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Tombamento do Centro Histórico de Manaus será votado nesta quinta-feira pelo Iphan

Para o Iphan, Manaus pode ser vista como um espaço urbano composto por monumentos, arquitetura corrente e áreas livres públicas 25/01/2012 às 11:57
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Rua Bernardo Ramos, no Centro de Manaus, considerada uma das áreas mais antigas da zona urbana da capital amazonense
acritica.com Manaus

O tombamento do Centro Histórico de Manaus está na pauta de discussão e votação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que acontece nesta quinta-feira (26), na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. A informação foi divulgada pelo Ministério da Cultura.

De acordo com o dossiê de tombamento elaborado pelo Iphan, a área a ser tombada representa um dos maiores testemunhos de uma fase econômica ímpar no Brasil: o período da borracha.

O tombamento do Centro Histórico de Manaus faz parte da política do Iphan de ampliar as áreas protegidas em todo o país, com ênfase nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Na capital amazonense, a área compreendida entre a orla do Rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas é a que ainda mantém os aspectos simbólicos e densos de realizações artístico-construtivas.

A preservação deste núcleo, que configura o coração urbano da cidade, garante a manutenção de seu patrimônio singular e integro, e inclui Manaus no rol das cidades históricas do Brasil.

De acordo com o parecer do Iphan, Manaus pode ser vista como um espaço urbano composto por monumentos, arquitetura corrente e áreas livres públicas, formando um conjunto que celebra e representa o ecletismo no norte do país, o que justifica o pedido de tombamento com a inscrição no Livro de Tombo Histórico e no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

“Mesmo que fragmentada, Manaus ainda possui um vocabulário arquitetônico vasto e diversificado, com representação de todas as correntes ecléticas e a verticalização ainda não compromete a percepção do espaço criado na Belle Époque”, diz o parecer.

Desenvolvimento

Fundada em 1669 a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro, a sede da Capitania, e a sede da Província, foi estabelecida na margem esquerda do rio Negro.

Com a proclamação da República, em 1889, Manaus passa a capital do Estado do Amazonas, época em que a borracha, matéria-prima da indústria mundial, era cada vez mais requisitada.

A partir de 1892, o governo de Eduardo Ribeiro elaborou um plano para coordenar o crescimento. Manaus ganhou o serviço de transporte coletivo de bondes elétricos, telefonia, eletricidade e água encanada, além de um porto flutuante, que passou a receber navios de diversas bandeiras.

Em 1910, Manaus ainda vivia a euforia dos preços altos da borracha, quando foi surpreendida pela fortíssima concorrência da borracha natural plantada e extraída dos seringais da Ásia, que invadiu os mercados internacionais.

Atualmente, os imóveis históricos, em sua maior parte, estão entre a Avenida Eduardo Ribeiro e a Rua Leonardo Malcher. Do núcleo colonial, resta apenas o traçado urbano, orgânico em contraponto ao traçado planejado, ainda no século 19.

Na arquitetura, uma boa quantidade de edifícios ecléticos ainda está preservada. O centro histórico de Manaus no século 21 apresenta uma porção urbana formada por edificações do período áureo mesclada a edifícios modernos.

Conselho

Também está na pauta da reunião do Conselho Consultivo em Brasília a proposta de tombamento dos centros históricos de Antonina, no Paraná, e das cidades piauienses de Oeiras e Piracuruca.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, presidido pelo presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, é formado por 22 especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia.