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Trânsito caótico também acaba com a hora de almoço em família

Gente que era acostumada a ir em casa para as reuniões de almoço em família agora preferem comer no trabalho ou próximo dele para não ter que enfrentar os engarrafamentos 13/06/2012 às 12:12
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A opção é ir a restaurantes mais próximos do local de trabalho ou pedir pelos disques-refeições, a fim de evitar o atraso no segundo horário de expediente.
acritica.com Manaus

O trânsito caótico de Manaus, que a cada dia restringe as alternativas  de tráfego em todas as zonas da cidade, está acabando com o tradicional almoço em família. O momento em que pais, mães e filhos aproveitavam o intervalo para se juntar à mesa e “arrematar” os assuntos pendentes do início do dia.

O direito ao intervalo de uma hora de almoço, que em geral é dado por patrões e empresas aos trabalhadores, agora é consumido nos infernais engarrafamentos   que obrigam  os funcionários  a  optar por  comer  na própria empresa;  ir ao restaurante mais próximo do local de trabalho ou pedir pelos disques-refeições, a fim de evitar o atraso no segundo horário de expediente.

Embora algumas empresas facilitem a vida de seus colaboradores, oferecendo-lhes opções de restaurantes e lanchonetes no próprio ambiente de trabalho, muita gente ainda preferiria  esse horário de refeição em família,  mas, lamenta ter que mudar essa cultura em conseqüência dos  congestionamentos permanentes que tomam conta das ruas e avenidas de Manaus.

A supervisora de vendas, Doralice Ribeiro, 44  calcula que a um ano e meio deixou de ir em casa para o almoço com os dois filhos e o marido. Agora, apenas liga para saber como todos estão; se os filhos almoçaram ou estão prontos para ir ao colégio. 

Num período de quatro anos Doralice  conta que  ainda conseguia ir em casa, em dias alternados, mas agora, não dá mais. “Acho que Manaus está refletindo o caos do trânsito que já existe nas  grandes cidades”, explica. Ela acrescenta que, no mínimo, gasta uma hora para ir em casa no bairro do Alvorada ( Centro Oeste)  e voltar para o trabalho no Aleixo ( Zona Leste).     

Durante a entrevista, Doralice estava reunida com duas colegas de trabalho em um lugar reservado da empresa, onde se  preparavam para almoçar.

A colega de Doralice Ribeiro, a supervisora de vendas  Ana Amélia Calixto, 43, concorda com a colega e, vai além,  diz que  procura evitar sair de casa em determinados horários. Ela é mãe de dois filhos. Mora  na Cachoeirinha (Zona Sul) e trabalha no Aleixo ( Zona Leste) . Nestes trajeto  gasta 40 minutos para chegar em casa e 25,  quando “pega”  os desvio. Como  acha  que perde muito tempo, prefere almoçar com as colegas  no trabalho, trazendo a comida de casa ou comendo uma quentinha feita no restaurante da empresa.

A  operadora de telemarketing, Cíntia Fernandes, 37, concorda com as colegas e, igual a elas varia no almoço. Às vezes pede a quentinha no restaurante da empresa ou traz de casa.


Ritual puxadíssimo

A analista de administração Larissa Gama da Silva, 29, reside no conjunto Santos Dumont, Zona Norte de Manaus e conta que toda semana vive um ritual puxadíssimo que é acordar às 5h; deixar a filha no colégio às 7h e seguir para o trabalho no Centro-Sul da cidade.

Larissa explica que ser for em casa para almoçar, com certeza perderá duas horas “presa” nos engarrafamentos que se formam ao longo das avenidas Constantino Nery, Djalma Batista  e Torquato Tapajós , que dão acesso à sua residência. Por isso prefere almoçar no ambiente de trabalho ou em restaurantes pertos do serviço. Neste processo ,  conta com a ajuda da mãe e de parentes do pai  de sua filha (que estuda pela manhã) para levá-la do colégio até em casa.