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Manaus
BALANÇO

Susam anuncia redução de R$ 400 milhões em gastos com contratos para 2018

As ações, segundo secretário de Saúde do AM, foram definidas para que a Susam consiga sanar dívidas, deixadas por gestões anteriores, que passam de R$ 350 milhões com cooperativas de saúde 06/12/2017 às 21:11 - Atualizado em 06/12/2017 às 22:04
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Francisco Deodato (com o microfone) apresentou comparativos. Fotos: Evandro Seixas
Danilo Alves Manaus (AM)

Dois meses após assumir a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), o titular da pasta, Francisco Deodato, anunciou o início de um processo de “reconstrução” do sistema estadual de saúde que prevê, entre outras medidas, a redução, em até R$ 400 milhões, dos gastos com contratos junto a empresas que prestam serviço à secretaria, para o ano de 2018. 

As ações, explicou Deodato, foram definidas para que a Susam consiga sanar dívidas, deixadas por gestões anteriores, que passam de R$ 350 milhões com cooperativas de saúde, além de resolver outras pendências de serviço médico e problemas como a falta de conservação predial e a superlotação de leitos de unidades hospitalares na capital e interior, bem como a falta de medicamentos de alto custo.

Conforme Deodato, há 60 dias a nova gestão começou a rever os problemas do sistema e buscar soluções, criando parcerias, parcelando dívidas e reduzindo custos. O objetivo, explica ele, é tornar o sistema sustentável financeiramente.


Em fotos apresentadas durante a coletiva, a Susam destacou o "antes e depois" da climatização no HPS 28 de Agosto
 

Uma das principais preocupações é o atraso no pagamento das cooperativas médicas, para evitar paralisações nos serviços. O caso do Instituto de Traumato Ortopedia do Amazonas (Itoam) é o mais grave: foi parar na Justiça e, na tarde de terça-feira, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) suspendeu liminar que suspendia cirurgias eletivas e o atendimento ambulatorial até o pagamento das dívidas. “No caso dos médicos, nós já conversamos com quase todas as cooperativas e pagamos R$ 56 milhões. Apenas o Itoam ainda não assinou o acordo. Vamos parcelar essa dívida e, até outubro do ano que vem, todos serão ressarcidos”, disse.

Mutirões

Outra medida adotada pela Susam foram os mutirões de saúde, que têm o objetivo de reduzir a espera por atendimento. “Em dois meses fizemos seis mutirões de consultas, que resultaram em aproximadamente 2.374 pessoas atendidas. No hospital Francisca Mendes, por exemplo, 750 pessoas aguardavam na fila para realizar o cateterismo. Nos últimos dois meses, após reforma da máquina de hemodinâmica, nós realizamos 600 cirurgias”, explicou.

Superlotação

A Susam também anunciou medidas para reduzir a superlotação em várias unidades de saúde, como a criação de 169 leitos na rede pública, 56 deles cirúrgicos.

O Hospital e Pronto-Socorro (HPS)  da Criança, na Zona Sul, é uma das unidades beneficiadas. Lá, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que funcionava de maneira improvisada em uma sala, recebeu 10 leitos para abrigar os pacientes.

Interior 

O atraso nos repasses de recursos para unidades de saúde do interior do Estado é outro problema “herdado” pela atual gestão. De acordo com Deodato, o Município de Boca do Acre (a 1.038 quilômetros de Manaus), por exemplo, ficou 17 meses sem receber os repasses, que representam R$ 35 milhões para o município. “Para todos esses casos nós criaremos parcerias com institutos, unidades particulares de saúde parceiras, além de outras entidades que ajudem o nosso trabalho, enquanto conquistamos novamente nossa estabilidade”. 

 O secretário Francisco Deodato também anunciou  que, em breve, entrarão em funcionamento duas novas unidades de saúde no interior: a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itacoatiara, que acaba de ser concluída e aguarda equipamento e mobília, e o Hospital do Careiro Castanho, que está com 98% da obra finalizada. A previsão de entrega é no segundo semestre de 2018.

Orçamento ainda indefinido

O orçamento da Susam em 2017 foi de R$ 1,2 bilhão.  O secretário Francisco Deodato informou que 2018 terá como base o orçamento deste ano, mas a pasta só deve anunciar medidas para regularizar a situação financeira após a  aprovação da Lei Orçamentária do Estado (LOA), na segunda quinzena de dezembro.

Remédios em falta na Cema

Mais da metade dos medicamentos ofertados pela Central de Medicamentos (Cema) da Susam estão em falta na unidade,  que opera com apenas 20% da capacidade, revelou o titular da Susam, durante o balanço.

De acordo com ele, a falta de medicamentos afeta unidades hospitalares como Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) e a Fundação Centro de controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

A falta é referente a remédios de alto custo, usados em tratamentos contra o câncer e outras doenças. Dos 1.060 itens que compõem a lista de medicamentos da Cema, apenas 525 foram encontrados com ata de registro de preço, ou seja, haviam sido adquiridos.

A atual gestão informou que quitou R$ 19 milhões em dívidas que a Cema tinha com fornecedores, herdada das gestões anteriores. Para normalizar a situação, a Cema está realizando, junto à Comissão Geral de Licitação do Estado (CGL), processos licitatórios para abertura de atas de registro de preço, visando a aquisição dos medicamentos necessários para abastecer as unidades. “Conseguimos restabelecer a confiança com os fornecedores e a Cema está sendo redesenhada”, disse Deodato.

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