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Total de 60% de homicídios contra mulheres estão ligados ao tráfico de drogas em Manaus

O número de mulheres assassinadas nos seis primeiros meses do ano aumentou 80%, em comparação a igual período de 2011 20/08/2012 às 09:54
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Érika Bezerra, Diana Dutra, e Franciane Cordeiro foram presas com arma e drogas no último sábado (18)
A Crítica Manaus (AM)

Dados da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) revelam que o número de mulheres assassinadas em Manaus quase dobrou em comparação ao mesmo período de 2011. Segundo os índices, de janeiro a julho de 2011 foram 25 homicídios contra mulheres e, no mesmo período deste ano, subiu para 45, um aumento de 80%.

Outro dado que chama a atenção é o fato de 60% desses assassinatos estarem ligados ao tráfico de drogas. O restante, segundo a polícia, foram crimes passionais e latrocínios (assalto seguido de morte).

O delegado da DEHS, Antonio Rondon, acredita que esse aumento se deve à entrada da mulher no mundo da criminalidade e, principalmente a um relacionamento maior com o tráfico de drogas. “Antes, as mulheres eram, na maioria dos casos, vítimas de crimes passionais. Hoje essa realidade é outra, devido ao envolvimento com o crime, elas se tornaram mais suscetíveis ao assassinato que, normalmente, é um acerto de contas”.

Perfis

O delegado contou que as formas que as mulheres são executadas também chamam a atenção da polícia. Ele cita o caso de duas mulheres encontradas mortas recentemente no bairro Tarumã, Zona Oeste, num local utilizado para desova de cadáveres por criminosos, que muitas vezes usam requintes de crueldade ao cometer os crimes.

“Muitos casos são motivados por disputa de ‘bocas de fumo’. A maioria das mulheres mortas não são grandes traficantes e sim ‘boqueiras’”, disse.

No sábado (18), três mulheres, uma delas no oitavo mês de gestação, foram presas suspeitas de tráfico de drogas no bairro Raiz, Zona Sul. Érika da Silva Bezerra, 20, Diana de Souza Dutra, 19, e Franciane da Silva Cordeiro, 20, a “Madonna”, foram flagradas com um revólver, R$ 1 mil, 278 trouxas de cocaína em pó, 2,2 mil 'cabeças' de pasta-base de cocaína e uma porção de maconha dentro de uma casa, que seria usada para o tráfico.

Madonna, segundo a polícia, é companheira de um traficante conhecido como “Chicão do rip-rap”, preso por tráfico de drogas na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) desde 2010 e reflete bem a situação de mulheres que ‘herdam’ o comando da ‘boca’ de seus companheiros presos.

Antonio Rondon ainda enfatiza que os crimes passionais são mais fáceis de solucionar, visto que o autor geralmente não planeja o crime e age por impulso, raiva, ou descontrole emocional. “Devido a isso, eles acabam deixando mais provas na cena do crime e conseguimos colher evidências, que tornam mais fácil a construção de um inquérito e a elucidação do crime”, contou.

Relacionamentos e drogas são causas

A maioria das mulheres entram no mundo do crime devido à influência dos companheiros ou por força do vício em entorpecentes, afirmou o titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Antonio Rondon.

Mas, quando assumem a chefia da ‘boca de fumo’, deixam de lado a delicadeza e a piedade feminina e agem da mesma maneira que homens. “São mulheres que, a cada ano, vêm tomando o lugar dos homens no disputado mundo do tráfico de drogas e, muitas vezes, acabam pagando com a vida”.

De acordo com dados da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre), só este ano, mais de 40 mulheres foram detidas por tráfico de drogas. O envolvimento delas com o tráfico cresceu em relação ao ano anterior.

“O que percebemos é que, em algum momento da sua história familiar, ela teve contato com alguém que traficava. Então, ela acaba assumindo essa função quando o marido era preso, se tornando um elo de ligação entre o traficante preso e o mundo exterior. É a portadora de recados e, com o tempo, acaba praticando o tráfico de drogas”, disse um investigador da Depre, que preferiu não ter a identidade revelada.

Ranking

Segundo o Instituto Sangari, que divulgou, este ano, dados referentes à violência contra a mulher em todo o Brasil, Manaus é a terceira capital do País com o maior índice de homicídios contra mulheres, perdendo apenas para Porto Velho e Rio Branco, outras duas capitais do Norte.

Índice

De acordo com o estudo, Manaus tem uma taxa de 11,5 homicídios femininos por grupo de 100 mil habitantes, uma taxa considerada elevada em comparação com a maioria das outras capitais.

Reflexo

Para a polícia, o aumento no índice de homicídios de mulheres está ligado à entrada da mulher no mundo da criminalidade e, principalmente a um relacionamento maior delas com o tráfico de drogas.