Publicidade
Manaus
Manaus

Testamento vital autorizado pelo CFM expressa os últimos desejos

Para o médico Euler Ribeiro, Phd em geriatria, a decisão do CFM deveria ter sido tomada há  algum tempo. Segundo ele, não adianta manter uma vida sem esperança, com dor e sofrimento 20/10/2012 às 14:55
Show 1
O geriatra Euler Ribeiro fará um testamento vital orientando qual procedimento os médicos dele deverão tomar
A Crítica Manaus (AM)

Logo após descobrir que seu quadro de saúde era irreversível, o papa João Paulo 2, tomou uma decisão insólita horas antes de morrer. Ele resolveu não mais se alimentar e ingerir remédios, mas apenas confortar sua aflição ao encontro com Deus.

A atitude do papa - falecido no dia 2 de abril de 2005 - também se recompõe de certa forma, na aspiração de muitos profissionais de saúde e pacientes diante da impossibilidade de levar em conta a vontade expressa durante a eminência do momento final da vida.

No entanto, o embate entre morrer e segurar o desfecho numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), pela real aptidão da medicina de manter a vida, ganhou novos e delicados contornos.Uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu a validade do testamento vital. Com a resolução, em casos terminais, o médico deve respeitar a vontade do paciente registrada, mesmo que ele não possa se expressar.

Para o médico Euler Ribeiro, Phd em geriatria, a decisão do CFM deveria ter sido tomada há  algum tempo. Segundo ele, não adianta manter uma vida sem esperança, com dor e sofrimento. Ele ressalta que o testamento vital é um documento, evidentemente pessoal e intransferível, cujo objetivo é fazer valer as escolhas individuais relativas ao tratamento médico em um quadro terminal.

No entanto, Ribeiro adverte que há um comportamento mercantilista na saúde pela falta de atenção especial ao tratamento e determinados programas. “Ninguém sabe se um paciente que está respirando por aparelho está morto ou não, isso é irresponsável por parte de quem está cuidando da situação, pois o paciente está sem amor e carinho da família, simplesmente por que o sistema quer lucrar a todo custo”, comentou.

Caso

O médico lembrou da situação que envolveu o pai dele, que sofreu um acidente vascular cerebral e ficou  dias em estado de coma. Segundo Ribeiro, o pai respirava por aparelhos e após alguns dias ele diagnosticou que nada mais poderia ser feito: o  pai estava morto. Foi quando decidiu autorizar o desligamento dos aparelhos. “Vou registrar no cartório em testamento vital que a decisão que tomei em desligar os aparelhos ligados no meu pai, que se encontra falecido, será a mesma que eu vou tomar”, concluiu Euler Ribeiro.

A manifestação de vontade por meio  do testamento vital é opcional e pode ser feita em qualquer momento da vida, independente do momento do estado de saúde do indivíduo, como explicou o advogado Júlio Antônio Lopes. O psicólogo Fernando Santos Júnior observa que enquanto a família quer o atendimento total, o paciente pode não concordar, mas é a vontade dele que prevalece. Para ele, o testamento vital é um fator considerável para que haja que o silêncio entre o paciente, a família e o profissional de saúde, seja rompido. “A falta de diálogos entre as partes em razão do medo que rege a situação, tem que ser superado”, comentou.

(A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa).