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Manaus
CONCORRÊNCIA

Táxis perdem mercado em Manaus e motoristas buscam formas de concorrer

Há taxistas que fazem corridas também por aplicativos, e outros apostam em descontos substanciais para disputar espaço com o Uber 24/09/2017 às 06:11
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Cooperativa ‘perdeu’ mais de 100 táxis desde a chegada do Uber e YetGo (Foto: Evandro Seixas / Arquivo AC)
Kelly Melo Manaus

O taxista Francisco Lopes, 31, trabalha no ramo há pelo menos seis anos, mas, motivado pela queda na renda após o início da operação do Uber, nos últimos dois meses ele decidiu arriscar e sair da empresa de táxi, que alugava o carro dele, para atuar como motorista do aplicativo. A decisão de “não ficar de um lado nem do outro” foi tomada em meio a uma “disputa” que acontece entre motoristas de apps como Uber e Yet Go e taxistas da capital, que de um lado cobram o direito de trabalhar e, de outro, exigem a regulamentação do serviço prestado pelo aplicativo.

Francisco é apenas um dos taxistas que “migraram” para os aplicativos por conta da queda no faturamento. Muitos, inclusive, abandonaram as cooperativas, revelou o administrador da Manauara Táxi, Elenildo Freitas. Segundo ele, desde que os aplicativos de transporte de passageiros começaram a funcionar em Manaus, em abril, a busca por táxis na capital reduziu mais de 60%, refletindo na redução da frota de veículos.

A redução significativa afetou diretamente as empresas, que começaram a demitir ou perder taxistas para os próprios aplicativos. “Nós chegamos a ter 330 veículos na empresa, mas hoje estamos com menos de 200. Como muitos carros são alugados e as despesas são altas, os taxistas começaram a desistir e migrar para outras modalidades. A nossa esperança é que, com a regulamentação, esse quadro melhore e a concorrência se torne mais proporcional”.

Tanto Uber, quanto táxi 

No início, a experiência de Francisco até que deu certo, mas hoje, com a grande demanda de veículos privados fazendo o transporte de passageiros, ele já não vê tanta vantagem em continuar nessa modalidade de transporte.“No início compensou porque deixei de pagar o aluguel para o permissionário (dono da placa) e recebia muitos chamados no aplicativo. Só que os preços da Uber são muito baixos e agora tem muitos carros trabalhando. Ou seja, há uma concorrência muito grande entre os motoristas do próprio aplicativo”, explicou.

A solução encontrada por ele foi acumular as duas funções.: ele continua no Uber, mas também está trabalhando com táxi compartilhado, que acaba sendo mais rentável que o táxi convencional e até os aplicativos, na opinião dele. “Do Centro para o Viver Melhor, por exemplo, a gente cobra R$ 10 por pessoa e fecha um carro com quatro pessoas. A corrida acaba saindo por R$ 40 e a gente sai com menos prejuízo”.

Motorista cobra regulamentação

O taxista Ronei Oliveira, 42, que trabalha na área há mais de 24 anos, diz que não é contra o transporte de passageiros por aplicativos, mas defende que é necessário estabelecer regras para que haja uma concorrência justa. Segundo ele, o que vem acontecendo é desleal e ameaça os profissionais da categoria. “O taxista paga muitas taxas. Isso onera os preços das corridas, sem contar que o combustível também está mais caro. O Uber não deixa receita aqui, eles não têm gastos com impostos”, criticou.

O que é unânime na opinião Francisco e Ronei é que precisa haver regulamentação da modalidade para estabelecer normas para que tanto taxistas quanto motoristas de aplicativos tenham como sobreviver. Segundo o Sindicato dos Taxistas (SindTáxi), a capital possui 4.042 concessões de táxi e mais de 7 mil funcionários envolvidos. Já na Uber, especula-se a existência de 12 mil a 20 motoristas de aplicativos, como a Uber.

Medidas para concorrer

Para tentar atrair a clientela novamente, uma das medidas adotadas pela empresa foi tabelar preços de corridas para determinados pontos da cidade e oferecer descontos de até 35%. “A gente tenta igualar os preços para poder concorrer. O cliente tem o direito de escolher o que ele quer”.

Anteprojeto está quase concluído

Em relação aos aplicativos que estão operando em Manaus, como a Uber e o Yet Go, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que já possui um anteprojeto em análise que será levado ao conhecimento dos taxistas e representantes do segmento da nova forma de transporte, mas a data não foi informada.

Só este ano, a SMTU já apreendeu mais de 1,7 mil veículos irregulares. As motos clandestinas são as líderes em apreensões (82), seguidas pelos veículos que fazem o transporte de passageiros sem autorização da SMTU, como kombis e veículos de passeio (30).

Para o presidente do Sindicato dos Taxistas (SindTáxi), Luiz Augusto Aguiar, a regulamentação é uma passo para organizar a categoria. “A ideia é ter critérios para que essas pessoas possam trabalhar, assim como os taxistas têm. Vamos acompanhar a votação de um projeto de lei no Senado, nesta semana, e esperamos que isso se resolva”, destacou ele.

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