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UGP pede perícia em casas supostamente afetadas por obras do estádio da Colina

Moradores que vivem próximos ao estádio alegam que a empresa responsável pela obra joga dejetos como pedra, madeira e principalmente barro na rede de saneamento pública. Seis famílias seguem sofrendo com a alagação causada pelo bueiro entupido 26/03/2014 às 09:04
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Sem vazão, água invade as seis casas localizadas no trecho mais baixo da rua
Jornal A Crítica ---

Uma perícia será realizada na rede de drenagem da rua São Raimundo, no bairro Santo Antônio, na Zona Oeste, para resolver o problema que seis famílias estão sofrendo com alagação causada pela reforma do estádio Ismael Benigno, a Colina, um campos oficiais de treinamento (COTs) da Copa do Mundo da FIFA 2014.

O serviço foi pedido à Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) e à Prefeitura de Manaus pelo coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP), Miguel Capobiango.

O problema veio a público depois que moradores denunciaram os prejuízos que estão sofrendo. Eles alegam que a empresa responsável pela obra joga dejetos como pedra, madeira e principalmente barro na rede de saneamento pública.

Segundo o engenheiro aposentado Ricardo Lima, 60, toda vez que chove a água não tem vazão, devido o bueiro está entupido de material, e invade as seis casas localizadas no trecho mais baixo da rua. “Sempre que chove a gente procura a empresa Tecon e ela nos atende, mas só manda os funcionários dela fazerem uma limpeza nas nossas casas e o problema continua”, disse.

As primeiras reclamações sobre danos materiais causados às residências pela obra na Colina ocorreram há quase um ano e problema persiste.

Para Capobiango, a situação preocupa porque é um problema na drenagem do solo que precisa ser desobstruído. Ele confirmou o que os moradores disseram, quanto a fato do local nunca ter tido este problema antes e que passou a ocorrer depois da realização da obra.

Desde o início do período chuvoso, a água da rede de esgoto invade as casas dos moradores através de pias, ralos e até vasos sanitários. As residências ficam inundadas e os moradores perderam a conta dos prejuízos que tiveram com móveis, aparelhos elétricos e com limpeza. “Não há como controlar ou fazer a água parar de retornar pelos canos. É água de esgoto que entra na minha casa”, disse Ricardo.

Os móveis que os moradores mantiveram em casa estão podres. Eles alegam que não podem, sequer, usar o banheiro porque a água fica transbordando no local. “O que me preocupara agora é a fundação da casa. Tem um buraco crescendo na porta da minha casa e as paredes estão rachando. A calçada está toda fofa por baixo e vai cair. A água fica jorrando como um vulcão”, alertou.

Problema não é novo

Em abril do ano passado, os moradores de uma casa de três andares usada como ponto comercial, localizada ao lado do estádio da Colina, apresentou rachaduras durante o uso de máquinas pesadas na obra do CT.

O proprietário alegou que sentia dentro da casa a vibração causada pelas máquinas usadas na reconstrução do estádio. A residência também foi inundada por lama proveniente do canteiro de obras durante uma forte chuva. “Treme tudo aqui em casa. Desde que eles começaram a demolir as arquibancadas”, disse o dono, na época.

Pouco depois, à UGP acionou a Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) sobre a necessidade de desapropriação e demolição da casa. Na ocasião, a UGP informou que o intuito era preservar a segurança dos moradores e evitar qualquer acidente.