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OUTUBRO ROSA

Superação: grávida vence câncer de mama na gestação e dá a luz ao terceiro filho

Dona de casa descobriu neoplasia na mama no início da gravidez e, com tratamento, superou o drama do câncer 20/10/2017 às 21:24 - Atualizado em 21/10/2017 às 12:00
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Parto da dona de casa está marcado para a próxima segunda-feira (23) Foto: Divulgação
acritica.com Manaus (AM)

No universo do câncer, o possível e o impossível se esbarram, o que torna cada caso diagnosticado único aos olhos dos profissionais que atuam em oncologia. Com o avanço no tratamento das neoplasias malignas, através da atualização de protocolos e de novas condutas terapêuticas, o combate à doença durante a gravidez substituiu a dúvida pela esperança, alimentando a coragem e a busca pela cura. 

É o caso  da dona de casa Solange Costa Lima, 42, paciente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), que está grávida de 38 semanas e, na próxima segunda-feira, dará à luz o pequeno André Lucas, concluindo o ciclo gestacional.
 
“Eu estava fazendo exames de rotina, pois não conseguia emagrecer e queria saber o porquê. Fiz um check-up e descobri que estava com problemas de produção dos hormônios da tireóide. Depois disso, me pediram uma mamografia, mas não apareceu nenhuma alteração, pois, em função da gravidez, minha mama estava muito densa”, explicou.

Contudo, um exame complementar, a ultrassonografia mamária, apontou a alteração, que foi investigada e levou ao diagnóstico, com sete semanas de gravidez: câncer de mama (carcinoma ductal). Mãe de outros dois meninos, com 10 e 15 anos, respectivamente, ela não teve dúvidas quanto à decisão. Pesquisou, se informou e buscou ajuda para se tratar. “Decidi logo investigar esse negócio e tratar porque, independente de doença, quero criar meu filho e vê-lo crescer”.

 Tratamento

Apesar de ter descoberto a doença no início da gravidez, o tratamento precisou ser adiado, até que ela estivesse com tempo suficiente de gestação para garantir que ela e o bebê estivessem seguros durante o tratamento. “Iniciei o tratamento em junho (de 2017), na FCecon. Lá, me pediram exames complementares para sabermos qual era a extensão da doença. Como o tumor estava localizado,  a médica me orientou que do segundo semestre para frente, já havia indicação de quimioterapia. Foi quando eu iniciei as sessões. Até agora, o único efeito colateral foi a queda de cabelo, mesmo meu ciclo sendo o vermelho (antraciclinas), com 21 dias de duração. Eu estava tranquila, bem esclarecida e sabia que era seguro fazer. Em nenhum momento entrei em desespero ou pensei em desistir”, frisou.

Acompanhamento no pré-natal

A oncologista clínica da FCecon, Gilmara Resende, ressalta que toda gestante deve ser acompanhada no pré-natal (com no mínimo 6 consultas médicas) e manter o acompanhamento em conjunto com o obstetra. 

Ela reforça, ainda, que as vacinas devem ser tomadas de acordo com o calendário vacinal da gestante. “Para gestantes diagnosticadas com câncer, aconselhamos a atualização pelo menos 14 dias antes do início da quimioterapia. Durante a quimioterapia, a vacinação não é indicada”.
 
Resende também corrobora que, a partir do segundo trimestre de gestação, a quimioterapia é considerada segura e é indicada tanto para pacientes com tumores localmente avançados, como nos casos metastáticos. “Podemos fazer tanto a quimioterapia no contexto adjuvante (após o tratamento principal que, em geral, é o cirúrgico), quanto no neoadjuvante (antes do tratamento principal), bem como no paliativo”. 
 
Para a especialista, em linhas gerais, o prognóstico do câncer de mama de pacientes gestantes e não gestantes é similar. O mesmo ocorre com os subtipos histológicos (estrutura e características dos tumores). “Nesse período (da gravidez), temos algumas limitações no arsenal terapêutico disponível. Não são todas as drogas que podemos utilizar na gestante, pelo risco de acarretar em malformação fetal. Por isso, os critérios são muito específicos. Outra questão: o aleitamento materno é contraindicado no período do tratamento, pois as drogas surtem efeito direto no leite, o que pode prejudicar o bebê. Fora isso é seguir as orientações médicas”.

Preventivos anualmente

Segundo a oncologista, independente de estar ou não gestante, é importante frisar que, quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores são as chances de cura. Para tanto, ela destaca a importância da realização anual da mamografia - indicada para mulheres com 40 anos ou mais -, do autoexame e da ultrassonografia mamária – esta última para mulheres com menos de 35 anos. “A iniciativa de se cuidar tem que partir de cada uma”.

Quimio na gestação é possível

Com o advento de novos tratamentos e exames de apoio, foi possível permitir a manutenção da gravidez durante o combate ao câncer de mama,   revelou o gerente de mastologia da FCecon, Gerson Mourão.

Segundo ele, a partir da 20ª semana de gestação, a segurança de mãe e filho são ampliadas, dando abertura para a utilização de quimioterápicos bastante eficazes. “Há diferentes tratamentos, como a mastectomia (retirada cirúrgica parcial ou total da mama). Mas, em geral, o tratamento é associado, envolvendo quimioterapia e cirurgia, quando a doença é diagnosticada ainda no início”, explicou. Outra possibilidade é a quadrantectomia, procedimento de retirada do tumor com uma margem de segurança, quando a massa é pequena e está localizada em uma região específica da mama.

Mourão assegura que o câncer de mama não é mais agressivo em grávidas do que no restante das mulheres, mesmo com as modificações hormonais associados à gestação. “O que ocorre é que o diagnóstico é mais difícil, pois a mama fica mais densa, impossibilitando, por exemplo, a detecção de alterações durante a avaliação clínica. De uma forma mais didática, o tumor fica menos palpável”, destacou o especialista. Por isso, é indicado que tanto o mastologista, quanto o especialista que acompanha a grávida durante o pré-natal examinem as mamas com certa frequência.