicações que serviam como pano de fundo para o sindicato realizar   greves em Manaus foram atendidas, tais como: Reajuste salarial, plano de saúde, entre outros itens. Ele informa que o Sinetram concedeu um reajuste de salarial de 5%, valor superior a inflação, o que elevou o salário do trabalhador ao segundo melhor do Brasil. “Motorista ganha mais que professor do Estado. O que podemos fazer? Negociar o que mais? Não há o que negociar. Eles querem fazer a greve porque possivelmente há um interesse político partidário”, disse.

Sinetram exige postura institucional
Questionado sobre as mudanças de diretoria dentro do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus (STTR), o assessor jurídico do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Manaus (Sinetram), Fernando Borges, informou que a entidade não está interessada em saber quem está à frente da STTR, mas sim no cumprimento dos acordos firmados.

Ele também comentou que as lideranças que assumiram o sindicato nos últimos sete meses têm pensamento e influência diferente junto à categoria. Ele reconhece a maior influência da atual diretoria, mas ressalta que toda e qualquer postura de greve ilegal será combatida.

“O Sinetram não se relaciona com pessoas que estejam no sindicato, se relaciona com a instituição. O sindicato é como se fosse uma empresa, ao mudar a gestão os acordos firmados pela diretoria antiga devem continuar”, disse.

O fator político
O vereador Jaildo Oliveira (PRP), conhecido como Jaildo os Rodoviários, é irmão do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus (STTR),  Josildo Oliveira . Jaildo é candidato a reeleição no pleito que será realizado em outubro deste ano. Ele foi eleito em 2008 com apoio da categoria que concentra cerca de 10 mil trabalhadores.

População refém
É a quinta vez somente este ano que os rodoviários ameaçam cruzar os braços. Três ameaças ocorrem depois da greve do dia 10 de abril deste ano e não contaram com o apoio total da categoria ou da junta governativa que estava a frente do sindicato.

Sem punição
A paralisação do sistema de transporte coletivo em abril deste ano tirou de circulação 100% da frota  e prejudicou 500 mil usuários. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ainda apura a autoria da greve. No período da paralisação, os próprios rodoviários atribuíam a Josildo Oliveira, atual presidente  do sindicato, a responsabilidade pelo  movimento grevista.

1.677,81 reais é o salário do motorista de ônibus estabelecido no dissídio coletivo. O salário do cobrador está em R$ 838,87 e do administrador de linha em R$1.778,41. Eles têm  plano de saúde, vale refeição e auxílio alimentação mensal.