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Subida dos rios preocupa os moradores de área de risco em Manaus

Iminência de recorde na subida das águas do rio Negro já faz moradores buscarem alternativas para enfrentar o fenômeno 05/03/2012 às 07:23
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O aposentado José Damasceno de Oliveira mostra o nível que a água da cheia de 2009 atingiu em uma das paredes da sua casa, no São Raimundo
Milton Oliveira Manaus

Diante da iminência de cheia recorde, ainda não confirmada pelo Serviço Geológico do Brasil, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e nem pelo do Serviço Hidrográfico do Porto de Manaus, moradores de áreas de risco em Manaus começaram a procurar casas para alugar longe dos beiradões e de igarapés ou a conversar com parentes, para não ser pegos por surpresa. Outros ainda esperam a retirada para residências do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

A família do aposentado José Damasceno de Oliveira, 62, morador da rua 5 de Setembro, 53, São Raimundo, Zona Oeste, é um exemplo de quem foi surpreendido pelas águas do rio Negro em 2009, quando houve a maior cheia dos últimos 110 anos no Amazonas.

“Quando nós fomos dormir a água estava tocando a calçada da entrada da casa, no mesmo nível. Rapaz, de manhã, quando acordamos a água estava no meio da sala”, contou seu Damasceno, que mora com nove parentes.

Ele disse também que, à época, procurou ajuda de amigos no bairro e conseguiu uma casa para colocar os móveis. “Este ano, já comecei a buscar casa, porque não penso passar o mesmo sufoco que vivi em 2009”, disse.

Comerciantes da avenida Beira Mar, no mesmo bairro, onde há mais de 150 famílias, disseram que estão pensando em fazer uma cooperação entre eles para comprar madeira e construir pontes.

“Eu acho que a cheia deste ano pode superar a de 2009, quando tivemos que fechar o bar, porque a água invadiu o estabelecimento, chegando a mais de um metro de altura”, disse a proprietária Marcela Souza, 34.

Moradores dos bairros Educandos e Betânia esperam sair das áreas de risco ainda este mês. “Estamos esperando que saiam as casas do Prosamim, porque agentes passaram por aqui cadastrando as casas há mais de três anos e até agora nada”, disse a dona de casa e moradora da rua do Aterro, na Betânia, Nelda Soares, 40. Ela contou também que, em 2009, foi um “corre-corre”.

“Tivemos que construir pontes com pedaços de madeira, tirados de casas e comprados às pressas”.

Para o Instituto Amazônico da Cidadania (IACi), o aterramento de leitos dos igarapés pode contribuir para o alagamento das casas.

“Já faz algum tempo que o instituto vem alertando sobre problemas que o aterramento, cimentamento e estreitamento dos igarapés podem provocar. Um deles é a contribuição para inundação de residências, principalmente aquelas que estão próximas às margens dos rios, no tempo da cheia”, afirmou o presidente do instituto, Hamilton Leão.