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Manaus
RELIGIÃO

Terreiro de Mãe Zulmira precisa de ajuda para manutenção de espaço e tambores

Tradicional espaço de culto aos Orixás na Zona Sul de Manaus luta para reconquistar seus dias de grande audiência 19/11/2017 às 19:28 - Atualizado em 20/11/2017 às 14:11
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Anne Anderssen, filha espiritual de Mãe Zulmira, mostra desgaste da janela do terreiro de Mãe Zulmira. Foto: Jair Araújo
Antônio Ximenes Manaus (AM)

O terreiro de Mãe Zulmira, no Morro da Liberdade, Consagrado à Santa Bárbara, pede socorro. Com cinco janelas precisando serem arrumadas e os couros de quatro tambores da tradição africana necessitando ser trocados, o espaço mais tradicional do culto aos Orixás da Zona Sul luta para reconquistar seus dias de grande audiência.

Mãe Zulmira faleceu em 2007 e seu reinado durou 48 anos. Neste período, vários governadores do Amazonas como Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga  e o atual vice-governador Bosco Saraiva,também ex-presidente da Escola Reino Unido do Morro da Liberdade, passaram pelo espaço e receberam às bençãos da rainha espiritual da negritude amazonense.

Situado na parte mais elevada do Morro da Liberdade e com suas janelas de madeira em forma de arcos, o terreiro se prepara para tocar seus tambores em homenagem à Santa Bárbara, no dia 4 de dezembro.Mas as dificuldades materiais que afetam o espaço consagrado aos orixás africanos tem impedido que o esplendor do passado ressurja.

Nos tempos de Mãe Zulmira não faltavam oferendas aos espíritos e os alimentos eram compartilhados com seus filhos, em festas que ficaram na lembrança dos moradores da região. A rainha espiritual da negritude foi homenageada pela Escola de Samba Reino Unido do Morro da Liberdade em 1989, um momento inesquecível pelos sambistas e de toda a nação seguidora dos orixás. O samba: 'Axé Mãe Preta' em homenagem a Mãe Zulmira, é um clássico da cultura negra amazonense e garantiu um título à escola verde e branca.

Hoje, Anne Anderssen, filha espiritual de Mãe Zulmira, segue as tradições do terreiro e luta para fazer todas as mudanças necessárias para deixar a casa pronta para as festas em consagração aos orixás. “Aqui tenho paz e vivo em contato com o mundo espiritual”, comentou.

Ela deseja fazer uma grande festa para Santa Bárbara (4/12) e Nossa Senhora da Conceição (8/12). Mas, antes, quer arrumar as janelas e revestir os tambores com couros selvagens, tão apreciados pelas entidades africanas em seus cultos.