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Manaus
Estacionamento Azul

Usuários criticam novo sistema de estacionamento que vai ser instalado em Manaus

No sistema de estacionamento em Manaus que vai ser implantado em junho já recebe críticas de comerciantes , usuários e flanelinhas. Todos alegam prejuízos que vão ser ocasionados pela mudança 04/04/2012 às 10:24
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César Silva de Oliveira fez as contas e viu que pagará R$520 para o Zona Azul
Florêncio Mesquita Manaus

 Motoristas, vendedores e lojistas que serão afetados pelo sistema de estacionamento rotativo Zona Azul criticaram a implantação do programa e dizem que sofrerão prejuízos. O Zona Azul será implantado em 48 ruas da capital, sendo 37 no Centro e outras 11 no conjunto Vieiralves e bairro São Geraldo, a partir de junho deste ano.

 Com o valor de R$2 o veículo do condutor poderá ficar no máximo duas horas na vaga. Vendedores do Centro, por exemplo, que trabalham em média 10 horas por dia e deixam os veículos estacionados na frente das lojas afirmam que pagarão, apenas com expediente de trabalho, R$ 20 por dia e um total de R$520 por mês apenas para estacionar.

O vendedor César Silva Oliveira, 28, questiona a cobrança feita por hora e diz que após o início do programa terá duas opções: trabalhar apenas para pagar estacionamento ou usar ônibus. “Eu ganho R$ 680 e trabalho de 8h às 18h. São 10 horas que deixo minha moto estacionada na frente da loja onde trabalho. Pagando R$ 2 por hora vou usar quase todo o meu salário só para pagar estacionamento. É um absurdo! O jeito será ir a pé”, afirma.

Lojistas que deixam os veículos estacionados durante todo o dia na frente das lojas apontam o mesmo problema, como conta a empresária Laura Rabelo. “Claro que queremos que a cidade melhore com um trânsito mais organizado, mas não tem cabimento. Já pagamos impostos demais e esse serviço será explorado por uma empresa particular e na rua que é pública?”, indigna-se.

Segundo Marcos Porfírio, 32 a população não aceitará a novidade. Ele conta que diariamente estaciona o carro na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, e paga o valor que quer para os ‘flanelinhas’. Já para o sistema se bilhetagem o valor será fechado e não terá mão-de-obra humana para reclamar caso sofra algum dano. “Eu já pago IPVA e seguro do carro para circular na cidade e estacionar na via pública. Dou dinheiro para o flanelinha porque acho justo e se meu carro for arranhado cobro deles. Agora quem é que ganha uma ação contra o município se o carro for arrombado ou arranhado? O camarada vai passar mais de 10 anos esperando indenização”, protesta.

 No Vieiralves, a situação se repete. Segundo a empresária Leidimar Silva, 38, o programa reduzirá drasticamente o número de clientes nas lojas. Ela conta que os clientes não querem pagar estacionamento e por isso preferem o Centro e o Vieiralves para fazer compras. Depois da execução do programa, ela afirma que o prejuízo será grande. “Pelo jeito vou ter que fechar a loja. De outubro até agora o movimento já caiu em 40% porque o Choque de Ordem passou por aqui e proibiu o estacionamento na transversal. Agora além de ser em fila indiana vai ter que ser pago também? Isso não está certo”, reclamou.

Presidente da ACA. Gaitano Antonaccio, personagem

 “É um custo absurdo e desnecessário que eu considero uma imoralidade administrativa da Prefeitura. Esse programa de azul não tem nada! É sim uma Zona Negra. Sinceramente, por que a Prefeitura não faz parqueamento, prédios de estacionamento no Centro? Esse programa não tem condições de funcionar na cidade? Você não tem sequer polícia de trânsito para fiscalizar tudo isso.

 É um negócio rigoroso que não vai dar em nada. Vai ser uma desobediência pública danada e uma desordem que o programa Zona Negra vai criar. O povo vai ficar revoltado. As pessoas que vão as compras e passam mais tempo preferem o Centro e não os shoppings porque não querem pagar para estacionar. A Prefeitura já tem arrecadação suficiente e não precisa disso. Vai gerar prejuízo no comércio. A população que for ao Centro vai se tornar refém desse programa.

Flanelinha sugerem um boicote ao programa

Mais de 600 flanelinhas que serão descartados dos “ postos de trabalho” com a implantação do Zona Azul propõem um boicote ao programa. A medida é para forçar a Prefeitura de Manaus a inserir os flanelinhas em postos de atuação dentro do programa. O boicote será feito por meio de apelo popular convencendo os motoristas que utilizam o serviço dos guardadores de carros a não aderirem ao programa. Caso não haja resultado, os flanelinhas prometem fazer uma manifestação pelas ruas do Centro. Os próximos passos deles deve ser dados no próximo dia 18, quando vão se reunir na Casa do Trabalhador, Centro.

Segundo o diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Walter Cruz, o sistema não foi criado para prejudicar a população e sim para disciplinar o trânsito e fazer com que haja rotatividade nas vagas de estacionamento. Ele explica que, das capitais do País, apenas Manaus não contava com o Zona Azul. Ele ressaltou que em outras cidades o valor por hora é igual ou maior que R$ 3 e em Manaus será R$ 2.

 Ele também disse que apresentou o projeto as entidade do comércio, entre elas, a ACA a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus e todas aprovaram o Zona Azul. Segundo Cruz, a medida vai beneficiar o comércio porque o condutor só poderá estacionar por duas horas, depois desse tempo outro cliente ocupará a vaga o que significa mais vendas nas lojas. “O sistema é para tornar as vagas o mais justas possíveis”, defendeu. Os comerciantes, contudo, não concordam com essa avaliação do Manaustrans.