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Manaus
SINDICÂNCIA

Susam vai apurar caso de compressa achada dentro de mulher após o parto em Borba

Órgão disse que vai investigar atendimento recebido pela paciente nas unidades de saúde e que, de acordo com o resultado, serão adotadas as meninas cabíveis 20/08/2017 às 17:13 - Atualizado em 22/08/2017 às 19:07
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Devido ao erro médico, mulher usa bolsa de colostomia após ter seu intestino apodrecido (Foto: Divulgação)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) vai abrir sindicância para apurar o caso da mulher que teve uma compressa achada dentro do abdômen após o próprio parto no município de Borba (a 150 quilômetros de Manaus). Ela afirma ter sofrido violência obstétrica por parte do médico que a atendeu na unidade. O caso ganhou repercussão nas redes sociais neste final de semana.

A cirurgia ocorreu no dia 12 de maio. Na ocasião, Marilaine Góes da Costa, de 23 anos, estava grávida de nove meses quando fez o procedimento. Ela conta ter sido humilhada pelo médico que realizou o procedimento. “Ele disse que ia fazer cesárea porque já tava ‘cansado de olhar pra minha cara’. O meu filho nasceu quase morto e o médico disse que não tinha mais jeito”, disse ela ao Portal A Crítica.

Por meio de nota, a Susam informou que irá abrir uma sindicância para investigar o atendimento relacionado a paciente nas unidades de saúde. Conforme o órgão, de acordo com o resultado serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.

Negligência e erro médico

Após ser operada e liberada do hospital dois dias depois da cirurgia, Marilaine passou a sentir fortes dores. Embora ela estivesse tomando medicamentos, o incômodo não cessava. Foi quando ela recebeu a orientação de realizar uma nova cirurgia, dessa vez em Manaus, onde foi diagnosticada com acúmulo de fezes no intestino.

Ela afirma ter voltado para Borba sem ter passado por qualquer procedimento, e enquanto isso, as dores continuavam. Deixando de andar e até cuidar do próprio filho, Marilaine conseguiu ir até um hospital na cidade de Porto Velho por meio das doações de amigos, já que, segundo ela, a prefeitura e o Estado não deram suporte para a viagem.

Em Porto Velho, ela conta ter ido diretamente para a unidade hospitalar e teve um choque. Ao invés de acúmulo de fezes, as dores sentidas por ela foram causadas por uma compressa deixada pelo médico no dia da cesárea dentro do abdômen.

A vice-presidente da ONG Humanizar, Rachel Geber, disse que entrou em contato com a jovem oferecendo apoio para acompanhá-la juridicamente. Ela confirmou que o caso se trata de violência obstétrica.