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Manaus
INSATISFEITOS

Sistema ‘Zona Azul’ não agrada comerciantes e moradores do Centro de Manaus

Residentes da área central reclamam que não foram comunicados ou consultados sobre o sistema de estacionamento rotativo 23/01/2018 às 13:59 - Atualizado em 23/01/2018 às 14:05
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A partir de 17 de fevereiro, cada espaço de estacionamento demarcado em 17 vias terá um sensor (Foto: Jair Araújo)
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Um abaixo assinado, que até essa segunda-feira (22) tinha cerca de 400 assinaturas, reflete a indignação de moradores, comerciantes e flanelinhas com a “Zona Azul”, sistema de estacionamento rotativo, pago e implantado pela Prefeitura de Manaus no Centro da cidade.

Segundo eles, o sistema foi anunciado sem que eles fossem consultados ou comunicados e sem a abertura de nenhuma exceção, por isso não estão sabendo o que fazer com seus carros. “Moro há sessenta anos aqui, tenho quatro filhos, todos com carro. E agora?”, indaga a aposentada Terezinha de Jesus Corrêa, 87, moradora da rua Costa Azevêdo.

A partir de 17 de fevereiro, cada espaço de estacionamento demarcado em 17 vias terá um sensor que emitirá sinais a aparelhos manuais, usados por monitores, controlando o tempo em que o veículo fica no local. O limite máximo de permanência é de três horas e cada hora custa R$ 3. Caso extrapole o tempo, o condutor poderá ser autuado, multado e o veículo guinchado pelo Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans).

Sem alternativas

Os moradores da área central que resistiram às propostas de venda e continuam no mesmo local estão revoltados com a nova lei municipal. Donos de casas construídas há décadas, tempo em que não havia necessidade de garagem, a maioria aposentados, agora terão que pagar estacionamentos privativos ou mudar de endereço.

Há 50 anos morando na rua Monsenhor Coutinho, a professora aposentada Ana Rita de Morais, não sabe o que fazer, visto que tem um veículo que passa a maior parte do tempo em frente à sua casa.

“Não é justo você morar a vida inteira num lugar e agora não poder mais deixar o carro na frente de sua casa. Isso é um desrespeito com os moradores do Centro”, desabafou Ana Rita de Morais.

Proposta

Jesaías Almeida, 51, mora no segundo piso do estabelecimento comercial dele, na rua Lobo D’Almada, e Ednelza Falcão, 60, na mesma situação, só que na rua José Clemente, têm a mesma opinião. “Deveríamos ter um tratamento diferenciado. Ou um preço mais baixo no estacionamento ou uma vaga liberada. Toda regra tem exceção”, defende Jesaías.

Consultada, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Manaus informou, por meio de nota, que o projeto será executado da forma como foi planejado, isto é, nenhuma alteração será feita. “O conceito do sistema Zona Azul, que segue as diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é a rotatividade, que contribui com a mobilidade urbana e oferece maior fluidez ao trânsito”, conclui a nota enviada.

Revoltados

A reclamação também vem de comerciantes e empregados, proprietários de veículos, que trabalham o dia inteiro na área central. Eles estão na mesma situação.

Um proprietário de uma banca, na avenida Eduardo Ribeiro que não quis se identificar, temendo represálias, disse que está há 25 anos no mesmo local e que o novo sistema vai lhe prejudicar.

“Onde eu vou deixar meu carro? Eu que passo até nove horas aqui vou ter que pagar vinte e sete reais? A cada três horas mudar o carro de lugar vai me complicar, até porque sou sozinho. Vou ter que fechar a banca para procurar outra vaga”, relata o comerciante.

Descarta mudanças

A Prefeitura de Manaus e o Consórcio Amazônia informaram, por meio de nota, que não há possibilidade de mudanças no sistema de funcionamento do Zona Azul.  Qualquer exceção dada a moradores e comerciantes da área estaria colocando o interesse particular acima do público, levando-se em consideração o fato de a via ser pública, informaram. Além disso, a lei 1.534 que regulamenta o uso do estacionamento rotativo, não contempla excepcionalidades (ceder espaço em via pública para moradores ou lojas, por exemplo), destacaram.

Segundo a nota, desde 2013, início da primeira gestão do prefeito Artur Neto, começou-se a falar no projeto, tendo seu contrato de concessão assinado em 2015, tempo o qual os moradores da área teriam para melhor se organizarem em relação à guarda de seus veículos que são estacionados em via pública.

O Consórcio Amazônia  por sua vez ressaltou que apenas os monitores de estacionamento, devidamente uniformizados na cor azul, terão a autorização para regularizar a permanência dos condutores nas vagas do Zona Azul.  Os guardadores que não forem contratados como monitores, só terão autorização para lavar os veículos.