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Manaus
Educação

Inclusão de alunos especiais no ensino convencional muda realidades

Com preparo dos professores e apoio da família, alunos especiais vencem barreiras em busca do conhecimento 26/04/2016 às 04:40
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Ao lado da família, Ítalo mostra as fotografias da formatura dele em Tecnologia da Informação (Clóvis Miranda)
Silane Souza Manaus (AM)

A inclusão de estudantes com deficiência em escolas de ensino convencional ainda é um processo que caminha lentamente, em parte pela ausência de estrutura das unidades e falta de preparo dos educadores para lidar com a situação. Mas, nos últimos anos, com o apoio de professores e da família, essa inserção vem tendo avanços significativos no Amazonas e muitos desses alunos conseguem não apenas concluir o ensino médio, como ingressar no nível superior.

É o caso de Ítalo Jacob Alves de Oliveira Soares, 21, diagnosticado com autismo moderado e déficit de atenção, que concluiu, no ano passado, o curso técnico à distância em Tecnologia da Informação pela Universidade Paulista (Unip). A formatura dele ocorreu no início deste mês, e ele não pretende parar por aí. “A informação é uma área que eu gosto muito, por isso quero fazer ciência da computação no ano que vem”, revelou. 

A mãe de Ítalo, a dona de casa Roseane Alves de Oliveira Soares, 46, conta que o filho começou a estudar aos 4 anos de idade na rede particular de ensino, mas por causa das dificuldades financeiras, teve que colocá-lo para cursar o ensino fundamental e médio na rede pública. Na primeira escola, os professores não souberam lidar com a situação especial dele, já na segunda, a Escola Estadual Ruy Alencar, Ítalo foi tratado com o olhar diferenciado da inclusão.

“No início a gente viu a dificuldade até porque há professores que não têm qualificação para lidar com essas pessoas de forma diferenciada. Por outro lado, há educadores que, mesmo sem preparo, têm um olhar de mãe, respeitam a situação desse aluno e o defendem, mostrando para os pais que é possível essa criança alcançar seus objetivos. Muitas portas são fechadas, mas se a gente se recolher será pior, pois nosso filho precisa de incentivo e motivação para seguir em frente”, frisa.

Especificidades

Para a autônoma Nara Carmo Rodrigues, 38, mãe de Luíza Rodrigues Andrade, 8, diagnosticada com autismo severo, a escola convencional não é para todas as crianças com deficiência. “Os professores dessas unidades ainda não estão completamente capacitados, como os que atuam em escola de ensino específico. Minha filha estuda numa dessas escolas especiais e tem um desenvolvimento que eu nunca imaginei que viesse a ter, mas acredito que numa escola normal ela ainda não conseguiria ter essa evolução”, afirma.

A filha de Nara Carmo Rodrigues, estuda há três anos na Escola Estadual Manoel Marçal, que oferece atendimento a estudantes com autismo, síndrome de Down ou deficiências múltiplas. Ela contou que não teve dificuldades para conseguir a vaga na escola pública e atribui a evolução da filha ao ensino especial. “Tem muita criança que consegue evoluir a ponto de ir para uma escola normal, mas outras não”, analisa.

Inclusão é trabalhada em 295 escolas estaduais

 A gerente de Atendimento Educacional Específico da Seduc, Lenice Salerno, afirma que, no Amazonas, o atendimento aos estudantes com deficiência está em ascensão, assim como a educação especial.  “Além das instituições específicas,  escolas de ensino regular da rede pública estadual estão recebendo cada vez mais alunos com algum tipo de deficiência. E muitas dessas escolas fazem um trabalho consistente de inclusão social”, disse.

Este ano, o trabalho de inclusão está sendo realizado pela Seduc em 295 escolas públicas estaduais, sendo 291 unidades de ensino inclusivas e quatro que oferecem atendimento específico, informou Lenice.

O secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva, afirmou que, ao proporcionar à população este atendimento, o Governo do Estado favorece a inclusão e contribui com o desenvolvimento pleno de crianças, jovens e adultos. “Por decisão do governador José Melo, estamos fortalecendo este atendimento e garantindo o acesso ao ensino de qualidade a centenas de pessoas com deficiência”, apontou.

Em números

2.717 estudantes com deficiência estão regularmente matriculados em escolas públicas estaduais da capital e do interior do Amazonas, no ano letivo de 2016, conforme dados da Secretaria Estadual de Educação. Desse total, 1.648 estão em escolas da capital e 1.069 em escolas do interior.

 Além das unidades de ensino inclusivas, Manaus conta com quatro escolas estaduais com atendimento específico (Divulgação)