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Teixeira anuncia saída definitiva da CBF, culpa saúde e lamenta: 'foi subvalorizado nas vitórias'

Poucos dias após pedir licença médica do comando da entidade alegando problemas de saúde, o mandatário abriu mão definitivamente do cargo 12/03/2012 às 12:27
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Ricardo Teixeira deixa o comando da CBF após 23 anos na presidência da entidade
Uol/ Esporte ---

José Maria Marin nem bem se apresentou como novo presidente da CBF nesta segunda-feira e já anunciou uma bomba: a renúncia definitiva de Ricardo Teixeira. Poucos dias após pedir licença médica do comando da entidade alegando problemas de saúde, o mandatário abriu mão definitivamente do cargo. O cartola também deixa o Comitê Organizador Local de 2014, igualmente assumido por Marin.  

Teixeira enviou uma carta de renúncia a Marin, que a leu nesta manhã, durante evento realizado na sede da CBF. “Eu, hoje, deixo definitivamente a presidência da CBF”, disse um trecho da carta lida pelo novo presidente e assinada por Teixeira.

No extenso texto lido por Marin, o ex-mandatário atribui sua saída aos problemas de saúde, mas faz questão de reclamar das críticas que recebeu ao longo de seus 23 anos à frente da principal entidade do futebol brasileiro.

"Futebol em nosso país é associado a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos, exaltam o talento. Quando perdemos, a desorganização. Fiz o que estava ao meu alcance. Renunciei à saúde. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias", escreveu Teixeira.

Na entrevista que se seguiu à leitura da carta, José Maria Marin fez questão de destacar que seguirá a linha de Ricardo Teixeira à frente da CBF, disse que a entidade não passará por grandes mudanças e salientou que ficará no cargo até o final de 2014. "Devo cumprir o mandato até o fim. A minha nomeação faz parte de uma administração contínua. Portanto, vou ficar até o final, como estava combinado".

Fim de uma era

O longo período em que Teixeira esteve à frente da entidade e a série de denúncias de corrupção corroeram a imagem pública de principal cartola do futebol brasileiro. No ano passado houve passeatas pelo país pedindo a saída do então dirigente.

Sua situação à frente do comando do futebol brasileiro já estava insustentável. Teixeira enfrenta acusações de superfaturamento no amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008. A Polícia Civil encontrou cheques entregues por uma sócia a Ricardo Teixeira. O amistoso custou mais de R$ 8 milhões aos cofres públicos.

O escândalo, aliás, foi apresentado pela Rede Globo, vista por Teixeira como uma aliada. O Jornal Nacional dedicou 3 minutos no ano passado para exibir a relação suspeita do então dirigente com a empresa Ailanto. Documentos apontam que uma empresa pertencente à Ailanto tinha sede em uma residência de Teixeira.

Teixeira deu os primeiros sinais de que sairia no final do ano passado, ao se queixar com amigos de cansaço. Dizia estar de “saco cheio” da série de denúncias contra ele divulgadas pela imprensa. A saída teria como principal objetivo preservar sua família do desgaste. No entanto, a renúncia não acaba com os problemas. Várias ações na Justiça suíça tentam a liberação de documentos que comprovariam que o brasileiro recebeu suborno da empresa ISL. Depois teria feito acordo judicial para devolver a quantia.

A saída do cartola, que ficaria no poder até 2015, em tese, não afeta a realização da Copa do Mundo no país. As principais decisões já estão tomadas e sua presença no comando do mundial não era bem aceita por Dilma Rousseff.

Após resistir a duas CPIs e a um incontável número de denúncias, o ex-genro de João Havelange sai de cena depois de transformar a seleção numa máquina de fazer dinheiro para a confederação e amigos do presidente. Vendas de ingressos, pacotes para jogos da seleção, direito de organizar amistosos, praticamente tudo ficou na mão de gente amiga de Teixeira. Sob sua batuta, a seleção ganhou dois títulos mundiais e se tornou trunfo político. Camisas do time nacional e o direito de receber jogos da equipe se viraram moedas de troca em alianças políticas. A rede de amizades em todas as esferas do poder, menos na atual presidência da República, porém, foi insuficiente para evitar a saída melancólica.