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Testemunhas ameaçadas podem não depor no julgamento em Manaus

Segundo servidores do Tribunal do Júri, as testemunhas  estão sendo ameaçadas pelos réus. Um deles é Ronairon,  que ganhou liberdade em abril e  prometeu atear fogo na residência de uma das testemunhas enquanto ela estivesse depondo 14/05/2012 às 10:26
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Ronairon Negreiros (centro), um dos detentos flagrados nas farras do presídio Puraquequara, teve a prisão relaxada e é um dos réus que vão a julgamento
jornal a crítica Manaus

Testemunhas de acusação de um dos crimes mais bárbaros ocorridos há 12 anos, no bairro do Coroado, Zona Leste, podem não comparecer para depor no julgamento desta segunda-feira (14) de três dos cinco réus que, em 23 de abril de 2000, teriam assassinado, a pauladas, Newton Almeida Ferreira. Os acusados do crime são Ronairon Moreira Negreiros, João Batista Santos Oliveira, o “Bar”, e Sebastião Moreira Rires Filho, o “Erê”.

Segundo servidores do Tribunal do Júri, local do julgamento marcado para esta segunda-feira (14), há testemunhas sendo ameaçadas supostamente por parte dos réus, entre eles Ronairon, que estava preso, mas que teve a prisão preventiva relaxada e ganhou liberdade no dia  16 do mês passado. Ele teria ameaçado atear fogo na residência de uma delas enquanto ela estivesse depondo.

O julgamento está marcado para acontecer no plenário do Tribunal do Júri, localizado na avenida André Araújo, bairro São Francisco, Zona Sul. Ele será presidido pelo juiz da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony. Na acusação vai atuar o promotor de Justiça Ednaldo Medeiros. Por conta da alta periculosidade dos réus, a expectativa é grande, o que levou o juiz a solicitar que a segurança do fórum seja reforçada, principalmente na área externa. Servidores do Tribunal do Júri também informaram que o julgamento deveria acontecer no auditório da Escola Superior da Magistratura, mas por questões de segurança foi transferido para o plenário do Tribunal do Júri. Segundo o  promotor Ednaldo Medeiros, o julgamento está marcado para iniciar às 9h e não tem hora para terminar.

Segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público, o crime de Newton foi classificado como bárbaro, com requintes de crueldade. Na época, a vítima e os acusados tinha entre 18 a 20 anos de idade, e integravam “galeras” rivais que se digladiavam nas ruas do bairro Coroado. A galera dos acusados era conhecida como “Meninos Lourinhos”, pois a maioria tinha o cabelo pintado de louro.

O titular da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre), José Divanilson Cavalcanti, disse que, atualmente, Ronairon é um traficante influente na cidade e que por muito tempo comandou o tráfico de droga no Coroado, onde era concorrente de Erik Leal Simões, o “Cara de CD”. Antes de ser preso, Ronairon traficava no bairro da Chapada, Zona Centro-Sul. A polícia  não tem informações se ele continua traficando depois de ter ganhado liberdade.

Na época, as investigações feitas pela polícia mostraram que o crime foi motivado por vingança. A galera da qual a vítima fazia parte, teria matado o líder da “Meninos Lourinhos”, identificado como “Jacarezinho”. No dia crime, Newton voltava de uma lanchonete quando foi cercado pela galera rival que estava armada com pedaços de madeira, tubos de ferro e uma  machadinha.

Eles passaram a agredir a vítima, que foi derrubada ao chão e agredida até a morte. Segundo o laudo de necropsia, Newton teve fratura craniana, um dos olhos arrancados e os dentes quebrados. Os acusados derramaram um balde de gasolina sobre o corpo dele mas, quando iam atear fogo, foram impedidos por supostos policiais que passavam no momento em um carro e que fizeram  disparos, dispersando o grupo.

Os agressores foram identificados como Jerry Corrêa de Brito, o “Jerry”, Silvio de Sousa Oliveira, o “Silvinho”, além de Ronairon, Bar e Erê. .

Investigações que serviram de base à operação Tentáculo, da Polícia Civil (2011), apontaram que Ronairon era ligado ao grupo do traficante Márcio Pessoa da Silva, o “Marcinho Matador”, um dos líderes da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).