Publicidade
Manaus
Manaus

Umidade relativa do ar em Manaus chega a nível preocupante

O nível está semelhante ao da capital federal, uma das cidades mais secas do Brasil. Além de favorecer a ocorrência de incêndios naturais no perímetro urbano e rural, quem mais sofre neste período são crianças e idosos 07/08/2012 às 07:08
Show 1
Umidade baixa e temperatura na casa dos 35 graus foi a marca dos últimos dias em Manaus. Combinação é explosiva para saúde e favorece a ocorrência de incêndios
Florêncio Mesquita Manaus

O Amazonas registra desde o último fim de semana o menor índice de umidade relativa do ar do ano. A taxa está  entre 20% e 30%, quando o ideal para a preservação da saúde humana, animal e florestal é 70%. O  nível aceitável é de 60%, segundo o 1º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Manaus, a umidade relativa do ar permaneceu em 20% durante todo o dia de ontem e  conforme o Inmet não é normal para o período.

O baixo índice de umidade do ar é preocupante e pode gerar danos a saúde, além de favorecer a ocorrência de incêndios naturais no perímetro urbano e rural. Quem mais sofre neste período são crianças e idosos.

Segundo a chefe do Inmet no Amazonas, Lúcia Gularte, a tendência é a situação se agravar porque o período seco que normalmente começa em junho só iniciou este mês. Ela lembra que só o período de calor apenas começou e também não há previsão de chuva no Estado até o fim do mês.

De acordo com ela, a baixa umidade significa que o ar que a população do Amazonas respira contém apenas 20% de água e os outros 80% são de partículas sólidas como monóxido de enxofre, gás carbônico e outras substâncias prejudiciais à saúde. Ela ressalta que o nível aceitável de 60% é estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Lúcia classifica a situação como preocupante e de utilidade pública. Ela enfatiza que a população precisa ter cuidados redobrados para enfrentar esse período sem sofrer danos. Para quem tem problemas de coração, por exemplo, a atenção é total. Lúcia explica que o esforço na respiração de uma pessoal cardíaca é grande por conta do ar seco que faz com ela ela se canse mais facilmente com nível maior de esforço que uma pessoa sem problemas se saúde.  

A baixa a umidade relativa do ar é prejudicial como está neste período. Além de problemas no coração, problemas respiratórios e incomodo com narinas e garganta secas também são comuns. A mudança faz com a população precise tomar cuidados especiais com a proteção da pele a ingestão maior de água.

Outro problema que aparentemente passa despercebido para algumas pessoas,  segundo Lúcia, é o céu completamente claro. Para ela, a ausência de nuvens faz com que a radiação de raios ultravioletas atravesse a atmosfera sem ser amenizada pelas nuvens. “Isso faz com que o perigo de câncer de pele seja maior. Por isso, as pessoas devem evitar o sol e atividades físicas ao ar livre no período de 10h as 16h e tomar pelo menos 3 litros de água. Os trabalhadores da construção civil precisam usar blusas de manga longa e proteger as orelhas. As pessoas pensam muito na proteção da do rosto e esquecem que o câncer também atinge muito a orelha”, disse.

OMS orienta sobre ação preventiva
A Organização Mundial de Meteorologia (OMM), órgão que monitora o comportamento da atmosfera da Terra, estabelece uma Tabela de Referência e Recomendações na qual considera ideal a umidade relativa do ar entre 70%, 60% até 30%. Abaixo de 30% a tabela estabelece a Fase de Atenção ou Fase I. Nesta etapa, a OMM recomenda que sejam evitados exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h e consumir bastante água. Na mesma etapa, devem ser adotados outros cuidados como umidificar o ambiente com toalhas molhadas, recipientes com água ou vaporizadores. Já na Fase II de alerta, a umidade relativa do ar varia de 20% a 12%. Na Fase III, considerada de emergência, o índice é abaixo de 12%.

70% é a umidade relativa do ar ideal para os seres vivos. A partir de 30% de umidade relativa do ar é considerado estado de atenção. Abaixo de 20% é considerado estado de alerta e abaixo dos 12%, estado de emergência.

18% é a menor marca de umidade relativa do ar registrada no Amazonas.O porcentual foi registrado em 2010 durante o período da maior seca registrada  no Estado quando o nível rio Negro, em Manaus, chegou a 13,63 metros.

20% é o porcentual de umidade relativa do ar em Manaus.As temperaturas médias no Amazonas estão em 35º. No entanto, existem lugares em Manaus que nos meses mais quentes de ano (agosto, setembro e outubro) registram até 50º.

Menor umidade foi de 18% e ocorreu durante seca recorde
A baixa umidade é causada por uma intensa massa de ar quente e seca que está sobre  todo o País e que se mantém no Norte. O índice de 20% registrado ontem, em Manaus, está apenas 2% acima da menor umidade relativa do ar registrada na capital de 18% no ano de 2010, período da maior seca no Estado.  

Segundo a chefe do 1º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lúcia Gularte, as maiores temperaturas ao longo de 100 anos no Amazonas ocorreram nos meses de agosto, setembro e outubro. Ela ressalta que o radar metrológico do instituto mostra índices de umidade relativa do ar muito baixos em todos os municípios do Estado.

Ela cita que Cuiabá, em Mato Grosso, e Porto Velho, em Rondônia, estão em situação de atenção por conta da baixa umidade relativa do ar. No último fim de semana, Porto Velho registrou índice de 10% na umidade relativa do ar, o menor do Brasil durante todo o ano.

De acordo com Lúcia, 10% é o índice normal da umidade relativa do ar do deserto do Saara.     

Já no Amazonas, Lúcia explica que na maior parte do Estado o céu está limpo aumentando a temperatura e sensação de calor. Apenas no extremo Sul do Amazonas que existem nuvens. Ela diz que há vários dias a intensa massa de ar quente e seca cobre todo o País. “Isso faz com que a massa de ar quente e seca espalhe os ventos e resseque ainda mais o ar”, disse.

Outro fato relatado pela chefe do Inmet, é que há dois meses as temperaturas no Amazonas estão acima do normal para o período. 

“Para o período não é normal. Estamos em um dos lugares mais úmidos do planeta terra”, disse Lúcia.