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Tarifa do transporte coletivo em Manaus teve aumento de 83% em sete anos

Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos, em 2005, a passagem custava R$ 1,50 e, hoje, custa R$ 2,75. O reajuste é superior à inflação acumulada no País no mesmo período 19/03/2013 às 18:20
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Sinetram quer que tarifa vá para R$ 3,50
Ana Carolina Barbosa Manaus

Em sete anos a tarifa do transporte coletivo convencional em Manaus passou por seis reajustes os quais totalizaram um aumento de 83,3% no valor no período. Em 2005, o usuário pagava na passagem inteira R$ 1,50 e, atualmente, paga R$ 2,75. Se aprovado o reajuste para R$ 3,50 solicitado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), a capital amazonense terá a tarifa mais cara entre as 60 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes, conforme dados da Associação Nacional de Transportes Públicos (Antp).

Hoje, o Sinetram informou que se não houver reajuste, a frota poderá ser reduzida, mas com autorização da Prefeitura de Manaus. Contudo, a quantidade de ônibus que permanecerá nas ruas à disposição da população não foi informada. “Infelizmente, se não ocorrer o reajuste, nós não teremos como manter a frota da forma que ela é hoje, teremos que solicitar ao município medidas de readequação operacional para viabilizar o custo ao valor inferior que é hoje”, disse o assessor jurídico da entidade, Fernando Borges.

De acordo com a Antp, a passagem em Manaus sofreu a seguinte variação: em maio de 2005 custava R$1,50; em setembro do ano seguinte, o valor passou para R$1,80; em outubro de 2009, foi para R$ 2,25; em abril de 2010, passou a custar R$2,10 (redução de R$ 0,10); em outubro do mesmo ano voltou para R$ 2,25 e em janeiro de 2012, foi reajustada para R$ 2,75.


Conforme dados disponíveis no site da Antp (http://portal1.antp.net/site/simob/Lists/trfs/tarifas.aspx), atualmente, apenas três cidades no País praticam preço acima de R$3. Todas elas estão situadas no estado de São Paulo (SP). São elas: Campinas, Osasco e Santo André. Nessas localidades, a passagem custa R$ 3,30. Caso seja aprovado o valor solicitado pelo Sinetram para Manaus, a cidade terá o valor da tarifa superior, inclusive, ao da maior cidade da América do Sul: São Paulo, que hoje pratica o valor de R$ 3 no sistema de transporte público.

Inflação

Outro dado curioso é que o reajuste de 83,3% contabilizado nos últimos sete anos é superior ao percentual acumulado da inflação no País. Conforme cálculo realizado na ‘calculadora do cidadão’, disponibilizada no portal do Banco Central na internet (https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPorIndice.do?method=corrigirPorIndice), entre maio de 2005 e dezembro de 2012, o acumulado, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-IBGE), foi de 46,25%, ou seja, 37,05 pontos percentuais abaixo do que foi aplicado à tarifa no mesmo período. Se este dado fosse levado em consideração, o valor da passagem do transporte coletivo em Manaus, hoje, seria de R$ 2,19.

Prefeito e Sinetram

O pedido de reajuste para R$ 3,50 foi protocolizado nesta terça-feira pelo Sinetram na Prefeitura de Manaus. Em visita à obra do Mercado Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus, o prefeito Artur Virgílio (PSDB) comentou que o valor é absurdo.

Ele disse, ainda, que a decisão de reajustar o valor, como prevê contrato assinado em 2011, é irreversível. Contudo, assegurou que o aumento se dará considerando as especificações do estudo que está em andamento desde o início do mês pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), que por sua vez, será baseado em dados como variação tributária, reajuste de combustível, entre outros fatores.

De acordo com o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges, as dez empresas que detém a concessão do transporte público de passageiros convencional na cidade já acumulam prejuízo de R$ 50 milhões ao ano. Contribuíram para tanto o reajuste do diesel, o transporte clandestino na cidade de Manaus e o atraso no reajuste previsto para outubro, conforme contrato celebrado em 2011 entre as empresas e a Prefeitura de Manaus, o qual não determina percentuais.

Ele explicou que a entidade não irá se manifestar acerca do comentário do prefeito, uma vez que a posição não é oficial. Questionado sobre uma para quando aguarda uma resposta da prefeitura, ele disse o seguinte: “Nossa expectativa é resolver isso imediatamente, até porque, o reajusto está atrasado. Não é uma questão política, é uma questão empresarial”, alegou. Hoje, utilizam o sistema cerca de um milhão de passageiros por dia, incluindo os que têm direito à meia passagem.