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Trabalhadores da Feira da Manaus Moderna prospectam os novos desafios para o espaço

A área onde funciona hoje a feira da Manaus Moderna é um aterro criado na década de 80. Conforme dados históricos, a obra foi planejada entre o fim da Rua Marquês de Santa Cruz e Rua dos Andradas 18/07/2015 às 15:08
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Peixes regionais produzidos no interior e fora do Estado são vendidos no local
oswaldo neto Manaus (AM)

Com um movimento tímido do meio-dia, o feirante Valdir Ferreira da Silva, 74, relata suas lembranças do que formou hoje a Feira Municipal Coronel Jorge Teixeira. Para quem não sabe, o local é o nome oficial da feira da Manaus Moderna, localizada no Centro de Manaus. “O que eu lembro é que isso aqui não existia antes. A gente trabalhava de canoa naquela época, puxando os barcos com as mercadorias e vendendo dentro deles”.

Na realidade, essa foi apenas uma parte da história da feira, considerada um dos centros de abastecimento mais importantes para a capital amazonense. A estrutura que atualmente emprega de maneira formal e informal mais de cinco mil pessoas existe há 21 anos, no entanto, enfrentou diversos processos administrativos para se manter de pé, conforme conta o presidente da Comissão Gestora da Manaus Moderna, Davi Lima.

Segundo ele, o último desafio foi vencido no dia 18 de dezembro do ano passado. Na ocasião, a categoria apresentou ao Ministério Público do Estado (MPE-AM) uma contraproposta para a medida de licitar o espaço, criado pelo órgão.

A ideia, acatada pela Prefeitura, foi transferida para um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). “Nós entendemos que a licitação seria o fim da categoria e não só dessa feira, mas de todas as outras feiras de Manaus, pelo fato de que a maioria não teria como concorrer com grandes grupos econômicos”, disse.

Com o TAC assinado, os permissionários da Manaus Moderna oficializaram a concessão do uso do espaço por dez anos, podendo ser prorrogado por mais cinco, o que totaliza uma permissão por 15 anos. “Disse ao prefeito na época e ao Ministério Público que aquilo era um presente de Natal. Criou-se um impasse tão grande que tinha feirante que não queria mais sair de dentro da feira com medo dela estar toda no chão no dia seguinte”.

Lembranças

Há quem pense que feira da Manaus Moderna sempre existiu entre a rua Barão de São Domingos e a avenida Manaus Moderna. Anualmente o espaço é um dos que mais sofrem com alagamentos por conta da cheia dos rios. Porém, relatos de feirantes que possuem o dobro da “idade” da Manaus Moderna afirmam que as dificuldades apontadas não são recentes.

“A história da feira vem desde quando ela funcionava num flutuante, quando o rio enchia. Quando ele secava, nós ficávamos na beira da praia. Agora nós estamos seguros, temos uma estrutura. Lá não, era barraquinha, tudo de papelão e que se desmontava”, disse um dos trabalhadores mais antigos da Manaus Moderna, Carlos Etelvino, 73, feirante há 60 anos.

Etelvino afirma que apesar dos problemas, a importância histórica precisa ser preservada. “Não podemos sair assim pelo bem querer de ninguém Nós temos direito, nós construímos ela primeiro em madeira e fomos gastando. Isso aqui é toda a minha vida”.

“Hoje defende-se muito a zona franca, acho até legal, mas garanto que hoje o segmento de mercados e feiras e comércio informal emprega muito mais que o Distrito Industrial, por exemplo. O que temos pela frente é mostrar e provar para o Poder Público que nós temos condições de manter a feira”, completou Davi Lima. 

Trabalhadores 

De acordo com presidente da Comissão Gestora, a feira da Manaus Moderna possui atualmente cerca de 1.100 permissionários cadastrados, porém, após um novo modelo de permissão previsto no TAC, o número pode diminuir para 700 permissionários. Ao todo, 5 mil trabalhadores entre carregadores e feirantes vivem das atividades na feira.

Aterro histórico 

A área onde funciona hoje a feira da Manaus Moderna é um aterro criado na década de 80. Conforme dados históricos, a obra foi planejada entre o fim da Rua Marquês de Santa Cruz e Rua dos Andradas. A construção fez com que surgisse a avenida Manaus Moderna, e consequentemente a Feira da Banana e a feira da Manaus Moderna.