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Manaus
Cotidiano, Urbanização, Arborização, Semmas

Tecnologias para avaliar deterioração das árvores são testadas em Manaus

Aparelhos que avaliam árvores internamente serão usados durante aula prática do Treinamento em Diagnóstico e Análise de Risco de Queda de Árvores, promovido pela Semmas 19/04/2012 às 11:25
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Aparelho permite uma avaliação precisa do "estado de saúde" das árvores
acritica.com Manaus

A avaliação de forma mais exata da situação da biodeterioração de árvores, será a atividade de campo que acontecerá nesta quinta-feira (19), a partir das 14h30, como uma das atividades práticas do Treinamento em Diagnóstico e Análise de Risco de Queda de Árvores, que vem  sendo promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), envolvendo técnicos dos órgãos municipais e de instituições que lidam com o manejo da arborização urbana em Manaus.

O treinamento teve início na última segunda-feira (16) e se estenderá até esta sexta-feira (20), com um total de 33 participantes.

O curso, de acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, é mais uma oportunidade de aprimoramento nas técnicas de manejo da arborização urbana, visando o aperfeiçoamento das técnicas e a melhoria da qualidade da prestação do serviço de arborização feito pela prefeitura.

As aulas estão sendo ministradas pelos biólogos Sérgio Brazolin e Vinicius Felix Pacheco, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo.

Além dos técnicos da Semmas, o curso reúne representantes da Secretaria Municipal de Limpeza Pública  (Semulsp), Ministério Público do Estado (MPE/AM), Amazonas Energia, a empresa especializada em podas D5, o Instituto Federal de Educação do Amazonas (Ifam), a Eletrobras e a terceirizada Eletroinstalações.

O biólogo Sérgio Brazolin explica que o fato de a concessionária Amazonas Energia estar no curso é um aspecto positivo, pois denota que existe uma preocupação.

“Se você deixa a árvore sem a arquitetura natural, com podas feitas de forma equivocada, além de tornar o aspecto visual horrível, acaba se impedindo que a árvore preste os serviços ambientais para a cidade, e essas práticas têm que ser evitadas”, observou. Segundo o especialista, a prática inadequada de podas também contribui para a possibilidade de queda e morte do indivíduo arbóreo.

“Existem espécies que não suportam podas exageradas. Um exemplo é o pau pretinho, que está sendo utilizado na arborização urbana de Manaus”, afirmou. Ele ressalta que podas que desequilibram e jogam o peso da árvore para um lado podem favorecer a queda do exemplar.

O treinamento, na opinião do pesquisador, vai permitir uma padronização de critérios para o melhor manejo da árvore, remoção e corte, com a produção de laudos mais consistentes e menos subjetivos.

“É preciso enxergar a árvore como uma estrutura, não olhando só os defeitos e sim como ela supera os defeitos, baseado em novas tecnologias e conceitos de biodeterioração para tomar decisão sobre a necessidade de cortar e podar”, afirmou.

Investimentos
“Observar os aspectos da árvore a olho nu, sistematizar as inspeções e procedimentos externos já é um grande passo, mas hoje já é possível fazer a análise interna da árvore, através de aparelhos importados como o penetrógrafo e o tomógrafo, utilizado hoje em algumas capitais, como São Paulo e Belo Horizonte”, admitiu, Brazolin recomendando que Manaus adote o equipamento para realizar o manejo adequado das suas
árvores.

A Semmas, já estuda a possibilidade de aquisição dos equipamentos para utilização no dia a dia das atividades realizadas no setor de arborização.

“A aquisição dos aparelhos ou de um pelo menos um deles, o penetrógrafo, resolverá 90% dos nossos casos de análise de risco de queda de árvores, pois é um equipamento de fácil manuseio e que permite avaliar o estado de biodeterioração interno dos exemplares”, afirmou o diretor de Arborização, Paisagismo  e Educação Ambiental da Semmas, Heitor Liberato.

O penetrógrafo permite uma avaliação interna da árvore. O equipamento funciona por meio de uma broca com menos de um milímetro de espessura, que é introduzida no exemplar, e mostra a situação do tronco por meio de gráficos.

“Se a árvore estiver em bom estado, ela apresentará resistência uniforme durante a introdução da broca, o que demonstra que não há camadas deterioradas no caule”, explicou Vinícius Pacheco.

A introdução da broca não causa danos à árvore e toda introdução é precedida de assepsia da haste para que não ocorra contaminação de uma árvore para outra. A perfuração é mínima e a cicatrização do orifício é rápida.